Vendas de eletrificados somam 79 mil unidades no primeiro semestre


São Paulo – Foram emplacados ao longo do primeiro semestre 79,3 mil veículos leves eletrificados, incremento de 146% com relação ao período de janeiro a junho de 2023. Os dados, divulgados pela ABVE, apontam que 299,7 mil veículos leves elétricos e híbridos entraram em circulação no País desde 2012, quando teve início a série histórica da associação.

O resultado foi impulsionado pelas vendas de junho, considerado o terceiro melhor mês da série histórica, com 14,4 mil unidades, alta de 131% na comparação anual e avanço de 253% na mensal. A entidade projeta que até o fim do ano será estabelecido novo recorde com a comercialização de 150 mil eletrificados, o que significaria crescimento em torno de 60% sobre os 93,9 mil veículos vendidos em 2023.

Nos primeiros seis meses de 2024 os BEV representaram 39% dos emplacamentos de eletrificados no País, ou 31,2 mil unidades. Os PHEV responderam por 29,5% ou 23,3 mil. Os veículos plug-in, portanto, somaram 69% do mercado no acumulado do ano.

Já os HEV convencionais ficaram com 9,3% das vendas, ou 7,4 mil, sendo que os HEV flex a etanol, com 14% ou 10,9 mil. E os MHEV, com 6,4 mil unidades, representaram fatia de 8%.

Mercedes-Benz muda central de distribuição de peças de Campinas para Itupeva

São Paulo – A Mercedes-Benz iniciou a operação da sua nova Central de Distribuição e Logística de Peças no Brasil, agora localizada em Itupeva, SP, no condomínio logístico da HGLG. No local, que possui 45 mil m², a Mercedes-Benz possui estoque de 8 milhões de peças, sendo que 1,5 milhão são distribuídas mensalmente para todo o Brasil e para mais de cinquenta países. 

A nova central terá como parceiro logístico a Penske Logistics e a mudança de Campinas para Itupeva ocorreu “para que a empresa desse mais um passo dentro do processo de modernização operacional da logística de peças, ganhando desempenho e eficiência”, segundo comunicado divulgado pela montadora.

BYD amplia portfólio de modelos híbridos com o Song Pro

São Paulo – A BYD lançou o SUV híbrido plug-in Song Pro no Brasil em duas versões, GL e GS, que serão comercializadas com preço de R$ 189,8 mil e R$ 199,8 mil para as três mil unidades que foram embarcadas da China. O modelo será o primeiro a ser produzido pela BYD na fábrica de Camaçari, BA, ainda em 2024, com montagem parcial e, em 2025, com toda a produção realizada na unidade. 

Esse foi o décimo lançamento da BYD no Brasil nos últimos três anos, sendo o segundo modelo híbrido plug-in seguido: dias atrás foi a vez do sedã médio King. Henrique Antunes, diretor de vendas da BYD, disse que a ampliação do portfólio de modelos híbridos é para atender a um pedido dos concessionários e também dos clientes finais, uma vez que os consumidores pediam nas revendas mais opções de veículos híbridos. 

A GL, versão de entrada, tem bateria de 12,9 kWh, e a GS utiliza bateria de 18,3 kWh. O tamanho das baterias determina a autonomia do modelo apenas no modo elétrico, sendo que o primeiro roda 70 quilômetros e o segundo tem até 110 quilômetros, sendo este o diferencial das duas configurações. 

O conjunto de motorização é o mesmo para as duas versões, combinando motor elétrico com motor 1.5 movido a gasolina, que juntos geram potência de 223 cv para a versão GL e de 235 cv para a versão GS. O câmbio é sempre automático do tipo CVT.

A lista de equipamentos da versão GL, a de entrada do Song Pro, oferece kit multimídia com tela sensível ao toque de 12,8 polegadas, abertura do veículo sem chave por meio de aplicativo BYD, quadro de instrumentos digital com tela de 8,8 polegadas, freio de estacionamento eletrônico, banco do motorista com ajuste manual de seis posições, rodas aro 18, câmara 360º. A configuração GS, topo de linha, possui todos os itens acima mais ajustes elétricos do banco do motorista, carregamento do celular por indução e bateria maior que proporciona maior autonomia. 

