Diversidade regional gera oportunidade para veículos pesados

São Paulo – Um dos maiores desafios para o setor de veículos pesados na América Latina é a imensa diferença de condições dos países, seja em relação às características geográficas ou quanto a legislações veiculares. Mas na visão de Márcio Querichelli, presidente da Iveco para a América Latina, isso pode representar um campo de oportunidades. Essa foi a principal mensagem dele durante palestra no terceiro dia do 6º Congresso Latino-Americano de Negócios do Setor Automotivo, organizado por AutoData.

“Estamos numa região com potencial enorme e sempre quando se fala de desenvolvimento econômico, os caminhões e os ônibus são chaves para esse processo”.

A América Latina, afirmou, tem recursos abundantes, mercados emergentes e muitas possibilidades de crescimento com sustentabilidade. Ele citou agricultura, mineração, petróleo e gás e construção civil como algumas das áreas que se destacam e acabam originando negócios.

Sobre números, o mercado de caminhões acima de 3,5 t tem projeção de 130 a 140 mil unidades no Brasil, de 15 mil na Argentina e de 70 mil no consolidado dos demais países das Américas do Sul e Central. No caso dos nossos vizinhos argentinos, é um volume bem abaixo dos 25 a 30 mil exemplares já registrados. Mas Querichelli analisa que o cenário macroeconômico mostra sinais de revitalização, com inflação em baixa e nível mais saudável das reservas cambiais, apesar da instabilidade política.

Ainda melhor é a situação do Chile, com PIB em alta e juros e inflação caindo. Entretanto, é o país com a maior presença asiática. Não apenas pelos chineses, que dominam 85% do segmento de caminhões leves até 7,5 t, por exemplo, mas de produtos da Coréia do Sul e Japão.

Dentre os dados que o dirigente da Iveco apresentou, o Brasil se coloca como o maior fornecedor geral de caminhões e ônibus em todos os países, com exceção do já citado Chile e do México, que é uma nação latina mas está na América do Norte e tem grande participação de veículos da China.

O mercado chileno ainda se destaca por ser o que primeiro recebe novas tecnologias em veículos pesados, dentro da região.“É o segundo maior consumidor mundial de ônibus elétricos”, disse. “E a Colômbia também já conta com uma frota muito representativa nesse sentido.” 

Nesse caso específico, quase tudo é made in China.

Adaptar para sobreviver

“É preciso conhecer muito bem as especificidades de cada mercado e se adaptar a elas para ter alguma chance de sucesso na América Latina”, declarou o dirigente da Iveco, que atua em 20 países da região. 

Uma boa amostra é a situação dos níveis de emissões de poluentes: Brasil e Colômbia estão com a norma Euro 6, a Argentina ainda está com Euro 5, bem como Chile e Uruguai, mas nestes já existem combustíveis e veículos compatíveis com a lei mais rígida.

“Por sua vez, o Peru é Euro 4 e vai mudar direto para Euro 6 em 2026, enquanto Equador e Paraguai ainda estão com Euro 3, o que resume bem como são os desafios nesses mercados”.

Sem falar que alguns países nem têm legislação de emissões. O executivo frisou que um cenário como esse obriga as montadoras a adaptar motorizações com tecnologias anteriores para atender às especificações dos combustíveis de certos países. “É uma forma de ver o copo meio cheio.”

Já o Chile representa outro extremo quando se pensa nas necessidades da mineração. Segundo ele, esse setor demanda veículos com níveis de segurança e controle de emissão de poluentes ainda maiores do que os exigidos no Brasil.

Outro ponto que exemplifica a diversidade da região é a geografia dos montanhosos países andinos, que obriga o desenvolvimento de produtos que funcionem bem em altitudes de até 5 mil metros. Chile, Peru e Colômbia retratam bem essa questão.

Obstáculos

Dentre as dificuldades para atuar na América Latina Querichelli citou que certos países, como Bolívia e Paraguai, além da maior parte da América Central, é possível importar veículos usados com facilidade. O presidente da Iveco também lembrou que os financiamentos representam dois terços das vendas de caminhões e ônibus, o que torna o setor muito dependente de apoio governamental, como a criação de linhas de crédito para exportações.

