Peugeot mostra primeiro versão elétrica do novo 2008

São Paulo – Mais uma vez, assim como aconteceu há cerca de um ano, a Peugeot mostrou primeiro, no mercado brasileiro, a versão 100% elétrica de seu SUV compacto reestilizado, o E-2008. Assim como já aconteceu na Europa o modelo inaugura no País o nova e refinada identidade visual da marca do leão.

As versões com motor a combustão do 2008, com o mesmo design, já estão em produção na fábrica de El Palomar, Argentina, que recebeu investimento de US$ 270 milhões para produzir o modelo sobre a plataforma CMP, a mesma sobre a qual é fabricado lá o hatch 208 lançado em 2020.

Mas a apresentação do E-2008, importado de Vigo, Espanha, aos potenciais clientes brasileiros, com direito a test-drive, começa antes do resto da família, já neste fim de semana na Casacor São Paulo, realizada no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, até o próximo 28 de julho.

Contudo as vendas da nova geração do SUV só serão iniciadas a partir de agosto, juntamente com o E-2008, este já escalado para ser a opção topo de linha. Os preços de toda a gama só serão divulgados no mês que vem, mas como a versão elétrica é a mais cara deverá custar acima dos R$ 200 mil.

A nova geração do 2008, lançada em 2019 na Europa e reestilizada no ano passado, chegou ao Brasil já no fim de 2022 somente na versão elétrica, por R$ 260 mil, mas após muitos descontos motivados pela concorrência chinesa nos últimos meses o preço caiu para menos de R$ 190 mil. Ao longo de 2023 a Peugeot vendeu cerca de quinhentas unidades do modelo a bateria, e este ano o estoque do E-2008 antes da atual reestilização foi zerado com 150 vendas.

Neste período todo a primeira geração do 2008, lançada no mercado brasileiro em 2015 e passando por algumas reestilizações, seguiu sendo produzida em Porto Real, RJ, e até agora é vendida no site da Peugeot em duas versões com o motor 1.6 aspirado de R$ 110 mil e R$ 115 mil, e duas turbo com o 1.6 THP, de R$ 130 mil e R$ 135 mil.

Lançamento mais importante desde o 206

Rafael Filon, gerente de marketing de produto da Peugeot América do Sul, avaliou que “o 2008 será o mais importante lançamento da marca no País desde o 206”, hatch que foi primeiro Peugeot produzido aqui, a partir de 2001.

Para o E-2008 as expectativas são bem mais tímidas: o modelo será vendido e receberá assistência técnica nos E-Centers da rede, instalados em 32 das mais de trezentas concessionárias no País. Ainda que seja um número limitado é uma evolução ante os dois pontos especializados inaugurados em 2021. “Se houver demanda vamos aumentar esta rede mas avaliamos que no momento já atende o nosso público”, afirmou Filon.

Os principais clientes dos carros elétricos da Peugeot, segundo suas pesquisas, são jovens de 35 a 45 anos com famílias formadas, de alta renda, que estão experimentando a eletromobilidade pela primeira vez para uso urbano, e geralmente o modelo a bateria é o segundo carro da família.

Feição renovada e refinada

O 2008 é o primeiro Peugeot no País a ostentar a nova identidade visual global da marca, como o logo retrô do leão fixado na nova grade frontal emoldurada pelas duas lanternas em três filetes verticais de LED que formam a assinatura luminosa do veículo – que os designers da empresa dizem ser “as marcas das garras do leão”, em substituição ao filete único que era chamado de “dente de sabre”.

O novo visual é muito mais um refinamento daquele apresentado em 2019 do que uma grande mudança, cumpre a função de renovar o modelo sem perder características que já eram admiradas em seu belo design.

Por dentro o novo E-2008 manteve o acabamento caprichado, com bancos revestidos em couro Alcântara, aveludado. O quadro de instrumentos digital de 10 polegadas i-Cockpit 3D, posicionado ao nível dos olhos e acima do pequeno volante, ganhou novo design de telas.

