Encarroçadores estão otimistas com o mercado brasileiro

São Paulo – As fabricantes de carrocerias de ônibus Caio e Marcopolo apostam em um futuro promissor para a indústria no Brasil, tanto para o mercado doméstico como para exportações. Executivos das duas empresas participaram do Fórum AutoData Perspectivas Ônibus 2024, na segunda-feira, 23.

Ricardo Portolan, diretor de operações comerciais da Marcopolo, disse que a projeção para o mercado brasileiro nos próximos anos é bastante positiva, usando como base o atual volume do mercado, que deverá fechar 2024 próximo das 22 mil unidades, mas ainda longe dos números registrados na década passada, quando passou das 30 mil unidades vendidas:

“Temos a expectativa de um maior volume no mercado interno para os próximos anos, ainda mais depois dos últimos anos abaixo do esperado. Novas tecnologias que visam a descarbonização, como ônibus elétricos e híbridos, também deverão puxar o aumento da demanda”.

O diretor de controladoria da Caio, Luciano José Calonego, acredita os ônibus serão os grandes protagonistas da mobilidade e da descarbonização nesta década. O executivo ainda ressaltou fatores que deverão ajudar no crescimento do mercado brasileiro:

“Temos uma demanda reprimida no País por causa dos baixos volumes vendidos nos últimos anos. Também tem a questão do ônibus elétrico na cidade de São Paulo, que não está permitindo a homologação de novos veículos movidos a diesel para renovação da frota, o que cria uma lacuna de mercado que precisará ser preenchida no futuro”.

Lecar abre reservas para o seu Model 459

São Paulo – A Lecar abriu pré-venda do seu modelo híbrido, Model 459, que sequer começou a ser produzido e tem previsão de entrega apenas para agosto de 2026. O fundador e CEO Flávio Figueiredo de Assis projeta que toda a produção estimada no primeiro ano de operação, 120 mil unidades, seja vendida antes do lançamento do carro.

“Estamos a todo vapor para transformar esse sonho em realidade e, agora, com a nossa fábrica no Espírito Santo, temos certeza de que conseguiremos alavancar este projeto rumo à construção da montadora 100% nacional que o Brasil precisa”.

O 459 foi apresentado há algumas semanas e traz um motor Horse, 1.0 turbo flex produzido em São José dos Pinhais, acoplado ao gerador de energia WEG, que recarrega as baterias fornecidas pela Winston. A tração do carro é totalmente elétrica, no sistema range extender desenvolvido pela divisão da Renault, em parceria com a Aramco e a Geely.

Segundo a Lecar o 459 terá autonomia de 1 mil quilômetros abastecido com trinta litros de etanol.

Aqueles que desejarem fazer a sua reserva basta acessar o site da montadora, www.lecar.com.br, ou os marketplaces criados em Mercado Livre, Amazon, OLX, NetMotors e Webmotors, e entrar na lista de espera mediante sinal de R$ 1,3 mil. O preço estimado para o lançamento é de R$ 147,9 mil.

Indústria de ônibus enxerga horizonte de oportunidades

São Paulo – A indústria de ônibus nacional tem um horizonte positivo e recheado de fatores que deverão impulsionar o volume de produção e de vendas até o fim do ano que vem. Ruben Bisi, presidente da Fabus, entidade que representa as fabricantes de carrocerias, afirmou durante o Fórum AutoData Perspectivas Ônibus 2024 que a projeção da entidade é de alta 19,1% na produção até dezembro, chegando a 23 mil 365 unidades.

Ele citou uma série de fatores positivos que deverão impulsionar a indústria, como os investimentos externos em infraestrutura somados aos aportes por meio do PAC Seleções, PAC 3 que oferece R$ 10,6 bilhões para a compra de 5,3 mil veículos pelas prefeituras, volume que deverá ser negociado em sua maior parte no ano que vem:

“Também temos investimentos do Fundo Clima, aumento do turismo pós-pandemia, que está elevando as vendas de rodoviários, preço dos combustíveis e das passagens aéreas, que trazem mais passageiros para as viagens de ônibus a lazer, retomada das exportações, principalmente para o continente africano, maior demanda por veículos elétricos e o crescimento do PIB”.

Os fatores citados por Bisi deverão impulsionar a produção nos próximos dois meses, saindo da média de 1,8 mil ônibus/mês para 1,9 mil/mês. Em dezembro este volume deverá cair por causa do menor número de dias úteis, uma vez que as empresas paralisarão a produção e concederão férias coletivas.