Contudo, ele reforçou a aposta da marca na região, que está recebendo investimentos de R$ 1 bilhão em suas fábricas de Sete Lagoas, MG, e Córdoba, Argentina. E os resultados já estão aparecendo neste ano, com crescimento nas vendas de 58% em veículos e 41% em peças de reposição.

Carlos Storniolo é o novo CEO da ResfriAr

São Paulo – A ResfriAr, fabricante de geladeiras e climatizadores automotivos, anunciou Carlos Storniolo como seu novo CEO. Seu objetivo é dobrar o faturamento da empresa em cinco anos, traçado pelo presidente e fundador Roberto Cardoso.

Storniolo acumula mais de quarenta anos de experiência, com passagens por Pirelli, General Motors, Delphi, Omron e NSK, na qual foi presidente. Também tem experiência fora do setor, como presidente da Hoshizaki, de alimentação.

A chegada de Storniolo reforça o processo de profissionalização da ResfriAr. Sua equipe tem o diretor de vendas aftermarket, marketing e p&d Thobias Cardoso, o de vendas O&M, pós-vendas e RH Leonardo Cardoso e o de operações, melhoria contínua e engenharia Régis Magnus.

Carro importado abre rombo moral e financeiro na balança comercial do País

As poucas altas e as muito baixas das exportações brasileiras de veículos, em combinação com o substancial aumento de importações sempre que nenhum protecionismo é adotado, abre dois rombos no comércio exterior do Brasil: um moral, outro financeiro.

O déficit moral decorre da difícil aceitação de que a indústria instalada no País há mais de setenta anos é incapaz produzir carros mais exportáveis, como faz a China que após vinte e poucos anos de desenvolvimento deve se tornar o maior exportador de veículos do mundo, com estimativa de 6 milhões de unidades este ano.

Já o rombo financeiro acontece porque a importação de bens de alto valor agregado reduz o saldo da balança comercial, hoje dependente de sobreviver só com vendas externas de commodities de baixo valor agregado, que trazem pouco desenvolvimento econômico.

Déficit industrial aumentado

Levantamento da AEB, Associação de Comércio Exterior do Brasil, produzido em julho, mostra que os automóveis de passageiros híbridos e elétricos, que têm imposto de importação reduzido, serão os principais responsáveis por alargar de US$ 108 bilhões em 2023 para US$ 123 bilhões o enorme déficit da balança comercial brasileira de produtos industrializados.

A AEB projeta que as importações de automóveis este ano – em sua grande maioria híbridos e elétricos vindos da China – deverão somar US$ 11,5 bilhões, em crescimento de vistosos 98% sobre os US$ 5,8 bilhões de 2023, quando a expansão já havia dado um salto expressivo de 61% ante os US$ 3,6 bilhões importados em 2022.

Se a projeção da AEB for confirmada, de acordo com dados da associação, os automóveis serão, em 2024, o segundo produto mais importado pelo Brasil, ficando só atrás de óleos combustíveis e à frente de petróleo, adubos e fertilizantes.

Enquanto isso estão em queda livre as exportações de carros brasileiros – que são gritantemente inferiores em acabamento e tecnologia aos importados chineses que aprenderam a fazer veículos em vinte anos.

Segundo projeta a AEB as vendas de automóveis brasileiros devem somar US$ apenas 3,7 bilhões este ano, em retração de 10,8% sobre 2023, abrindo déficit anual de US$ 7,8 bilhões só nesta conta.

Saldo negativo ampliado

Para piorar o rombo na balança comercial do setor automotivo no Brasil não se limita às importações de automóveis, mas a todos os produtos desta indústria.

Ainda segundo o levantamento da AEB as importações de veículos de carga devem crescer 12% este ano, para US$ 4 bilhões – impulsionadas principalmente por modelos de menor porte que deixaram de ser produzidos no Brasil, como vans e furgões – e as exportações destes modelos deverá cair 8,5%, para US$ 2,3 bilhões, gerando déficit de US$ 1,7 bilhão.

Já o Sindipeças projeta em quase US$ 12 bilhões o déficit da balança de autopeças, com importações de US$ 20 bilhões e exportações de US$ 8,1 bilhões.