No centro do painel está o inédito sistema de infoentretenimento Peugeot i-Connect, com tela sensível ao toque de 10,3 polegadas de alta definição, com respostas semelhantes às de um smartphone. Aliás o telefone agora pode ser espelhado com conexão Bluetooth, sem cabo, pelo sistemas Apple CarPlay ou Android Auto. O recarregador sem-fio no console central, segundo a Peugeot, é três vezes mais potente do que o utilizado na versão anterior do carro. Também estão disponíveis uma tomada USB-A e três USB-C, duas delas para quem vai nos assentos traseiros.

Outra novidade é o sistema Visio Park 360°, que integra câmeras dianteira e traseira que transmitem imagens de alta definição à tela da central, com visão geral do entorno do veículo.

Mais potência e autonomia

A Peugeot também aplicou melhorias em todo o sistema de propulsão elétrica do E-2008. A potência do motor aumentou 15%, de 136 cv para 158 cv, com torque máximo de 260 Nm e velocidade máxima eletronicamente limitada a 150 km/h. A capacidade da bateria também subiu de 50 kWh para 54 kWh, com expansão da autonomia, de 234 para 261 quilômetros segundo padrões brasileiros do PBEV/Inmetro.

Para o recarregamento o novo E-2008 conta com um carregador monofásico de 11 kW, superior ao anterior de 7,4 kW, o que permite uma recarga rápida de 80% em até 30 minutos em estações de 100 kW, em comparação aos 40 minutos da versão anterior.

O seletor de câmbio e-Toggle permite a mudança de condução de forma ágil, com opção de três modos: Eco, Normal e Sport.

O E-2008 traz de série o sistema de segurança Peugeot Driver Assist, que integra alerta de ponto cego, alerta de colisão, frenagem de emergência automática, comutação automática de farol alto, reconhecimento de sinalização de velocidade, detector de fadiga, piloto automático adaptativo ACC, alerta e correção de permanência em faixa. O modelo também vem com freios ABS, distribuição eletrônica de frenagem, cintos de segurança de três pontos para todos os passageiros, sistema Isofix para fixação de cadeirinhas infantis, seis airbags, assistência de partida em rampa e freio de mão com acionamento elétrico.

Banco CNH Industrial altera sua estrutura organizacional

São Paulo – O Banco CNH Industrial anunciou mudanças em sua estrutura organizacional, com novos executivos à frente da diretoria comercial e de seguros e na  de commercial lending, e a criação de uma nova área de gestão de produtos financeiros. Fernanda Baltazar (foto acima) é a nova diretora comercial e de seguros, sucedendo a Márcio Contreras, que assumiu o cargo de diretor de marketing comercial da New Holland para a América Latina.

Marcelo Dalcuche assume novo cargo no Banco CNH Industrial

Marcelo Dalcuche é o novo diretor de commercial lending, sendo que seu último cargo no banco foi como diretor de business solutions.

Jucivaldo Feitosa assumiu nova área do Banco CNH Industrial

Na nova área de gestão de produtos o diretor é Jucivaldo Feitosa, que está há mais de dez anos no banco e já foi diretor de outras áreas.

Fiat comemora 125 anos de história

São Paulo – A Fiat foi fundada em 11 de julho de 1899, em Turim, Itália, e agora completa 125 anos de operação. Uma história, segundo sublinha a fabricante, sustentada por pilares como inovação, acessibilidade e design, passando por modelos marcantes como o 4 HP, seu primeiro carro, e outros como S61, S76, Topolino, Nuovo 500, 600, 127, 147, Panda, Uno, Tempra, Tipo, Palio, que ajudaram a companhia a conquistar dezenas de mercados.