Para o ano que vem os mesmo fatores de 2024 seguirão impulsionando os negócios e Bisi projeta uma alta de 5% na produção, chegando a 24 mil 570 unidades, que só não será maior porque o crescimento projetado para 2024 é muito forte. Outro fator que pode impedir uma expansão maior no ano que vem é o Caminho da Escola, pois ainda não se sabe se haverá um novo pregão do programa para comercialização do volume que não será atendido este ano.

Mas existem também algumas incertezas que podem trazer riscos para a indústria de ônibus, caso das dúvidas sobre a continuidade do programa Caminho da Escola para o ano que vem, o real crescimento do PIB, aumento do preço das passagens no transporte urbano e o Marco Legal do Transporte Público, dentre outros:

“O programa de renovação de frota também é muito importante, pois precisamos tirar os veículos Euro zero das ruas e substitui-los por veículos menos poluentes. Seria uma forma de elevar a produção da indústria sem o crescimento do mercado. Mais: um Euro zero em operação emite a mesma quantidade de CO2 que dezoito unidades de um Euro 6”.

Ford e governo do Ceará entram em acordo pela fábrica da Troller

São Paulo – A Ford informou na segunda-feira, 23, que assinou acordo para transferir as instalações da fábrica de Horizonte, CE, onde eram montados modelos Troller, para o governo do Estado do Ceará. Lá, segundo recentemente anunciaram o governo e a Comexport, será construído um galpão industrial para montar veículos chineses elétricos de três marcas diferentes, com investimento de R$ 400 milhões.

O processo foi semelhante àquele realizado em Camaçari, BA, pelo qual a fábrica foi repassada pela Ford ao governo local e deste para a BYD, que desembolsou R$ 287,8 milhões para assumir o terreno de 4,6 milhões de m².

Sem fornecer os pormenores a Ford, em comunicado, afirmou que foi dado “um passo definitivo para utilizar a planta de Horizonte na geração de crescimento econômico e social para a comunidade cearense”.

Na ocasião do anúncio da Comexport a Ford, procurada pela Agência AutoData, informou que o assunto estava sendo tratado pela sua área jurídica, sem fornecer pormenores. Um mês e meio depois, enfim, um acordo foi alcançado, mas também sem grandes pormenores.

Fim das operações industriais

Com o repasse de Horizonte ao governo do Estado do Ceará a Ford se desfaz de todos os ativos industriais que manteve no Brasil, onde parou de produzir veículos em 2021. A fábrica de São Bernardo do Campo, SP, que parou antes, em 2019, foi vendida para a Construtora São José para ser transformada em galpão logístico. A fábrica de motores de Taubaté, SP, foi vendida também para a Construtora São José e repassada, depois, para a CSN, Companhia Siderúrgica Nacional. E Camaçari abrigará a fábrica da BYD.

A Ford ainda mantém escritório em São Paulo e Centro de Desenvolvimeto em Tatuí, SP, e na Bahia, junto com o Senai Cimatec.

VW Caminhões e Ônibus inicia homologação do e-Volksbus

São Paulo – Após finalizar os testes com a SPTrans, que opera o sistema de transporte de passageiros na cidade de São Paulo, a Volkswagen Caminhões e Ônibus iniciou com a URBS, de Curitiba, PR, o processo de homologação do e-Volksbus, chassi elétrico produzido em Resende, RJ.

Dentre as validações estão a avaliação da carroceria, acabamento e pintura. Segundo a Rodrigo Chaves, vice-presidente de engenharia da companhia, o chassi elétrico será submetido a ciclo de testes, com operação mínima de dez horas diárias.

“A autonomia da bateria é levada ao limite, com avaliações detalhadas sobre a durabilidade, frenagem, e comportamento do veículo em aclives e declives.”

Volvo inicia testes com o FM Electric na logística de sua fábrica

São Paulo – A Volvo começará a usar seus caminhões pesados FM Electric para transportar componentes de seus fornecedores para a fábrica de Curitiba, PR, em operação que integra estudo junto com o Senatran para avaliar a distribuição de carga nos eixos dos caminhões elétricos. Operados pelas transportadoras Ritmo Logística e TLog dez caminhões farão rotas pelos estados do Paraná e de Santa Catarina.

Segundo a empresa os FM Electric rodam até 380 quilômetros por dia e são recarregados nos intervalos das viagens. Eles transportarão quadros de chassi, de ônibus e caminhões, dentro do sistema just in time adotado na fábrica.

