Anip pede ao governo aumento do imposto de importação de pneus de 16% para 35%

São Paulo – Medida emergencial que eleve, ao menos temporariamente, a alíquota de importação para pneus fabricados em outros países dos atuais 16% para 35%: este é o pleito da Anip, Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos, a fim de frear a entrada indiscriminada de produtos que concorrem, “de forma desleal, com os que são feitos no Brasil”. Foi o que afirmou o presidente da entidade, Klaus Curt Müller, em entrevista a Agência AutoData, quando contou que é aguardada agendamento de reunião no Palácio do Planalto, em julho, a fim de se discutir esta possibilidade.

Müller disse que o cenário vem se agravando principalmente nos últimos dois anos, após a retirada do controle de preço mínimo por parte do governo brasileiro em 2021:

“Esse mecanismo, que evitava a concorrência desleal, foi excluído para diversos setores, inclusive o nosso. A decisão foi tomada com base na interpretação de que isto era espúrio. Hoje temos estoques enormes porque as fábricas de pneus não podem parar de produzir: elas operam em regime de 24 horas sete dias por semana”.

Para que a medida seja revertida, se assim o governo entender como caminho para fortalecer a indústria local, leva-se tempo: “Outras medidas de defesa comercial têm um tempo de maturação. É um processo, demora dez, doze, quinze, até dezoito meses, para que sejam analisadas questões de antissubsídios, falsas origens, antidumping. Enquanto isso é preciso atuar em paralelo e buscar uma medida tampão. Só não podemos mais conviver com essa situação. Não dá para esperar mais”.

O dirigente reforçou a ideia de que a intenção não é que a alíquota permaneça de forma permanente em seu índice mais elevado e que, com a eventual reversão do controle de preço mínimo, isto poderia ser revisto, uma vez que toda a questão gira em torno do preço. Ele apontou que 90% da importação vem da Ásia e que todo este volume chega abaixo do custo industrial de produção, sendo que metade dele é inferior, até mesmo, ao custo de matéria-prima internacional.

“Esta invasão não é apenas numérica. Trata-se de impossibilidade de concorrência. Como alcançar este preço? Só se eu tiver a mesma coisa que a empresa concorrente exportadora tem, ou seja, subsídio do governo, dumping, pagamento de salários miseráveis, a prática de atividades comerciais ilícitas. Nossa indústria, porém, é centenária, temos enorme compliance e 51% do mercado mundial de pneus estão nas mãos de empresas que estão no Brasil.”

Müller foi taxativo ao dizer que é possível suspender a produção de algumas fábricas que isto não faria diferença no mercado. A contrapartida, entretanto, é o desemprego: elas empregam 32 mil pessoas e, na cadeia toda – que envolve desde a agricultura, porque as empresas utilizam borracha natural brasileira, até a química, com a transformação do aço –, contabiliza 500 mil funcionários.

Atualmente há 2,5 mil empregados em lay-off, ou seja, em suspensão temporária de contrato, nas empresas do setor por causa da baixa demanda pelos pneus brasileiros.

“Estados Unidos e Europa têm tomado medidas extremamente claras contra esse tipo de prática, porque são totalmente desleais e eliminarão a sua indústria. E nenhum desses países ou blocos econômicos abriu mão dela. O Brasil também não pode fazer isso. Por isto é fundamental tomar uma medida emergencial.”

Aramco anuncia compra de 10% da Horse Powertrain

São Paulo – A Aramco, empresa do segmento de energia e produtos químicos, anunciou a compra de 10% da Horse Powertrain Limited, criada pelas montadoras Renault e Geely, que agora são donas 45% cada. O valor a ser pago pela Aramco é de 7,4 bilhões de euros. 

O acordo de aquisição também prevê parcerias com a Aramco e a Valvoline em tecnologias, combustíveis e lubrificantes, para melhorar o desempenho dos motores a combustão interna produzidos pela Horse.

Nissan prepara nova picape enquanto Resende está quase pronta para o novo Kicks

São Paulo – O presidente para a América Latina e vice-presidente corporativo global da Nissan, o argentino Guy Rodriguez, esteve no Brasil esta semana para verificar que 90% das adequações na fábrica em Resende, RJ, estão prontas para receber a nova geração do SUV Kicks, cuja produção terá início no ano que vem: “Estamos avançando bem. Já temos áreas completas e com as equipes 100% treinadas. Percebi que todos estão motivados e isso é muito positivo para o que vem por aí”.