Na comparação com o Song Plus o Song Pro traz alterações no seu visual dianteiro e traseiro, deixando o acabamento mais requintado para o modelo mais caro, que é o Song Plus.

Song Pro será o primeiro modelo BYD a ser produzido na fábrica de Camaçari

São Paulo – O Song Pro, SUV híbrido plug-in da BYD, será o primeiro modelo produzido pela empresa na fábrica de Camaçari, BA. A informação foi divulgada por Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD, durante o lançamento do SUV que chegou importado ao Brasil nas versões GL e GS.

Segundo Baldy o plano segue o mesmo: iniciar a montagem em CKD ou SKD em meados de dezembro, chegando a produção nacional em pleno ritmo durante o primeiro semestre do ano que vem, com processos completos como estamparia e soldagem realizados na fábrica de Camaçari e com a inclusão dos primeiros fornecedores nacionais. 

Com relação a outros modelos especulados para serem produzidos no Brasil, como os elétricos Dolphin e Dolphin Mini, Baldy disse que ainda não pode cravar a localização de nenhum deles, mas que em breve a empresa falará mais sobre os seus planos de produção local.

Questionado sobre o andamento das obras na Bahia Baldy afirmou que está seguindo o ritmo esperado e que, em breve, será realizado evento no local para mostrar o resultado: “Temos mais de duzentos caminhões e cem máquinas trabalhando ali, construindo em torno de 400 mil m² de fundações. Já temos a estrutura de aço e ferro de algumas áreas montadas”.

Com relação ao maquinário que será instalado na fábrica a maior parte será importada da China, onde a BYD já está negociando a compra com seus fornecedores, mas a intenção também é comprar alguma parte destas máquinas no Brasil. Baldy afirmou que o que for possível comprar no País será comprado. 

Com 32,6 mil veículos emplacados de janeiro a junho no Brasil a BYD encerrou o primeiro semestre na décima posição do ranking por marca e Baldy disse que a meta até dezembro é se manter junto às dez marcas mais vendidas, mas evitou projetar um número de vendas para o ano.

Dana completa 77 anos de operação no Brasil

São Paulo – A Dana completou em 10 de julho, quarta-feira, 77 anos de atividades no Brasil. Presentes nos caminhões e ônibus e na maioria dos automóveis e picapes fabricados no País as soluções da marca buscam seguir ampliando participação no fornecimento a montadoras e ao mercado de reposição devido ao lançamento de produtos e serviços e à ampliação do seu portfólio.

Além disso estão sendo desenvolvidas soluções para atender às novas demandas por eletrificação e por veículos movidos a combustíveis renováveis. Segundo a Dana os investimentos realizados no Brasil na última década para modernizar linhas de produção e aprimorar processos de fabricação permitiram que a companhia ampliasse seu fornecimento com ênfase em veículos comerciais.

De olho no avanço da sustentabilidade a empresa sediada em Gravataí, RS, conquistou, no ano passado, a certificação I-Rec, que assegura que toda a eletricidade utilizada em sua produção é gerada por fonte limpa.

Iveco Bus entrega 155 veículos do Caminho da Escola em Pernambuco

São Paulo – A Iveco realizou a entrega de seu primeiro lote de veículos do Caminho da Escola para a Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco, composto por 155 BUS 15-210 ORE 3. Ao todo o programa estadual Juntos pela Educação adquiriu 355 unidades.

Segundo a empresa as secretarias de Educação dos estados da Bahia e do Mato Grosso também realizaram expressivos pedidos de ônibus para a iniciativa do governo federal que busca prover transporte a estudantes em áreas rurais e urbanas de difícil acesso.

A Iveco liderou a licitação do governo em busca de ônibus escolares com 7,1 mil veículos. Foram habilitadas 3,6 mil unidades do BUS 10-190 ORE 2, Ônibus Rural Escolar 2, com motor de 190 cv e capacidade para 44 estudantes mais o condutor.