Segundo a chefe de compras de serviços logísticos, Aline Gaensly “os caminhões Volvo FM Electric entregam os quadros de chassi diretamente na linha de produção diversas vezes ao dia, nos dois turnos de atividade da planta. Além de zero emissões há redução substancial de ruído”.

Motor turbo distorce tributação do carro 1.0 e amplia lucros

Dentre as muitas distorções do mercado brasileiro de veículos uma das mais longevas é a tributação de IPI menor aos carros com motorização de 1 litro. O benefício foi criado em 1993 com alíquota simbólica de 0,1% – após manobra política da Fiat que tinha o motor Mille pronto – e foi encampado pelo governo como programa do carro popular para ampliar o acesso a modelos zero-quilômetro e dar volume de vendas aos fabricantes.

Mais de trinta anos se passaram, a tecnologia evoluiu, a adoção de turbocompressores e injeção direta de combustível criou motores 1.0 mais potentes e eficientes do que modelos aspirados de maior cilindrada. Contudo essa evolução só serviu para engordar o caixa dos fabricantes, que pagam menos imposto nos carros 1.0 turbinados e cobram preços finais tão ou mais caros do que veículos taxados em faixa superior de IPI.

Mesmo com o IPI do carro 1.0 aumentado para 8%, a partir de 1995, e passando por algumas variações para cima e para baixo – foi até zerado em 2008 e 2012 –, chegando em 2022 aos atuais 5,27%, há mais de trinta anos qualquer automóvel com motor de até 1 litro no Brasil paga menos imposto do que os equipados com motorização de maior cilindrada, mesmo que sejam veículos idênticos em design, tamanho e configurações – atualmente os modelos 1.1 até 2.0 têm IPI de 8,28% no caso dos flex e de 9,78% para os a gasolina.

Pior carro mais caro do mundo

Para aproveitar o benefício a indústria automotiva nacional convergiu para o motor 1.0. De início, correndo atrás da Fiat, alguns fabricantes adaptaram rapidamente motores a machadadas, criando aberrações com menos de 50 cv que mal carregavam o próprio peso em uma ladeira.

Mas pode-se dizer que o programa do carro popular deu certo em seu objetivo de aumentar a motorização do País e conduzir a indústria automotiva a patamar superior de volume, criando um mercado que antes não existia. Na virada para os anos 2000 os carros 1.0 chegaram a dominar quase 70% das vendas de veículos no País.

Nesta época os carros 1.0 eram de fato modelos populares de entrada, os mais baratos do mercado e bastante rústicos – alguns até toscos com uso de materiais de baixa qualidade percebida. O preço mais baixo, no entanto, sempre foi alto pelo que se oferecia e pelo poder de consumo achatado dos brasileiros, que assim se acostumaram a comprar os piores carros mais caros do mundo.

Após alguns anos a tolerância dos consumidores com os carros 1.0 de baixa qualidade começou a cair – as vendas atingiram a participação mínima de 33% em 2016 – na mesma medida em que os fabricantes começaram a desenvolver opções melhores para criar diferencial competitivo e ganhar mercado dos concorrentes.

Turboflex é evolução para o caixa

Em busca de oferecer coisa melhor a cavalaria dos motores de 1 litro foi aumentando, passando dos 60 cv a partir dos anos 2000, passando dos 70 cv em uma década e superando os 80 cv nos anos 2010 até a chegada dos motores 1.0 turboflex de 110 cv a impressionantes 130 cv, fazendo voltar a subir as vendas dos modelos 1.0, que após a baixa da década passada amentaram a participação para quase 56% em 2023 e estão em 52,4% no período de janeiro a agosto deste ano, somando aspirados e turbinados.

Nos últimos cinco anos quase todos dentre os maiores fabricantes de veículos do País lançaram versões de seus automóveis equipados com motores 1.0 turboflex com injeção direta de combustível. Hoje estão disponíveis no mercado dezenove modelos de sete marcas, produzidos por cinco montadoras.

A Stellantis tem o maior número com oito modelos de três marcas, Fiat, Peugeot e Citroën, todos usando o mesmo motor 1.0 turboflex fabricado em Betim, MG, de 130 cv quando abastecido com etanol.

A evolução, no entanto, cobra o seu preço: o modelo 1.0 turboblex mais barato do mercado, o recém-lançado Citroën C3 You!, custa R$ 100 mil, boa parte está acima dos R$ 106 mil e a opção mais cara chega a R$ 164,7 mil, caso do Volkswagen T-Cross Confortline 200 TSI.

Um carro 1.0, mesmo que turbinado, por estes preços simplesmente acaba com qualquer justificativa de aplicação de imposto menor para incentivar o aumento da motorização do País. O maior benefício desta política é unicamente para o caixa dos fabricantes.