A Nissan está investindo R$ 2,8 bilhões no País para produzir a nova geração do Kicks e outro SUV inédito, um veículo global que será feito inicialmente aqui. Além de um motor turbo, também a ser produzido em Resende.

“O novo Kicks, já apresentado nos Estados Unidos, é um produto que vai incomodar. Ele está crescendo em tamanho, em tecnologia, receberá uma nova motorização turbo. Aliás, eu já vi o motor turbo, um protótipo. Já o novo SUV, que será brasileiro em algum momento depois de 2026, ainda não existe.”

Este novo momento industrial que a Nissan está preparando representará um passo importante para a unidade de Resende, que tem capacidade para produzir 200 mil veículos e 200 mil motores ao ano mas que está longe deste desempenho. A ideia, inicialmente, é ter um novo portfólio para depois pensar em ampliar o ritmo produtivo.

Para isto estão chegando 24 novos fornecedores, ampliando a base atual de 93 para 117 até 2025: “Temos planejamento para ocupar ainda mais a capacidade da fábrica, iniciando um segundo turno. Quando tivermos os dois novos SUVs teremos todos esses 24 parceiros incorporados em nosso processo produtivo”.

Além da expectativa com a produção nacional a Nissan também trabalha em conjunto com a Renault para a chegada de inédita picape compacta a partir da Niagara, veículo conceito apresentado durante o lançamento do SUV Kardian e que utilizará a plataforma modular CMF-B. Será feita na fábrica da Renault na Argentina, no mesmo modelo em que são produzidas as picapes médias Nissan Frontier e Renault Alaskan.

“Temos os itens específicos para a Frontier e a Alaskan na fábrica de Santa Isabel. Do mesmo jeito teremos um projeto em comum, de uma picape de 700 quilos de capacidade. Nesse sentido continuamos operando em parceria com a Renault.”

Apesar da separação em alguns setores, como o de finanças e compras, dentre outras áreas, a Aliança Renault-Nissan funciona para projetos específicos e, de acordo com Rodriguez, “a única diferença é que, em vez de falarmos juntos sempre, porque éramos uma aliança, agora somos grupos econômicos diferentes”.

Ele acredita que essa mudança deu mais autonomia para as duas empresas em vários aspectos, porém não há mais tantas sinergias “pois não podemos ter compras juntos porque não posso saber os números deles e eles os meus. Mas nós trabalhamos juntos de qualquer jeito. Então, eu fabrico picape para a Renault e compro as peças juntos aos fornecedores. E a Renault comprará as peças e vai negociar com fornecedores para a picape pequena”.

Em algum momento a Nissan também terá opções de motorização híbrida no Brasil. Mas esta não parece ser uma questão prioritária neste momento, mesmo considerando que o mercado na região tem interesse por este tipo de tecnologia: “Temos a X-Trail com a tecnologia E-Power no México. Também vendemos na Colômbia, na Argentina e no Chile, testando esses mercados. No Brasil estamos avaliando qual será o melhor momento”.

Durante a visita do principal executivo na região para avaliar o desenvolvimento dos próximos passos no País o presidente da Nissan no Brasil, Gonzalo Ibarzábal, reforçou a intenção de seguir crescendo a participação nas vendas. No ano passado, ele disse, as vendas cresceram 35,2% e a Nissan ficou com 3% de participação: “Este ano, com o portfólio atual, mantivemos o ritmo com aumento de 34,3% nas nossas vendas enquanto o mercado cresce 15%”.

Antes de voltar ao México, de onde dirige as ações da Nissan em mais de trinta países da região, Guy Rodriguez lembrou que o objetivo em 2026 “é obtermos 6% do mercado brasileiro com os novos veículos que faremos por aqui”.

Brasil e México são os principais destinos dos investimentos da China no setor automotivo

São Paulo – Brasil e México são os principais destinos de investimentos da China em veículos na América Latina, segundo relatório produzido por economistas da Allianz Research, divisão de análises da Allianz Trade. O documento aponta que o aumento dos aportes em mercados emergentes poderá transferir parte da capacidade produtiva da China para o Exterior, compartilhando conhecimento e tecnologia.

