Ford fechará a fábrica de São Bernardo

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São Paulo – A Ford informou, na terça-feira, 19, que deixará de operar em São Bernardo do Campo, SP, até o fim do ano. Por meio de comunicado, anunciou o encerramento da produção de caminhões e do modelo hatch do Fiesta, que mantinha ativa a linha instalada no bairro do Taboão. Até o fim dos estoques, os modelos serão negociados nas redes de concessionárias da marca.

 

Segundo a Ford a decisão é resultado de "reestruturação global" pela qual a companhia passa para tornar viáveis cortes de custos e o foco em novos produtos, como SUVs e picapes. O comunicado obedeceu a padrão global. Cálculos preliminares feitos pela empresa mostram que deixar de produzir em SBC resultará em desembolso de US$ 460 milhões com "compensação de funcionários, concessionários, fornecedores e amortização dos ativos fixos". A despesa divulgada é parte integrante dos US$ 11 bilhões que a Ford projetou para gastar este ano com as mudanças em sua operação global.

 

Por ora é incerto como a companhia conduzirá o processo de encerramento das atividades. Integrantes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC foram convocados para reunião na sede da Ford na manhã da terça-feira, quando receberam a informação sobre o fechamento diretamente de Lyle Watters, presidente na América do Sul, e de Rogelio Golfarb, vice-presidente, sem a minúcia dos pormenores.

 

Mais tarde Wagner Santana, presidente do sindicato, disse em vídeo publicado em rede social que já se esperava pela notícia desde que foi organizada assembleia, em janeiro, para tratar do futuro da companhia na região – a Ford, ao contrário de outras montadoras que operam no ABCD, como General Motors, Volkswagen e Mercedes-Benz, por exemplo, não anunciou novos investimentos em fábrica, o que chamou a atenção dos observadores.

 

Alguns dos principais nomes da cadeia de fornecedores da companhia, como as fabricantes Flamma, de cabines, e Cummins, de motores, também foram pegos de surpresa pelo anúncio oficial recebido no fim da tarde da terça-feira. Por meio de nota a Cummins disse que avalia os reflexos da decisão, e executivos da Flamma, e de outros fornecedores Ford procurados pela Agência AutoData, passaram o fim da tarde em reuniões para tratar do assunto, e não responderam às solicitações da reportagem.

 

Integrantes da Abrafor, a associação que agrupa as concessionárias da Ford Caminhões, também passaram a tarde reunidos por causa da notícia e não se manifestaram até o fechamento desta reportagem. A rede de distribuição da empresa no País é formada por 110 pontos de venda.

 

A decisão de deixar o mercado de caminhões na América do Sul foi tomada "após vários meses em que a empresa buscou, sem sucesso, alternativas para manutenção da produção, como a possibilidade de parcerias e venda da operação". Em janeiro o CEO Jim Hackett deu pistas durante conferência com acionistas: a empresa realizaria grandes mudanças globais em sua operação este ano: “É hora de enterrar 2018 em um túmulo profundo, lamentar o que poderíamos ter sido e focar, de fato, naquilo que queremos ser”.

 

A companhia, no caso, quer ser uma fabricante de SUVs, hatches e picapes e desenvolver tecnologias ligadas à eletrificação. Tanto que, no ano passado, informou que deixaria de produzir veículos do modelo sedã nos Estados Unidos – a mudança da demanda dos consumidores e a consequente baixa rentabilidade do negócio forçou a Ford a tomar a decisão. Esse cenário, aliado a baixos volumes de vendas na China, levaram-na a acumular prejuízo nos últimos quatro anos no mundo.

 

Na fábrica de SBC, de acordo com dados do sindicato regional, trabalham 3,2 mil funcionários, sendo 2,8 trabalhadores diretos da Ford e os demais de empresas terceirizadas. Segundo acordo coletivo firmado em 2017 haveria período de negociação para a retomada dos investimentos pela Ford em São Bernardo este ano, o que não ocorreu.

 

A Ford sai de São Bernardo do Campo, mas não do Estado. A companhia mantém fábrica de motores para veículos leves em Taubaté, que abastece, afora a fábrica em processo de fechamento, os veículos produzidos pela empresa na Argentina e Camaçari, BA. Na Bahia são produzidos os modelos Ford Ka e EcoSport e motores.

 

Em 2018, apontam dados da Anfavea, a Ford Caminhões vendeu no País 9 mil 314 unidades, volume que representou crescimento de 19% sobre o volume licenciado em 2017. As ações da companhia, listada na Bolsa de Valores de Nova York, fecharam o dia em alta, valendo US$ 8,83. A empresa estava instalada na região desde 1968.

 

Foto: Divulgação.