As outras 3,5 mil unidades são do BUS 15-210 ORE 3, Ônibus Rural Escolar 3, equipado com motor FPT Industrial de 210 cv de potência e capacidade de transportar 59 alunos mais o motorista. Esta foi a primeira vez que a Iveco Bus ofereceu este modelo ao Caminho da Escola.

Rodrigo Andrade será superintendente de vendas e marketing do Grupo BMW Serviços Financeiros

São Paulo – A partir de 1º de setembro o Grupo BMW Serviços Financeiros terá um novo superintendente de vendas e marketing: Rodrigo Andrade, que atualmente é chefe de vendas corporativas e especiais do Grupo BMW América Latina, baseado no México. Ele sucederá a Matheus Pereira, que assumiu como novo CEO da BMW Motorrad Brasil em 1º de julho.

Andrade terá a missão de reforçar o crescimento das operações no Brasil como responsável por vendas, marketing, CRM, produtos e planejamento comercial e se reportará ao CEO do Grupo BMW Serviços Financeiros, Mário Janssen. O executivo ingressou no Grupo BMW em 2012 como gerente regional de vendas e acumula mais de 25 anos de experiência no setor automotivo.

Indústria e importadores têm argumentos ruins sobre taxação a carros elétricos

Esquentou a discussão sobre retomar para já a alíquota de 35% de imposto de importação para veículos eletrificados, a maioria absoluta importada da China. A tarifa, que de 2015 até dezembro foi de zero para modelos a bateria e de 4% para híbridos, começou a ser retomada em quatro fases a partir de janeiro e estava prevista para voltar aos 35% somente em julho de 2026.

Mas a Anfavea, que representa os fabricantes instalados no País, pede ao governo a retomada imediata do teto máximo da tarifa sob o argumento de que o crescimento acelerado das importações, estimuladas pelo imposto ainda baixo, está tomando o lugar da produção nacional e ameaça investimentos multibilionários já anunciados.

Do lado contrário os importadores reclamam de falta de previsibilidade nas regras e de injustiça tributária, rogando para si a contribuição que dão ao meio ambiente, pois ainda são os únicos a vender carros de baixa ou nenhuma emissão de CO2.

Na falta de um bom lado para escolher nessa disputa comercial melhor ficar com nenhum, ou com as razões parciais, pois ambos os lados têm argumentos ruins para taxar ou não taxar os carros eletrificados, que estão chegando às pencas da China, somando 51,7 mil emplacamentos no primeiro semestre, sendo 87% deles de apenas duas marcas: BYD [63%] e GWM [24%], que prometem começar a produzir seus modelos em fábricas brasileiras a partir do fim deste ano.

O lado ruim dos fabricantes

A Anfavea encontrou exemplos fora do País para justificar a retomada imediata do imposto de importação de 35% sobre carros eletrificados importados, alegando que outros países já tomaram medidas bem mais duras para barrar os veículos chineses elétricos em seus mercados, acusando a China de concorrência desleal por causa de concessão de subsídios aos seus fabricantes.

Enquanto o Brasil atualmente aplica alíquota de 18% sobre modelos a bateria – prevista para subir a 25% daqui a um ano e em dois a 35%, o máximo admitido pela OMC, Organização Mundial do Comércio – os Estados Unidos adotaram a inacreditável tarifa de 102,5%, e a União Europeia estuda elevar a alíquota para 27% a 48%, a depender dos incentivos que cada fabricante recebe do governo chinês.

Interessante sublinhar que nestes países existe a produção e venda de carros elétricos e híbridos há mais de uma década, também motivada por muitos subsídios a fabricantes locais.

Mas se na Europa e na América do Norte já existe a indústria local de veículos eletrificados a ser protegida falta este argumento à Anfavea, pois no Brasil ainda não são produzidos veículos leves elétricos puros ou híbridos plug-in, apenas os híbridos fechados da Toyota, mesmo assim com peso relevante de componentes importados.

O que a indústria quer, portanto, é dificultar a competição no mercado brasileiro de produtos importados que não são fabricados aqui, para assim proteger os carros a combustão que faz e pretende continuar fazendo no Brasil.