Em 1973 a marca chegou ao Brasil, após acordo fechado pela empresa com o governo de Minas Gerais, para a construção da fábrica de Betim, que começou a operar em 9 de julho de 1976, com a produção do Fiat 147, carro que fez história no mercado brasileiro.

Depois disto a Fiat fez história sendo a primeira a produzir no País picapes e furgões leves e também pioneira no no lançamento de um veículo com computador de bordo, que foi o Prêmio, o primeiro modelo com turbo de fábrica, o Uno Turbo, e o Tipo foi o primeiro veículo nacional com airbags.

Entidades e empresas do setor automotivo se movimentam contra o retorno integral do Imposto de Importação

São Paulo – A volta imediata do II, Imposto de Importação, para 35% é a bola da vez na indústria automotiva, uma vez que a Anfavea defende a medida “para proteger a produção local da invasão de produtos chineses no mercado”. Mas o que foi definido pela indústria e pelo governo, no fim de 2023, é que o retorno será escalonado, chegando a 35% somente em julho de 2026.

Para importadores e outras empresas envolvidas no ecossistema automotivo as regras devem ser mantidas como estão, uma vez que qualquer alteração com o jogo em andamento trará uma série de efeitos negativos para o País.

A ABVE, Associação Brasileira do Veículo Elétrico, a Abeifa, entidade que representa os importadores de veículos, e a BYD, empresa que está investindo no País mas atualmente só importa os modelos eletrificados vendidos por aqui, acreditam que um movimento como esse trará situação de insegurança jurídica muito grande, afastando novas marcas e afetando o consumidor final, que encontrará preços mais altos nas revendas quando quiser adquirir um veículo elétrico ou híbrido vindo da China ou da Europa, por exemplo.

Ricardo Bastos, presidente da ABVE, afirmou que é importante que o governo mantenha as regras como foram definidas anteriormente para não causar ruídos e uma possível retração na demanda por veículos híbridos e elétricos, que estão em franco crescimento no País: “Eu tenho a certeza de que isto não acontecerá. O governo federal concorda que é necessário garantir a previsibilidade para a indústria automotiva e é contra esse retorno imediato, o que nos faz acreditar que o pedido das montadoras instaladas no País não será aceito”.

Pressão contrária

Bastos também disse que uma decisão como esta pode gerar uma série de dificuldades para o Brasil, como insegurança jurídica maior e adiamento de novos investimentos. Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD, segue em linha parecida com o presidente da ABVE, uma vez que é contra a decisão de aumento imediato do II, ainda que não acredite que será afetado por uma possível elevação da alíquota, pois está investindo no País para construir sua fábrica e ter produção local.

Mesmo sem se preocupar tanto com essa retomada do II Baldy disse que esse movimento pode afetar a imagem global do Brasil: “Acredito que mudar as regras no meio do jogo não é uma mensagem legal que será passada para outras empresas que estão pensando em investir e produzir no Brasil, pois eles ficarão inseguros”. 

Marcelo de Godoy, presidente da Abeifa, foi enfático ao se posicionar contra o pedido da Anfavea e disse que não existem conversas das duas entidades sobre o tema, mas ele acredita que deveria acontecer: “Estamos sempre abertos para discutir qualquer mudança no setor automotivo nacional, mas hoje essas conversas quase não acontecem. Ficamos sabendo do pedido da Anfavea pela imprensa e nos posicionamos de forma contrária, articulando nossos movimentos em Brasília para que isso não aconteça”.

O executivo acredita que a posição do vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin, contra o retorno imediato do II deverá ajudar a manter as regras do jogo como estão, até porque mudar tudo com o jogo em andamento é pior que não ter nenhuma regra previamente definida

Problema não resolvido

Godoy também disse que mudar as regras do Imposto de Importação não resolvem o problema da indústria nacional pois os modelos importados representam em torno de 10% do mercado: “Se a indústria nacional não consegue disputar o espaço com 10% de veículos importados ela precisa rever seu portfólio e o seu modelo de operação”.