Para pneus – outro item duramente atingido pela concorrência chinesa este ano, mas aqui com qualidade inferior ao produto brasileiro no mercado de reposição – a AEB projeta exportação de US$ 1,2 bilhão, queda de 5% em comparação ao ano anterior, e o dobro disto em importações: US$ 2,1 bilhões, em alta de 13% sobre 2023.

Exportação de empregos e PIB

Todos os quinze produtos mais exportados pelo Brasil este ano são commodities, como soja, minério de ferro e até petróleo, que encabeça esta lista pela primeira vez. Nada contra mas depender só destes produtos limita bastante as possibilidades de ganhos e de desenvolvimento industrial do País.

Automóveis estão fora da lista dos produtos mais exportados pelo Brasil por causa da dependência de mercados latino-americanos, especialmente da Argentina, o maior mercado externo dos veículos brasileiros, que passa por severos problemas econômicos e vem diminuindo as compras ano a ano.

Em outros mercados, como México, Chile e Colômbia, as vendas também estão caindo, não só por problemas locais como também por causa da concorrência chinesa que também está chegando com força nestes países com produtos melhores e mais baratos do que os brasileiros.

Países que importam muitos produtos industrializados exportam PIB e empregos. Segundo aponta a Associação de Comércio Exterior do Brasil a cada US$ 1 bilhão em importações de manufaturados, além da perda de divisas em si, o País sutenta cerca de 30 mil empregos diretos e indiretos no Exterior. O contrário também é verdadeiro: ao exportar US$ 1 bilhão são gerados 30 mil empregos aqui e o valor entra como saldo positivo na balança comercial.

Nesta jornada não há caminho bom. Se as importações de carros continuarem a aumentar no ritmo que estão é bastante provável, como já aconteceu antes, que o governo adote barreiras tarifárias para evitar o alargamento do rombo na balança comercial, o que mais uma vez dará à indústria instalada no País a liberdade de continuar a produzir veículos de preços altos e qualidade inferior.

Por outro lado caso nenhuma barreira for adotada os importados tendem a engolir esta indústria, provocando perda de empregos e PIB, além de déficit de desenvolvimento tecnológico. É uma equação difícil de equilibrar mas que precisa de equilíbrio.

Congresso Fenabrave espera receber mais de 7 mil visitantes

São Paulo – Mais de 7 mil visitantes de toda a América Latina deverão comparecer ao pavilhão principal do São Paulo Expo, onde foi inaugurada na quarta-feira, 21, a trigésima-segunda edição do Congresso Fenabrave, que segue até a quinta0-feira, 22. Além de estandes com prestadores de serviços e autopeças dedicadas aos diversos negócios da comercialização de veículos haverá uma série de palestras e apresentações sobre estes temas.

Segundo José Maurício Andreta Júnior, presidente da Fenabrave, é a maior edição de todos os tempos com “o aumento de mais de 5 mil m2 na área de exposições na comparação com a última edição”.

Em meio à forte concorrência de novos canais e formas de vendas automotivas à concessão tradicional, Andreta apontou que “o modelo dos concessionários continua forte e ainda é a melhor opção tanto para quem produz como para quem comercializa e, sobretudo, para aqueles que querem comprar um veículo”.

Durante a cerimônia de abertura do evento, com a presença de diversas autoridades e executivos de toda a cadeia automotiva, o presidente da Fenabrave reforçou a expectativa de crescimento de 13% das vendas em 2024: “Estamos a apenas 31%, em termos de volume de vendas, de alcançar o melhor resultado histórico no País”.

Além do mercado brasileiro as associações de concessionários da região estão presentes para discutir os desafios do negócio em meio a situações econômicas distintas.

A reportagem conversou informalmente com diversos representantes das entidades e houve unanimidade: os mercados estão enfrentando uma queda na rentabilidade porque além das margens estarem menores há uma concorrência feroz de produtos feitos na Ásia, que são mais baratos e igualmente com tíquete médio menor.

Durante as discussões com a presença apenas destes executivos foram debatidas formas de proteger a saúde financeira dos grupos que, segundo um dos executivos, estão ficando pelo caminho dessa feroz competição com as novatas e pouco rentáveis marcas asiáticas.