Apesar das promessas de investimentos de mais de R$ 100 bilhões nos próximos anos a justificativa é que a indústria nacional não tem recursos e nem a escala de produção necessária – leia-se mercado pequeno – para tornar viável o investimento na cadeia de fabricação de carros elétricos, como fez a China com boa ajuda estratégica do seu governo central, dominando todos os processos, da mineração de insumos ao fornecimento de baterias até o produto final.

Em outras palavras o que a indústria nacional está dizendo é que jamais conseguirá competir contra carros elétricos chineses e, portanto, precisa de alguma proteção para continuar produzindo no Brasil – ainda que a alíquota de 35% seja apenas a retomada de algo que sempre existiu no País desde os anos 1990, pois não está sendo solicitada nenhuma sobretaxação aos moldes do Inovar-Auto de 2012, por enquanto.

O lado ruim dos importadores

Enquanto a indústria pede proteção os importadores querem a manutenção de um privilégio: o de sustentar seu lucro com isenção de impostos sobre um produto de duvidoso benefício ambiental, vendido para um público que pode muito bem pagar mais por um automóvel que se enquadra na categoria de bem supérfluo.

Vamos combinar que a esmagadora maioria do público que compra um carro no Brasil não tem nenhuma motivação ambiental – se assim fosse só colocaria etanol no tanque de seus automóveis flex em vez de fazer contas para checar se não é mais compensador rodar com gasolina e emitir toneladas de CO2 fóssil sem nenhuma dor na consciência.

Quem compra um carro elétrico chinês o faz, em primeiro e segundo lugares, porque tem acesso a um modelo com mais tecnologia e preço já bastante similar ao de veículos a combustão mais caros produzidos aqui, na faixa dos R$ 150 mil a R$ 200 mil e além. Quem está comprando hoje também não tem muitas preocupações com o amanhã, vez que não parece pensar na revenda, na infraestrutura de recarga incipiente ou na confiabilidade do produto após os seus primeiros anos de vida, pois ainda não temos exemplos de como os carros a bateria envelhecem.

Mesmo para os poucos que acreditam estar fazendo um bem enorme à humanidade ao optar rodar de carro elétrico, ou às empresas que compram meia dúzia de veículos a bateria para cumprir propagandeadas metas de descarbonização, é preciso dizer que esta opção tecnológica ainda não fez nem cócegas nas emissões globais de CO2, que seguem aumentando – inclusive e mais ainda no país de onde são produzidos mais de 10 milhões de veículos elétricos por ano, a China.

Até porque os elétricos só não emitem nada no escapamento, mas jogam na atmosfera algumas toneladas de gás de efeito estufa quando suas baterias são fabricadas ou quando são recarregados de eletricidade proveniente de fontes fósseis, como as usinas chinesas a carvão, que fornecem algo como 70% da energia consumida por lá, segundo dados da IEA, International Energy Agency. Ensaios já comprovaram que um carro híbrido abastecido com etanol emite menos CO2 do que seu equivalente elétrico alimentado com a matriz energética da Europa, por exemplo, quando se considera as emissões do poço à roda, que inclui no cálculo todo o ciclo e produção e uso do combustível.

Portanto, no caso brasileiro, qualquer subsídio a carros elétricos ou híbridos a gasolina são pouco defensáveis, pois não são justificados pelo benefício ambiental, muito menos pelo social.

Discussão fora de foco

Diante dos argumentos a favor e contra a tributação de carros eletrificados importados o governo deveria dissipar o dilema focando no que realmente interessa: adotar soluções que garantam o desenvolvimento soberano do País e, a um só tempo, a necessária redução das emissões de carbono fóssil.

Nessas horas é dando que se recebe: seria o caso de proteger a indústria, conceder o aumento de imposto, mas somente com a exigência de contrapartidas, como por exemplo o repasse de certos benefícios ao preço final dos veículos, combinada com redução severa e obrigatória de emissões.

Uma maneira de se fazer isto seria adotar taxação mais acentuada de carros a gasolina ou flex, e incentivar o uso de etanol como solução pronta e já existente no País, com a oferta veículos que rodem unicamente com o biocombustível, o que faria efeito muito mais imediato, eficiente e amplo para reduzir e anular emissões do que incentivar carros elétricos.