O presidente da Abeifa acredita que o aumento da taxa de importação não fará com que a indústria eleve de forma relevante a produção local. Para isto é necessário exportar mais e o que está acontecendo, hoje, é uma queda acentuada dos volumes embarcados para outros países e as razões para isto podem ir além dos custos que o Brasil tem para exportar.

“Isto acontece por causa dos impostos ou porque os consumidores de outros mercados estão preferindo outros veículos do que os produzidos aqui? Será que o que está sendo produzido no País é o que os compradores de outros países querem?”

Vendas de motos têm melhor primeiro semestre em dezesseis anos

São Paulo – As vendas de motocicletas no Brasil registraram o melhor desempenho para o primeiro semestre desde 2008. Foram emplacadas 933,2 mil unidades de janeiro a junho, incremento de 19,6% em comparação ao mesmo período no ano passado, o que significa acréscimo de 153,2 mil motos nas ruas.

Os dados foram divulgados pela Abraciclo na quinta-feira, 11. A venda financiada, responsável por 38% das operações nos primeiros seis meses do ano, ou 354,6 mil unidades, foi a modalidade que mais cresceu no acumulado, 29,9%. A forma escolhida para pagar por 30%, ou 280 mil motos, foi à vista, o que avançou 28,2% com relação a igual período em 2023.

Na avaliação do presidente da Abraciclo, Marcos Bento, apesar da alta do dólar e da redução em velocidade menor que a esperada da Selic, o cenário econômico segue favorável para o segmento de duas rodas: “A motocicleta continua sendo produto procurado para o uso profissional, principalmente por desempenho eficiente para o deslocamento urbano, o que é favorecido pelo consumo de combustível e, consequentemente, provoca o aumento de demanda”.

Bento afirmou que o mercado continua com potencial de crescimento e que há boas condições de financiamento, com bastante oferta e, portanto, concorrência: foram realizados dezenove lançamentos no primeiro semestre.

Não à toa a produção também atingiu resultado recorde com o maior volume desde 2012. Saíram das linhas 868,1 mil unidades de janeiro a junho, aumento de 13,5% ante o mesmo período no ano passado, o que representou adicional de 103,5 mil unidades.

A maior parte das motocicletas, 78,6% ou 682,6 mil, é de entrada, com até 160 cc. Volume que cresceu 13,4% no comparativo anual. O segmento que mais expandiu no semestre, no entanto, foi o de média cilindrada, de 161 e 449, com alta de 16,9% e 159,5 mil unidades.

Projeções de 2024 sem revisão

A despeito dos resultados “extremamente positivos”, conforme Bento, a entidade manterá a projeção de produzir 1 milhão 690 mil motos este ano, com crescimento de 7,3%, assim como a do varejo, que é de vender 1,7 milhão de unidades, incremento de 7,5%. Isto porque há pontos de atenção que podem reduzir o ritmo de crescimento até dezembro.

Um deles é o desempenho das exportações, em queda de 23,4% no primeiro semestre, co o embarque de 15,7 mil motos, ou 4,8 mil a menos do que em igual acumulado de 2023. O encolhimento é reflexo do baixo desempenho de mercados compradores do produto made in Brazil, a exemplo da Argentina, importante cliente, assim como outros países da América do Sul.

“A motocicleta brasileira é de primeiro mundo, com alta qualidade, tanto que é exportada aos Estados Unidos, Canadá e França. E os países da região têm legislações distintas da nossa, o que faz com que se crie a disparidade de nosso produto e o que é consumido localmente, veículos com tecnologia e qualidade inferiores.”

Outros dois pontos ressalvados pelo dirigente são fatores climáticos, como uma nova seca severa que atingiu a região do Amazonas no ano passado, onde está a Zona Franca de Manaus, o que pode afetar a produção principalmente quanto à logística fluvial, prejudicada pela estiagem, e desdobramentos referentes à catástrofe provocada pelas enchentes no Rio Grande do Sul.