Distorções turbinadas

Em tempos de preocupações ambientais e reduções obrigatórias de emissões, em vez de ser vendido como solução para aumentar a eficiência e reduzir o consumo com o aproveitamento dos gases de escape para gerar força adicional, os carros turbinados ainda vendem a velha imagem de potência esportiva sem sentido.

É uma imagem bastante conveniente para o marketing dos fabricantes, que aumentam a potência e cobram mais por cada cavalo adicionado, vendendo a condução esportiva em plano superior ao da economia de combustível e redução de emissões.

Esta distorção permite que um carro 1.0 turboflex, que paga IPI de 5,27% e tem carga tributária total de 24,7% – contando também ICMS e PIS/Cofins que são iguais para todos os automóveis –, custe mais caro do que seu similar equipado com qualquer motor flex de 1,1 a 2 litros que recolhe IPI de 8,28% e tem carga de 26,4%.

O Fiat Pulse é um exemplo desta distorção: a versão mais barata com motor 1.3 aspirado de 107 cv e câmbio automático CVT está cotada a R$ 114 mil. Com a mesma transmissão e motor turboflex 1.0 T200, de até 130 cv, a versão Audace custa R$ 123 mil. Ou seja, recolhe menos IPI mas é R$ 9 mil mais cara, diferença que sobe para R$ 19 mil na comparação com o Pulse Impetus, o topo de linha com o mesmo motor T200 e CVT, vendido por inacreditáveis R$ 138 mil.

Há outros exemplos: o padrão de cobrar mais pelo motor turbo 1.0, mesmo que beneficiado por IPI menor, é uma constante em todas as marcas. Ainda que seja um produto melhor o custo de produção de um motor turbo não é tão maior quanto aparece nos preços finais dos carros.

Mais eficiência, menos distorção

Com a prevalência de mais lançamentos de modelos turboblex 1.0 no mercado, inclusive com sistemas híbridos elétricos, espera-se que o governo encaminhe, finalmente, o fim desta distorção em benefício da eficiência.

Já passa da hora acabar com benefício tributário que beneficia muito mais o lucro e muito menos a redução de emissões ou o bolso do consumidor. O mais sensato, como há muito tempo defendem os especialistas, é enterrar a aberração da tributação por cilindrada que há trinta anos atrasa e limita o desenvolvimento tecnológico dos veículos nacionais.

No lugar deveriam ser adotadas taxações que são tão menores quanto forem maiores os ganhos ambientais dos veículos, levando em conta emissões, reciclabilidade e, por que não, o custo menor para o consumidor.

É o que se espera do IPI Verde criado pelo Mover, Programa Mobilidade Verde e Inovação, mas que ainda carece de regulamentação para ser aplicado. O Imposto Seletivo, a ser adotado a partir de 2026 com a implementação gradual da reforma tributária, também pode cumprir a função de taxar os veículos mais poluentes e reduzir a carga dos mais amigáveis ao meio ambiente.

A oportunidade está colocada. Resta saber como os diversos interesses envolvidos influenciarão a possível mudança para o bem ou para o mal.

MDIC apoia a transformação digital de micro, pequenas e médias indústrias

São Paulo – O MDIC lançou na segunda-feira, 23, a terceira etapa do programa Brasil Mais Produtivo, que abrange ações para a transformação digital de micro, pequenas e médias indústrias. A ideia é promover medidas que implementem tecnologias de Indústria 4.0 e tornem as fábricas inteligentes, reduzindo os custos e ampliando a produtividade.

O plano conta com apoio do Senai, Sebrae, ABDI, Finep, Embrapii e BNDES, que exercerão o apoio técnico e financeiro. Ao término do processo a ideia é instalar sensores digitais, interligar sistemas por nuvem, utilizar Big Data, IoT, impressão 3D, inteligência artificial e outros recursos nas indústrias.

A segunda linha de atuação, destinada para médias indústrias, prevê subsídio pela ABDI de projetos de consultoria para avaliação da maturidade digital dessas empresas, identificando pontos de melhorias e áreas que demandem investimentos em tecnologia. BNDES e Finep oferecerão linhas de financiamento com taxas de juros mais atraentes para estas indústrias.

Serão beneficiadas 8,4 mil MPMEs, segundo o MDIC, com investimento de R$ 160 milhões.

O vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, esteve na Fiesp, em São Paulo, para o anúncio da nova etapa. Em seu discurso celebrou a promulgação do programa de depreciação acelerada, que permite reduzir a depreciação de equipamentos nos impostos, e voltou a prometer uma nova etapa, além dos R$ 3,4 bilhões previstos nesta primeira. E afirmou que, em outubro, será finalmente lançada a LCD, Letra de Crédito de Desenvolvimento, que deverá permitir financiamentos com custo menor para a inovação.

TEVX Higer iniciará venda de novo ônibus elétrico no Brasil em dezembro

São Paulo — A TEVX Higer informou que começará a comercializar seu ônibus urbano Azure 7 no Brasil em dezembro. O modelo foi apresentado no IAA Transportation, em Hannover, Alemanha.

Presente em cidades brasileiras nas versões de 12, 13 e 18 metros o Azure chegará em sua versão de 7 metros. O objetivo da companhia é solucionar necessidade das cidades com produto compacto com capacidade para quarenta passageiros.

Continental Pneus demite 42 trabalhadores em Camaçari

São Paulo – As dificuldades no setor de fabricação de pneus, alarmadas há alguns meses pela Anip, Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos, devido à concorrência classificada como desleal dos produtos importados, começou a refletir nos empregos. Na última semana a Continental Pneus demitiu 42 trabalhadores de sua unidade em Camaçari, BA.

No local trabalham 2,4 mil profissionais e são produzidos de 18 mil a 20 mil pneus por dia, sendo 10% disso, de 1,8 mil a 2 mil unidades, para veículos pesados, de acordo com o Sindborracha, Sindicato dos Borracheiros do Estado da Bahia, que abrange Salvador, Camaçari e Região Metropolitana.

Segundo o presidente do Sindborracha, Josué da Purificação Pereira, a intenção da empresa era dispensar cem trabalhadores. Um turno de produção chegou a ser suspenso para a realização de assembleia em frente à fábrica e a companhia aceitou negociar com a entidade.

“Foi alegado que o estoque de pneus está muito elevado, acima de 100% da capacidade de seu armazém, o que demandará a locação de outro espaço para guardar os produtos. Tudo por causa das dificuldades de mercado provocadas pela maior entrada de importados e a preços desleais.”

Pereira contou que a produção desta unidade era de 23 mil pneus por dia, sendo 3 mil de carga.

O sindicalista relatou que houve acordo com companhia para segurar outros cortes diante da expectativa de melhora do cenário, o que a partir do mês que vem deverá ser reforçado diante do aumento da alíquota do imposto de importação de pneus de passeio de 16% para 25% por doze meses. Embora ele acredite que a medida surta efeito apenas em 2025, e lamente que pneus de carga tenham permanecido com tributo de 16%, avalia que a entrada de produtos estrangeiros deverá diminuir.

Frente a eventual piora do cenário nos próximos meses foi combinado o estabelecimento de layoff para parte dos operários, em vez de partir direto para a demissão. Para os 42 dispensados o Sindborracha conseguiu pacote adicional de benefícios que inclui, além da verba rescisória, plano de saúde até o fim do cumprimento do aviso prévio, composto por trinta dias mais três dias adicionais por ano trabalhado na empresa, pagamento integral da PLR, de R$ 13 mil conforme o atingimento da meta, sendo que R$ 10,5 mil já foram pagos, e vale-alimentação de R$ 600 até o fim do ano.

Procurada pela reportagem a Continental ainda não se manifestou.

Instabilidade do emprego no setor ainda preocupa sindicato

“Estamos preocupados com o reflexo do emprego no setor. Acreditamos que o governo precisa tomar outras ações além do aumento do imposto, como medidas antidumping”, avaliou Pereira, ao complementar que, por ora, não há cortes em outras fabricantes de pneus de sua base. Quanto a layoffs existe um em vigor na Pirelli em Feira de Santana, em que 280 dos 1,2 mil funcionários têm contrato de trabalho até o fim do ano.

De acordo com a Anip existem 2,5 mil profissionais em layoff em pneumáticas do Brasil, em um universo de 32 mil empregos diretos, o que levou o presidente da entidade, Klaus Curt Müller, a alertar para o risco de demissões diante da queda nas vendas e perda de espaço para os produtos importados, que já respondem por quase 60% da demanda do mercado brasileiro.

Considerando apenas os produtos fabricados no País de janeiro a agosto foram vendidas 33,8 milhões de unidades, 6,2% menos que no mesmo período do ano passado. Deste montante 16,8 milhões são de passeio, 8,9% abaixo dos oito primeiros meses de 2023, e 4,5 milhões são de carga, 4,1% a mais neste mesmo comparativo.