Para os importadores seria mais justo beneficiar as empresas que prometem produzir seus carros no Brasil, como já é o caso de BYD e GWM, mas colocando um pouco mais de pressão para apressar o passo lento da produção nacional que ambas adotam, certamente para aproveitar ao máximo o benefício do imposto de importação reduzido.

Assim como foi feito no Regime Automotivo de 1995 e no Inovar-Auto de 2012, as empresas que prometem produzir no País poderiam receber cotas de importação isentas da tarifa por prazo fixado até iniciar a operação local.

E, mesmo assim, é necessário impor metas de nacionalização, ou serão criadas grandes fábricas de montagem de toneladas de itens importados, apenas trocando a importação do carro montado pelo desmontado, o que desmonta parte importante da indústria automotiva, a de autopeças.

Se o governo brasileiro realmente quiser incentivar a industrialização – ou a reindustrialização – do País com a ajuda do setor automotivo precisa ampliar horizontes e ambições. De nada adianta uma indústria que só produz para as elites ricas, assim como não prospera um setor que só produz produtos de baixo valor para população de baixo poder aquisitivo. É preciso equilibrar os interesses em favor do objetivo maior: o desenvolvimento econômico inclusivo e ambientalmente sustentável.

Brose reutiliza embalagens de fornecedores em sua operação local

São Paulo – Três anos atrás, durante a pandemia e a falta de insumos e componentes que deixaram amarga lembrança à indústria automotiva, a Brose do Brasil decidiu reunir profissionais de diversas áreas para pensar alternativas às embalagens que levavam seus produtos aos clientes. Diante da iminente dificuldade em se obter madeira, papelão e plástico nasceu o projeto – hoje, processo incorporado à empresa – de reutilizar embalagens de fornecedores para compor uma nova e, assim, solucionar problema de escassez e, ao mesmo tempo, dar um novo destino aos resíduos.

“Com aquela explosão do consumo online e as papeleiras paradas, o papelão, por exemplo, virou artigo de luxo. Sumiu a disponibilidade, subiu o preço e, como já vínhamos trabalhando a questão dos 5Rs, de repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar, tudo se somou para gerarmos esse trabalho”, lembrou Cleverson Rabito, diretor da fábrica da Brose do Brasil.

Foi quando o reciclar, que já era amplamente adotado, deu lugar ao reduzir e reutilizar, adiando o momento da reciclagem. Desde então a iniciativa reduziu a compra de matéria-prima virgem na fábrica de São José dos Pinhais, PR, em 35%. Estendida às outras unidades em Jarinu, SP, e Goiana, PE, houve diminuição de 13%, na média, com este tipo de gasto na Brose do Brasil.

O primeiro passo, lá em 2021, foi fazer o mapeamento de tudo que pudesse ser reutilizado, contou Rabito: “Pegamos caixas de papelão que vinham dos nossos fornecedores europeus e asiáticos e reembalamos os produtos finais para enviar aos nossos clientes. O alvo do projeto não era só reduzir custo ou obter o material, mas também ampliar nosso escopo dentro dos 5Rs, e acho que este foi o grande diferencial, pois identificamos possibilidades de reconcepção com base em matérias-primas reutilizáveis a partir daquelas embalagens recebidas.”

Uma das estratégias foi reutilizar os paletes de plástico sem a parte de cima, recortar embalagens de papelão e construir tampas ou adicionar partes de outras embalagens e adaptar a uma nova, ou seja, criar uma terceira a partir de duas originais. As caixas de madeira, que anteriormente eram endereçadas à reciclagem, começaram a ser desmontadas e tornaram-se tábuas.

“Formamos verdadeiros tetris [em alusão ao jogo de encaixar as pecinhas] para montar novas embalagens com a responsabilidade de manter a qualidade, até porque um caminhão roda mais de 2 mil km com o produto para distribuí-lo. Imagine um cliente nosso numa rodovia, começa a chover e o levantador do vidro não funciona. Precisamos ter zero falha e, para isso, o produto tem que estar bem acondicionado e transportado em segurança, para que chegue em condição impecável.”