Venda de importados da Abeifa cresce 235% no primeiro semestre

São Paulo – As dez empresas importadoras associadas à Abeifa venderam 44,9 mil unidades de janeiro a junho, alta de 235,3% na comparação com iguais meses do ano passado. Do total vendido no primeiro semestre 41,4 mil veículos são elétricos ou híbridos, representando 52,2% do total das vendas de automóveis eletrificados no Brasil.

Mesmo com bons motivos para celebrar a grande recuperação das vendas sobre 2023 a entrevista coletiva à imprensa realizada pela Abeifa na quinta-feira, 11, foi marcada pelo discurso que defende que o II, Imposto de Importação, reduzido para elétricos e híbridos, seja mantido como está hoje e que cresça conforme foi determinado no passado.

Isto porque a Anfavea, que representa as empresas fabricantes instalados no País, pede a subida imediata para o teto de 35% como forma de proteger a indústria nacional do avanço dos importados.

Marcelo de Godoy, presidente da Abeifa, foi claro na sua posição contra o pleito da Anfavea, uma vez que o pedido vai contra tudo que a entidade sempre defendeu: a previsibilidade para os negócios da indústria automotiva nacional. O executivo lembrou que uma mudança como esta gera insegurança jurídica, afasta novos investidores e prejudica o consumidor final, uma vez que o comprador de um modelo importado terá de pagar mais caro por causa dos aumentos.

“Também existe um ponto importante que a Anfavea precisa olhar que é a retração das exportações. Isto está acontecendo por causa dos impostos ou por que os consumidores de outros mercados estão preferindo outros veículos do que os produzidos no Brasil? Será que o que está sendo produzido no País é o que os compradores de outros países querem?”

De janeiro a junho a marca importadora que mais vendeu no Brasil foi a BYD, com 32,6 mil emplacamentos, liderando o ranking por marca. Em segundo lugar ficou a Volvo com 4,1 mil, seguida pela Porsche, 3 mil.

Junho

Em junho as vendas de modelos importados chegaram a 2,3 mil unidades, volume 247,1% maior do que o comercializado em junho do ano passado e 3,3% maior do que o vendido em maio.

GM investirá R$ 1,2 bilhão em Gravataí para produzir modelo inédito

Gravataí, RS — A General Motors anunciou nesta quinta-feira, 11, a destinação de R$ 1,2 bilhão para sua fábrica gaúcha, onde será produzido um veículo totalmente novo, a ser lançado em 2026. Os recursos fazem parte do ciclo de investimento de R$ 7 bilhões no período 2024-2028 anunciado no início deste ano pela fabricante.

Santiago Chamorro, presidente da GM América do Sul, reuniu autoridades, como o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, para anunciar, em um galpão da fábrica de Gravataí, RS, o aporte para “modernizar e fortalecer a capacidade industrial para a chegada de um novo modelo inédito em segmento ainda não explorado pela Chevrolet”.

Sem dizer qual o segmento em que estará este novo produto Fábio Rua, vice-presidente da GM para a América do Sul, confirmou que o desenvolvimento está sob a liderança da engenharia na região: “O projeto está adiantado. Já existe um design muito próximo do final. Estamos liderando este projeto globalmente. Inicialmente o foco é o mercado interno, mas vamos explorar os outros países da América Latina e não descartamos exportar para outras regiões”.

Santiago Chamorro, presidente da GM na América do Sul, reuniu autoridades, dentre eles o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, para anunciar o aporte. Foto: Divulgação.

Além da categoria em segmento que ainda não atua o novo veículo também terá “propulsão ainda mais eficiente e inovadora”, segundo Rua, sugerindo que alguma eletrificação poderá ser adotada. A produção está definida para ter início em 2026.