A alta exportação para mercados emergentes, que representam quase 60% das vendas externas da China, se opõe ao mercado interno, que está em queda. O movimento ocorre no momento em que a utilização da capacidade industrial da China caiu para 73,6% no primeiro trimestre de 2024, menor nível para o período desde 2016:

“O aumento do investimento externo poderia ser uma solução vantajosa para todos a fim de mitigar o superávit comercial, mas ele provavelmente enfrentará resistência geopolítica”, afirmaram os responsáveis pelo relatório.

No Brasil algumas montadoras chinesas já anunciaram investimento de R$ 19 bilhões nos próximos anos, com foco no segmento de veículos eletrificados. No México o investimento chinês cresceu como forma de contornar as tarifas e restrições impostas pelos Estados Unidos, e só no ano passado 33 fornecedores se instalaram no país, sendo que dezoito estão exportando parte da produção para os Estados Unidos.

IQA lança livro sobre o futuro da qualidade automotiva

São Paulo – O IQA, Instituto da Qualidade Automotiva, lançou o livro Futuro da Qualidade Automotiva: A Dinâmica da Qualidade num Setor em Movimento, de autoria da jornalista Carolina Vilanova e que contou com a colaboração de dezessete especialistas do setor, dentre os quais representantes da Anfavea e do Sindipeças, fundadoras da entidade.

A obra aborda as estratégias, metodologias e tecnologias que refletem o presente e impulsionarão o setor nos próximos anos. Nela constam análises de macrotendências emergentes e seus respectivos desafios como a descarbonização por meio da adoção de tecnologias como carros elétricos e o uso de energias alternativas, além de veículos autônomos.

Ao longo dos capítulos é mostrada também a evolução do conceito de qualidade, os marcos históricos que o moldaram e a importância da padronização e conformidade com os requisitos globais na produção de produtos e serviços no contexto brasileiro. O livro pode ser baixado gratuitamente na Loja IQA.

Marcopolo realiza inédito crash test traseiro com ônibus elétrico no Brasil

São Paulo – A Marcopolo realizou no Brasil, de forma inédita, o primeiro crash test traseiro de ônibus elétrico, com o seu Attivi Integral, desenvolvido e produzido em Caxias do Sul, RS. O resultado do teste mostrou que o ônibus possui resistência a impactos maior do que o exigido pelas normas atuais.

A empresa decidiu realizar este teste porque o Attivi Integral, que dispõe de baterias na parte traseira, será usado para operações urbanas, onde colisões traseiras são mais frequentes. Dessa forma a engenharia da Marcopolo desenvolveu uma estrutura que absorve a energia do impacto e garante a segurança do conjunto de baterias:

“O teste demonstrou a total segurança do Attivi, sem danos ao conjunto de baterias que ficou intacto”, afirmou o diretor de engenharia, Luciano Resner. “Este resultado é importante porque garante, ao mesmo tempo, o bem-estar dos ocupantes e a preservação do ativo do operador.”

Ônibus elétrico da Volvo inicia operação regular em Curitiba

São Paulo – O ônibus elétrico Volvo BZL entrará em operação regular em Curitiba, PR, após os bons resultados que o veículo apresentou durante a fase de testes: foi adquirido pela operadora local Viação Redentor.

O Volvo BZL possui quatro baterias de íon lítio de 94 kWh com autonomia para 300 quilômetros, e um motor elétrico de 200 kW. O ônibus tem capacidade para transportar até oitenta passageiros e faz parte do plano global da Volvo de reduzir em 50% as suas emissões de gases de efeito estufa até 2030 e 100% até 2040.

Lecar muda os planos: em vez de elétricos desenvolverá carros híbridos.

São Paulo – A Lecar informou em comunicado que mudou seus planos e desistiu de desenvolver modelos elétricos: focará, agora, no desenvolvimento de híbridos com etanol. Em comunicado divulgado na quinta-feira, 27, seu fundador Flávio Figueiredo Assis, que meses atrás anunciou interesse em disputar com a BYD fábrica que era da Ford em Camaçari, BA, creditou à falta de infraestrutura de recarga a principal razão para a correção dos rumos.