Sindipeças calcula R$ 50 bilhões em investimentos da cadeia fornecedora

São Paulo – Para acompanhar os R$ 130 bilhões que as montadoras aplicam em investimentos no mercado brasileiro a cadeia de fornecedores deverá, nas contas do Sindipeças, desembolsar R$ 50 bilhões de 2024 a 2028. O valor, segundo Gábor Deák, seu diretor de tecnologia, que participou da abertura do Simea, Simpósio Internacional de Engenharia Automotiva, organizado pela AEA, Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, será destinado à atualização tecnológica de processos e produtos:

“Não será um dinheiro destinado à expansão de capacidade. Será aplicado em atualização tecnológica, para poder atender às exigências de emissões e segurança que vêm por aí”.

O diretor do Sindipeças citou o Mover, Programa Mobilidade Verde e Inovação, como vetor dos investimentos. A descarbonização, com a maior aplicação de powertrains eletrificados nos veículos produzidos no País, é outro impulsionador de novos projetos na cadeia fornecedora.

O Sindipeças tem 512 empresas associadas, das quais de sessenta a oitenta de grande porte. Assim os investimentos se diferenciam: “Enquanto algumas podem buscar tecnologias em suas matrizes outras desenvolvem projetos locais. Nestes casos o Mover é importante”.

O setor de autopeças costuma investir de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões por ano. O Mover, portanto, demandou um aumento no desembolso das empresas. Deák disse que os créditos financeiros do Mover, que em cinco anos somarão mais de R$ 19 bilhões, estão se esgotando rapidamente. “Todo mundo está correndo atrás de novos projetos”.

Brasil bem posicionado na descarbonização

A trigésima-primeira edição do Simea traz como tema principal a mobilidade verde e a transição energética. Na abertura o presidente da AEA, Marcus Vinícius Aguiar, disse que os planos globais para veículos elétricos sofreram uma reviravolta no último ano e o Brasil está bem posicionado por seu leque de opções de descarbonização.

Aqui, segundo os debatedores no painel de abertura, o principal caminho deverá ser os biocombustíveis, aliados ou não com a eletrificação, como nos híbridos flex.

“Temos a oportunidade por estar na vanguarda da transição energética”, afirmou Henry Joseph Júnior, diretor técnico da Anfavea. “Nosso biocombustível e a tecnologia flex já é exemplo para outros países, como Índia e Tailândia”.

Sistema de CRM da Syonet será usado por concessionários no México

São Paulo – Adquirida no ano passado pelo fundo investidor Atlante a Syonet, especializada no desenvolvimento de sistemas de CRM usados por diversas concessionárias, trabalha na expansão de seus negócios para cumprir o objetivo dos investidores na sua aquisição: vender a empresa por um preço maior. O primeiro passo foi dado: sua expansão para fora do Brasil.

Caio Nascimbeni, CEO que assumiu o cargo após a aquisição, anunciou o lançamento de uma operação no México: “Começamos os negócios no mercado mexicano com três clientes, sendo que um deles é o grupo concessionário Continental, que possui dezesseis lojas e que pode ser considerado de porte grande”.

A expectativa é de que o negócio amadureça e avance para outros grupos concessionários no México nos próximos três anos. A médio prazo outros países da América Latina estão no radar da Syonet, mas como são mercados menores, com volume menor de concessionárias, a empresa buscará parceiros locais, sem instalar subsidiária no país e usando a estrutura no Brasil para tocar as operações nessas regiões.

No Brasil a Syonet também pretende avançar, ainda que o seu sistema de CRM, geração de leads, dentre outras funções, já seja usado por cerca de metade das 5,2 mil concessionárias que vendem automóveis e comerciais leves, volume que lhe garante a liderança do segmento. Para isto a empresa pretende melhorar a experiência dos clientes que usam o seu sistema, entregando uma ferramenta fácil de usar e que seja o mais completa possível.

Dessa forma a Syonet está investindo na contratação de profissionais para acelerar o desenvolvimento de novas funções e realizar as melhorias na plataforma que é utilizada pelos clientes. A intenção é ampliar suas equipes internas e que elas trabalhem de forma integrada, impulsionando os desenvolvimentos relacionados a tecnologia e inteligência artificial, por exemplo.