De acordo com o vice-presidente ainda este ano a GM anunciará a segunda etapa do ciclo de investimentos no Brasil: “Esta segunda fase para o período de 2024 a 2028 está atrelada às regulamentações do Mover e também do texto final da reforma tributária”.

Novo texto da reforma tributária pode dobrar incentivos no Nordeste

São Paulo – O texto substitutivo da reforma tributária, apresentado na quinta-feira, 4, trouxe grande surpresa para boa parte da indústria automotiva nacional. Não foram as definições do IBS, Imposto sobre Bens e Serviços, nem a respeito da instituição do CBS, a Contribuição Social sobre Bens e Serviços. A bomba caiu no artigo 309, aumentando a renúncia fiscal para fabricantes de veículos com unidades instaladas na Região Nordeste.

O artigo 309 atualiza o texto original regulamentando que o crédito presumido será calculado mediante a aplicação dos seguintes porcentuais sobre o valor das vendas no mercado interno, fabricados ou montados nos estabelecimentos incentivados:

I – 14,50% até o 12º mês de fruição do benefício;

II – 11,60% do 13º ao 48º mês de fruição do benefício;

III – 8,70% do 49º ao 60º mês de fruição do benefício

Na primeira rodada das discussões sobre os incentivos às fabricantes instaladas no Nordeste houve reclamação generalizada, disputas ferrenhas de lobistas das montadoras no plenário do Congresso Nacional e até algo inusitado na história da indústria automotiva deste País: empresas com fábricas no Sul e no Sudeste publicando comunicados em conjunto na grande mídia arguindo que haveria um descompasso de competitividade produtiva por causa da continuidade dos incentivos concedidos para as fabricantes com operações no Nordeste e também no Centro-Oeste.

Uma fonte ouvida pela Agência AutoData de Notícias contou que para acalmar os reclamantes houve uma negociação que resultou nos valores publicados na primeira versão do texto do Projeto de Lei 68/2024 com os seguintes cálculos para o crédito presumido:

I – 8,70% nos anos de 2027 e 2028;

II – 6,96% no ano de 2029;

II – 5,22% no ano de 2030;

IV – 3,48% no ano de 2031;

V – 1,74% no ano de 2032.

Desta forma houve entendimento geral dos fabricantes nacionais de que, mesmo com incentivos à fabricação de veículos no Nordeste e Centro-Oeste estendido até 2032, o crédito presumido publicado na primeira versão da reforma tributária daria uma vantagem para os produtos feitos nestas regiões, mas seria possível sobreviver à ferrenha disputa do mercado nacional de veículos.

Porém, com a versão do substitutivo apresentada na semana passada houve uma correria até Brasília, DF, para entender dos deputados por que houve a mudança descrita pelo artigo 309. Executivos do alto escalão das empresas ouvidas por AutoData apresentaram diversos cálculos sobre o impacto do texto substitutivo.

A Stellantis, que possui uma fábrica em Goiana, PE, poderá, assim que aprovado o texto da reforma tributária como está, ter uma renúncia fiscal variando de R$ 1,5 bilhão até R$ 5,5 bilhões. Os cálculos são preliminares porque a mudança pegou a todos de surpresa. O impacto real ainda é desconhecido pois a matemática deve ser feita levando em conta o faturamento dos veículos feitos no Nordeste e, atualmente, além de produzir veículos de maior valor agregado em Goiana a Stellantis também vem elevando o volume produzido por lá. AutoData consultou a Stellantis a respeito deste e outros temas referentes ao texto da PL 68/2024, mas até o fechamento desta reportagem a fabricante não retornou o contato.

A BYD, que está construindo uma fábrica na Bahia, também poderá ter acesso a estes benefícios. Mas não imediatamente. Mesmo que a produção tenha início ainda este ano, ou em 2025, só poderá fazer os cálculos após um ano de produção para que haja um histórico do faturamento e dos créditos a serem presumidos a partir daí.

