São Paulo – As projeções divulgadas pela Anfavea para produção e vendas em 2026 praticamente repetem o que era esperado, em agosto, para 2025. Após não alcançar os 5% de alta no mercado doméstico e os 7,8% de avanço na produção – ficaram em 2,1% as vendas e em 3,5% o ritmo das fábricas – o presidente da entidade, Igor Calvet, divulgou na quinta-feira, 15, números semelhantes aos de sua revisão em agosto, que vislumbravam o desempenho de 2025, para 2026.
Segundo esta primeira estimativa – Calvet admitiu que revisões trimestrais podem ser feitas – a produção somará 2 milhões 741 mil unidades, avanço de 3,7% sobre o resultado do ano passado. O mercado doméstico fechará com 2 milhões 762 mil emplacamentos, alta de 2,7%, e as exportações alcançarão 536 mil unidades, 1,3% de acréscimo.

Em agosto, projetando 2025, as expectativas da Anfavea eram de 2 milhões 749 mil veículos produzidos, 2 milhões 765 mil vendidos e 552 mil exportados.

“Esperamos crescimento do mercado, embora o ano ainda esteja em aberto em muitos aspectos”, disse Calvet, citando a taxa de juros, questões geopolíticas e o Move Brasil, que, na sua opinião, vem para estancar a queda na indústria de caminhões. “O que temos é um otimismo contido. Daqui a três meses podemos ter um cenário menos nebuloso e revisaremos os números.”
Estes dados já incluem números de produção de BYD e GWM, cálculo de 69 mil unidades segundo a entidade, somados os volumes esperados para as duas empresas. A produção de ambas não entraram no balanço de 2025, mas, segundo Calvet, tratou-se de volume baixo.
O presidente da Anfavea também enxerga mais dificuldades na indústria de pesados, sobretudo em caminhões. De seu ponto de vista o programa do governo ajudará o setor a não aprofundar o cenário negativo: as vendas ficarão estáveis, leve recuo de 0,5%, e a produção crescerá 1,4%, somados caminhões e ônibus, de acordo com as projeções da entidade.
Imposto Seletivo
A grande batalha prevista por Calvet junto ao governo será das alíquotas do imposto seletivo. No ano passado, após forte atuação da Anfavea junto a senadores, não ficou definido um teto para a tarifa de veículos, o que faz com que nova movimentação seja necessária em 2026.
No ano passado a entidade defendia um teto de 5%.
Sem entrar em pormenores o presidente afirmou que esta será a prioridade do primeiro semestre e disse desejar uma rápida definição: “A reforma tributária entra em vigor daqui a um ano e as empresas ainda não tem as alíquotas nas mãos. Isto prejudica o planejamento”.