Um dos fatores que despertou interesse do grupo de investidores pela Syonet foi o potencial de crescimento da empresa, que projeta para 2024 uma alta de 30% no faturamento sobre 2023, chegando a R$ 60 milhões. O grupo também identificou mercado potencial enorme fora do Brasil, que pode chegar a R$ 1 bilhão e, por isto, a decisão de avançar com a operação para outros mercados do México para baixo.

Causas do tombo das exportações em AutoData de agosto

São Paulo — Reportagem de capa de AutoData de agosto – já disponível para ler on-line – traz à tona as causas da falta de competitividade internacional do País e dos veículos produzidos aqui, que têm pouca penetração global e só chegam a mercados latino-americanos de baixos volumes e com problemas econômicos tão grandes ou maiores que os nossos. Para piorar a concorrência chinesa não para de crescer no quintal de casa.

Outra cobertura especial deste mês é sobre a Lat.Bus Transpúblico, que este ano, com recordes de expositores, público e negócios, renovou as expectativas do mercado de ônibus em ascensão no País para voltar aos maiores níveis históricos. Não faltaram apostas na eletrificação: todos os cinco fabricantes de chassis lançaram modelos elétricos no evento que terão produção doméstica – inclusive um articulado e outro biarticulado – e a Marcopolo apresentou um inovador micro-ônibus elétrico Volare com gerador interno a combustão.

Também estão nas páginas desta edição todos os cases do Prêmio AutoData 2024, com empresas, produtos e personalidades selecionados em dez categorias este ano. Os resumos estão descritos nas páginas da revista para orientar melhor sua votação, que começa agora.

Seguindo a tradição de contar a história do setor automotivo este mês trazemos duas grandes trajetórias: a centenária multinacional alemã Bosch completa 70 anos no Brasil com contribuições fundamentais para a evolução da indústria automotiva, enquanto a Marcopolo chegou aos 75 anos de uma jornada que partiu da improvisação e rompeu barreiras comerciais e tecnológicas para se transformar em uma das maiores fabricantes de ônibus do mundo.

Na entrevista From The Top deste mês – que também pode ser assistida no videocast de AutoData no YouTube – a conversa é com Mauro Correia, CEO da HPE Automotores, fabricante de veículos Mitsubishi que recentemente divulgou plano de investimento de R$ 4 bilhões para aumentar a produção local, lançar novos produtos e ampliar a rede.

Também cobrimos o lançamento do novo Peugeot 2008, SUV compacto agora produzido na Argentina que traz novas expectativas para a marca no Brasil.

AutoData está disponível para leitura on-line (aqui) ou para baixar o arquivo em PDf (aqui). Agradecemos a leitura e já estamos trabalhando na revista de setembro. Até lá!

Em plena forma

Naquele 4 de agosto de 1976, a fundação do Grupo SADA remontava ao empreendedorismo de um jovem visionário, Vittorio Medioli. Vindo da Itália, ele iniciou as operações de uma transportadora para atender a necessidade de armazenamento e distribuição de veículos da recém-inaugurada planta da Fiat, em Betim (MG). Tanto que a empresa nasceu na cidade vizinha, em Contagem, mas logo transferiu a sua sede, sete anos depois, para o mesmo município onde está sediada a montadora até hoje.

Com forte tradição empreendedora, acumulando milhões de km rodados para entregar carros novos em todo o país com suas cegonheiras ao longo das primeiras décadas, a SADA cresceu rapidamente e expandiu seus negócios por todo o país. Atua hoje em dez diferentes segmentos, é presente em mais de 50 cidades e conta com mais de 8.000 pessoas em suas operações. É o maior operador logístico de transporte automotivo de modelos zero km da América Latina.

A vertical de transporte e logística automotiva é o principal negócio do Grupo. Movimenta 2,4 milhões de veículos anualmente para as principais montadoras do país, em todas as regiões e em países como a Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia e Uruguai, por exemplo. Foram 293 mil viagens e quase 500 milhões de km percorridos em 2023. Conta com frota própria e de parceiros, totalizando mais de 3 mil veículos, além de estruturas de pátios (capacidade de 100 mil vagas), ferramentas de gestão (sistema Yard Management System) e monitoramento 24 horas.