Mesmo assim, consultada, a BYD, por meio de Alexandre Baldy, seu vice-presidente sênior, disse que o texto substitutivo “não trouxe benefício a mais, é uma recomposição e interpretação que havia sido feito de forma incompleta, só houve ali uma atualização de acordo com o que seria o texto da reforma tributária”.

Tributaristas e consultores procurados por AutoData avaliaram que esta mudança na reta final da definição de um projeto de lei tão importante para o País, como o da reforma tributária, é temerária porque não permite que a matéria seja amplamente discutida.

Paulo Ianone, tributarista e sócio da consultoria CLA Brasil, ponderou que “quando há um aumento de renúncia fiscal tem que haver uma contrapartida prevendo como este valor será ressarcido”. Na prática será necessário equilibrar a arrecadação presumida pela reforma tributária aumentando a carga em algum outro setor para compensar os incentivos concedidos à produção automotiva no Nordeste.

Nesta quarta-feira, 10, houve a votação na Câmara dos Deputados do texto substitutivo da PL 68/2024. Até o fechamento desta reportagem ainda não havia terminado a votação, porém, a tendência é de que o texto será aprovado em sua íntegra.

Quem acompanha de perto este assunto acredita que o artigo 309 será alterado em algum momento. A expectativa dos lobistas das montadoras com produção no Sul-Sudeste é de que os fatores para o crédito presumido acabem sendo definidos em um meio-termo com os porcentuais do texto original e os do substitutivo.

De qualquer forma este é um capítulo negativo para a indústria automotiva nacional porque por um lado demonstra para a sociedade que algumas empresas trabalham apenas para obter ainda mais benefícios. E por outro fica evidente que não há uma atuação em unidade, com todas as empresas buscando o necessário apoio do Estado para melhorar a competitividade nacional frente à competição global.

Vendas de eletrificados somam 79 mil unidades no primeiro semestre


São Paulo – Foram emplacados ao longo do primeiro semestre 79,3 mil veículos leves eletrificados, incremento de 146% com relação ao período de janeiro a junho de 2023. Os dados, divulgados pela ABVE, apontam que 299,7 mil veículos leves elétricos e híbridos entraram em circulação no País desde 2012, quando teve início a série histórica da associação.

O resultado foi impulsionado pelas vendas de junho, considerado o terceiro melhor mês da série histórica, com 14,4 mil unidades, alta de 131% na comparação anual e avanço de 253% na mensal. A entidade projeta que até o fim do ano será estabelecido novo recorde com a comercialização de 150 mil eletrificados, o que significaria crescimento em torno de 60% sobre os 93,9 mil veículos vendidos em 2023.

Nos primeiros seis meses de 2024 os BEV representaram 39% dos emplacamentos de eletrificados no País, ou 31,2 mil unidades. Os PHEV responderam por 29,5% ou 23,3 mil. Os veículos plug-in, portanto, somaram 69% do mercado no acumulado do ano.

Já os HEV convencionais ficaram com 9,3% das vendas, ou 7,4 mil, sendo que os HEV flex a etanol, com 14% ou 10,9 mil. E os MHEV, com 6,4 mil unidades, representaram fatia de 8%.

Mercedes-Benz muda central de distribuição de peças de Campinas para Itupeva

São Paulo – A Mercedes-Benz iniciou a operação da sua nova Central de Distribuição e Logística de Peças no Brasil, agora localizada em Itupeva, SP, no condomínio logístico da HGLG. No local, que possui 45 mil m², a Mercedes-Benz possui estoque de 8 milhões de peças, sendo que 1,5 milhão são distribuídas mensalmente para todo o Brasil e para mais de cinquenta países. 

A nova central terá como parceiro logístico a Penske Logistics e a mudança de Campinas para Itupeva ocorreu “para que a empresa desse mais um passo dentro do processo de modernização operacional da logística de peças, ganhando desempenho e eficiência”, segundo comunicado divulgado pela montadora.