O autodenominado Elon Musk brasileiro alegou que “a prevalência de veículos elétricos poderá trazer mais transtornos do que benefícios para a mobilidade, ainda que as suas contribuições para o meio ambiente sejam indiscutíveis”.

Ele disse que um eletroposto de recarga rápida demanda em torno de R$ 1 milhão em investimento. Por isto, embora as vendas dos elétricos estejam crescendo no País os pontos de recarga não estão avançando na mesma proporção: “Estamos muito longe de termos a quantidade de carregadores necessária para popularizar este tipo de veículo em todo o País. Precisaremos de bilhões em investimentos para termos as condições adequadas”.

O empresário prometeu apresentar “em breve” um protótipo do modelo 459 com motor híbrido flex: “A ideia, agora, é que nossa tecnologia híbrida flex a etanol com tração 100% de motor elétrico proporcione 1 mil quilômetros com 30 litros de etanol. Temos o primeiro carro elétrico sem tomada do mundo”.

Iveco Bus entrega os primeiros 100 ônibus escolares do PAC Seleções

São Paulo – A Iveco Bus entregou os primeiros cem ônibus do novo PAC Seleções durante evento na Esplanada dos Ministérios em Brasília, DF, na quarta-feira, 26. O lote é formado por cinquenta unidades do ônibus Bus 10-190 ORE 2, encarroçados pela Mascarello, e cinquenta unidades do Bus 15-210 ORE 3, encarroçadas pela Caio.

O PAC, Programa de Aceleração do Crescimento, prevê a aquisição de 1,5 mil unidades de ônibus escolares, que serão destinadas ao programa Caminho da Escola. A Iveco é líder de fornecimento para o programa do governo federal, habilitada para entregar até 7,1 mil unidades.

Lula sanciona o Mover, que tem 89 empresas habilitadas

São Paulo – Durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão, na quinta-feira, 27, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a lei que cria o Mover, Programa Mobilidade Verde e Inovação. O programa fora aprovado no início do mês pela Câmara dos Deputados e depois pelo Senado Federal, com o texto original enviado pelo governo em março, que é idêntico ao da MP publicada no fim de dezembro.

Desde a publicação da MP já foram habilitadas 89 empresas, segundo o MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, bem como uma série de investimentos anunciados pelas montadoras, com valor próximo a R$ 100 bilhões. Dentre as habilitadas estão setenta fabricantes de autopeças, dez montadoras de veículos leves, seis de veículos pesados, duas dedicadas a serviços de P&D e uma realocação de fábrica de motores vinda de outro país, pela Stellantis.

O número de empresas deverá aumentar porque novas habilitações estavam suspensas desde 1º de julho, quando a MP caducou. Agora o MDIC volta a receber pedidos de habilitações.

No total o Mover prevê R$ 19,3 bilhões em créditos financeiros de 2024 a 2028, que podem ser usados pelas empresas no abatimento de impostos federais.

Lula afirmou em seu discurso que “ficou muito feliz com os investimentos anunciados pela indústria automotiva, após muitos anos sem. É um começo muito exitoso”. O presidente tornou a cobrar a realização de um Salão do Automóvel, como já fizera durante a inauguração da nova sede da Anfavea em São Paulo, em abril: “É uma marca registrada do Brasil. Fui em todos os salões enquanto presidente e ele simplesmente desapareceu. Como pode uma indústria não fazer um salão para apresentar ao mundo nossas tecnologias? Não são apenas os brasileiros que frequentam, vem gente da América Latina, Europa e Ásia”.

Alckmin, por sua vez, citou um levantamento da Fundação Getúlio Vargas que aponta para utilização de 82,5% da capacidade instalada de toda a indústria brasileira em junho, a maior desde março de 2014: “Temos a ociosidade da indústria caindo e a confiança do subindo. É sinal que vai ter investimento, e nós precisamos de investimento. Nós temos dois desafios. Melhorar e aumentar investimento e produtividade. E o Mover vem ao encontro desses objetivos, estimular investimento, melhorar competitividade e descarbonização”.