Para o Daniela Medioli, vice-presidente executiva do Grupo SADA, o sucesso da organização está pautado na sua diversidade e no legado construído pelas pessoas que fazem parte dele. “Em quase cinco décadas de muito trabalho, continuamos a acreditar na força do empreendedorismo para transformar nosso país, gerar oportunidades e sermos úteis e relevantes não apenas para os nossos clientes, mas também para toda a sociedade”, completa a executiva. Hoje, a SADA possui negócios na área de venda de veículos leves e pesados (concessionários das marcas Fiat e Iveco), fabricação de autopeças, siderurgia, reflorestamento, produção de etanol e distribuição de combustíveis, comunicação (rádio, jornal e portal O Tempo). Além de uma equipe de vôlei (SADA Cruzeiro) e uma fundação (Fundação Medioli).

Tanto a SADA é motivada pelo princípio de que sempre é possível ser e fazer melhor por meio da diversificação dos negócios, do investimento em inovação, que a empresa desenvolveu know-how para oferecer outras soluções logísticas aos seus clientes, mesmo no foco principal de distribuição de veículos: serviço de inspeção pré-entrega (PDI) com revisão completa dos veículos e customização conforme a demanda. Acompanhamento pelo sistema PDI onTrack, que permite a gestão em tempo real.

O segmento de transportes especiais também conta com a expertise da SADA, como no caso da Porsche Cup Brasil, que tem a marca como seu operador logístico nas provas que acontecem fora do circuito de Interlagos, com destaque para a etapa da Argentina, em uma operação que envolve mais de 80 carros de competição e dez dias de viagem.

Neste caso, além dos veículos, o Grupo SADA, em sua operação de carga geral, apoiou a logística da competição para a etapa de Portugal neste ano. A empresa foi responsável pelo transporte por contêineres com carros e equipamentos da etapa entre a oficina da organização e a entrega no Porto de Santos para que fossem embarcados via marítima, em uma operação com 26 carretas e 40 profissionais.

Reforçando o seu compromisso com as ações de ESG, a fim de criar um impacto positivo na sociedade, o Grupo SADA atua em frentes com o Pacto Global da ONU, possui selo Ouro no Programa Brasileiro GHG Protocol e no último ano, investiu R$ 12 milhões em ações sociais.

Resfri Ar vai dobrar de tamanho

O gaúcho Roberto Cardoso, fundador da Resfri Ar, é mais um exemplo daqueles brasileiros visionários. Ex-caminhoneiro, a veia do empreendedorismo surgiu logo cedo. Por ter vivenciado a lida na boleia, Cardoso captou rapidamente uma das principais dores da profissão. E ela não residia na atividade propriamente ao volante, mas fora dele: na hora de dormir, o cidadão morria de calor dentro da cabine do caminhão, visto que era impossível deixar o motor do caminhão ligado toda a madrugada para usar ar-condicionado. Além disso, ele observou o incômodo que era a falta de opções para acondicionar água gelada. Ou mesmo como guardar refrigerado o alimento que seria mais tarde usado no jantar. O resto é história.

Exatos 27 anos depois de sua fundação, a Resfri Ar é a maior fabricante de geladeiras e climatizadores automotivos do país. Sediada em Vacaria (RS), a empresa possui cerca de 1,5 mil pontos de venda no país e exporta para países da África, Ásia, América Latina, América do Norte e Europa. Os climatizadores de ar para caminhões (aqueles que são instalados no teto da cabine), também fabricados para linha agrícola e veículos especiais, são o carro-chefe da Resfri Ar, representando cerca de 60% do faturamento. Figuram ainda entre os principais produtos as geladeiras automotivas e portáteis, que acumulam a função de refrigeração e congelamento, conservando alimentos e bebidas sempre frescos. A ideia é fabricar também toda a a linha de peças plásticas para caminhões.

Se isso é tudo? Claro que não. Após implantar a filosofia lean na produção, o fundador decidiu buscar profissionais para aplicar esse conceito, liderados pelo experiente executivo Carlos Storniolo. Com passagens por grandes empresas como Delphi, NSK e Hoshizaki, ele assumiu a posição de CEO no dia 1º de julho último com uma missão desafiadora: dobrar o faturamento da Resfri Ar até 2028. Cardoso passa a ser Presidente do Conselho.