No caso do invólucro que abriga o levantador de vidros, antes era composto por caixas de papelão de primeiro uso e, então, enviado para reciclagem. Quanto às lascas das caixas de madeira elas eram picotadas, viravam tijolos compactados e alimentavam cimenteiras. E esse processo de reconcepção, ressaltou Rabito, acabou gerando emprego, uma vez que o processo de desmontar e remontar é realizado por meio de parceiro local.

A Brose, que tem como objetivo alcançar carbono neutro em 2039, tem neste projeto redução anual de 11 toneladas de CO2.

Em vez de serem descartados, carretéis de cabos de aço são endereçados a entidade de artesãos que os transforma e comercializa. Foto: Divulgação.

Projeto foi reconhecido em premiação da Hyundai

Iniciativa que nasceu como projeto multifuncional, com equipe de dez pessoas das áreas de logística, qualidade, compras, engenharia e manufatura, e hoje possui calendarização das atividades, revisões anuais das oportunidades e exerce influência na geração de novos produtos, rendeu à Brose reconhecimentos externos.

Um deles foi por parte de uma de suas clientes, a Hyundai, em 2022, na premiação de excelência em sustentabilidade na América Latina. Outro foi por parte do Sindipeças, em 2023, e do Sistema S do Sesi/Senai no Paraná, no mesmo ano.

Internamente, a fabricante reconhece as melhores práticas nas linhas de produção, a fim de exaltar os envolvidos e compartilhar as melhores ideias entre as unidades brasileiras, dentre as quais a reutilização de embalagens. Houve também reconhecimento internacional da companhia, em que o trabalho foi apresentado como referência para as outras sessenta unidades do Grupo Brose pelo mundo.

Embalagens reaproveitadas vão para a Argentina e África do Sul

Embora a proposta ainda não tenha sido replicada para fora do País, a solução tem sido enviada à África do Sul. Embalagem de papelão proveniente da Alemanha que abriga pecinha plástica para fazer o levantador de vidro é recuperada e, nela, são enviados cabos fabricados no Brasil para a unidade sul-africana.

Os eletroventiladores que seguem para a Argentina, desde Jarinu, utilizam o mesmo recipiente que parte de São José dos Pinhais até o Interior paulista e, então, ao país vizinho. “Sem este processo teríamos de usar três embalagens em vez de uma. Mas, como este produto data do fim de 2022, início de 2023, já foi aplicado a ele a concepção de reutilização. Assim somente na Argentina a embalagem é enviada à reciclagem.”

Outra ação que tem sido adotada a fim de fomentar a economia circular é a doação de carretéis de cabos de aço para entidade de artesãos, que os transformam em mesas, bancos, escrivaninhas e os comercializam. Antes eles eram descartados e enviados à reciclagem.

Atualmente as três unidades brasileiras utilizam luz de LED, toda a frota da companhia só roda com etanol e o sistema de aquecimento de água está sendo migrado de gás para elétrico.

Venda de implementos rodoviários cresce 3% no primeiro semestre

São Paulo – As vendas de implementos rodoviários somaram 75,4 mil unidades de janeiro a junho, volume 3,3% maior do que o registrado em igual período do ano passado, de acordo com os dados divulgados pela Anfir, entidade que representa a indústria nacional de implementos:

“O resultado indica que a indústria está superando as dificuldades que passamos e ao mesmo tempo consegue atender a demanda por produtos de nossos principais clientes”, afirmou o presidente da Anfir, José Carlos Sprícigo. 

O segmento leve, de carroceria sobre chassi, que nos últimos anos registrou queda nas vendas, chegou quase ao empate no primeiro semestre, com 30,7 mil unidades vendidas, contra 30,9 mil implementos emplacados no ano passado, leve recuo de 0,6%. Segundo Sprícigo, o resultado pode indicar que a economia nos centros urbanos está crescendo, uma vez que um dos indicadores é a maior demanda por este tipo de produto. 

O segmento pesado, de reboques e semirreboques, somou 44,7 mil unidades vendidas de janeiro a junho, contra 42,1 mil emplacamentos em iguais meses do ano passado, crescimento de 6,1%.