Storniolo garante ter encontrado ótimas condições para cumprir a meta. “A minha chegada solidifica o processo de profissionalização da empresa, que já havia sido desenhado com a implementação de um novo organograma e a atração de profissionais muito experientes. A agressiva meta trazida pelo nosso fundador é perfeitamente possível. Para isso, as áreas de Aftermarket e O&M estão sendo reforçadas. Também temos planos que passam por melhoria dos produtos existentes e novos produtos estão na pauta. Temos ainda um plano específico para exportação”, explica o novo CEO, já dando algumas pistas que algumas parcerias “muito robustas” com companhias de fora devem impulsionar rapidamente o faturamento da Resfri Ar.

Para o executivo, este é aquele momento singular na trajetória de uma empresa, em que todos os vetores mostram-se favoráveis e apontam para o crescimento. O CEO explica que os processos e a qualidade da manufatura são exemplares, bem como o time de P&D. “Quantos sistemistas brasileiros têm hoje a capacidade de oferecer soluções para OEM, em vez de serem somente demandados com projetos prontos? Todas as montadoras de caminhões já são nossas clientes com os climatizadores. Mas o mercado tem começado a aumentar a procura pelos sistemas de ar-condicionado com acionamento elétrico, ou seja, desvinculados do motor do caminhão. Uma das minhas principais missões é desenvolver essa nova família de produtos, mas que não vai objetivar somente montadoras de caminhão, mas também as máquinas industriais, a linha amarela e toda a família de agro”, antecipa Storniolo.

Entusiasmado, o executivo completa. “Pode escrever: estamos customizando nossos climatizadores para novos tipos de veículos, vamos desenvolver a linha de ar-condicionado, aprimorar a família de geladeiras, bem como criar produtos customizados para outros tipos de veículos. E a cereja do bolo: a Resfri Ar vai se tornar uma legítima multinacional brasileira”, promete. Alguém duvida que conseguirão?

Ford em expansão

Com uma operação consolidada e saudável no Brasil, a Ford acaba de anunciar a estreia da marca “Ford Performance”, que gere os modelos de alto desempenho e competição da montadora. O lançamento inclui também Argentina, Chile, Colômbia e Peru na América do Sul.

A chegada da Ford Performance faz parte da expansão global das operações da marca, com um plano de negócios focado em inovação tecnológica e emoção. “A Ford nasceu nas pistas e a competição faz parte do nosso DNA. A Ford Performance é hoje a divisão responsável por levar adiante esse legado vitorioso, trazendo veículos e experiências exclusivas que combinam alto desempenho, estilo de vida e emoção”, disse Antonio Baltar Jr, diretor de Vendas, Marketing e Serviços da Ford.

Tendo como cartão de visitas a Ranger Raptor, primeiro veículo desenvolvido pela Ford Performance disponível no país, ela é a picape mais rápida e capaz do mercado em qualquer terreno, equipada com motor 3.0 V6 biturbo GTDI de 397 cv, que acelera de 0 a 100 km/h em 5,8 segundos. Além dos veículos Ford Performance já disponíveis na região – Ranger Raptor, F-150 Raptor e Explorer ST –, a Ford também oferece o Mustang GT Performance e o Mustang Mach-E GT Performance.

O plano da grife é oferecer futuramente experiências únicas para os clientes com o portfólio da Ford Performance, como “track days”, roteiros diferenciados em estrada e fora de estrada, a participação em eventos esportivos globais na região e o licenciamento de produtos.

Momento histórico
O anúncio da Ford Performance chega em um ótimo momento para a marca, que registrou em julho o melhor mês de vendas dos últimos três anos, com 4.279 emplacamentos, além de celebrar o crescimento de 68% no acumulado do ano, comparado ao mesmo período do ano passado.

A Ranger, carro-chefe da marca, apresentou um crescimento de mais de 58% no ano e consolidou a sua posição como vice-líder das picapes médias. “A Ranger trouxe um novo padrão para o segmento de picapes médias e isso está sendo cada vez mais reconhecido pelo mercado. Tanto que 50% dos seus compradores são clientes novos na marca”, diz Antonio Baltar Jr.

O Bronco Sport e a Maverick foram outros modelos que contribuíram para esse resultado. O SUV teve crescimento de 170% no acumulado de 2024, enquanto a picape Maverick cresceu 90%, comparado ao mesmo período do ano passado.