Suspensys inaugura fábrica de R$ 150 milhões em São Paulo

Mogi Guaçu, SP — Com investimento de R$ 150 milhões a Suspensys inaugurou oficialmente na terça-feira, 14, sua fábrica em Mogi Guaçu, Interior de São Paulo. A unidade, com 15 mil m², opera desde setembro com 100% da produção de eixos dianteiros de caminhões e ônibus destinada à Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, SP. Agora também passa a fabricar eixos para semirreboques da própria Randoncorp, além de se posicionar para atender outras montadoras.

A unidade nasceu como peça central de um contrato de fornecimento exclusivo com a Mercedes-Benz para eixos dianteiros no Brasil. Segundo o vice-presidente da montadora, Matthias Kaeding, a exclusividade está diretamente ligada ao desenvolvimento do produto. “Porque é nosso eixo, nós desenhamos, então são os nossos direitos do produto. Por isso optamos [pela exclusividade]. Esse será exclusivo para nós aqui.”

A estratégia, segundo ele, também está alinhada a uma reorganização da cadeia de suprimentos. “Estamos indo cada vez mais para fortes parcerias. Estamos estabelecendo uma base local que podemos acionar e trabalhar.”

Kaeding destacou ainda que a nacionalização da produção traz ganhos diretos: “Reduz o custo. Mas mais importante, nos deixa focar no que fazemos melhor. A complexidade do eixo dianteiro passa para a Suspensys, e nós focamos no restante.”

Expansão de capacidade e diversificação

Embora a produção para a Mercedes-Benz seja o pilar inicial da unidade, a fábrica foi estruturada para ir além. O diretor de operações da Suspensys, Ricardo Barion, ressaltou que não há exclusividade industrial. “Estamos aberto para eventuais adicionais de capacidade para outros competidores”.

Segundo ele, já há consultas, mas ainda sem negociações concretas. A unidade também passa a incorporar a produção de eixos para semirreboques da própria Randon. De acordo com o EVP da Randoncorp, Ricardo Escoboza, o volume contratado com a Mercedes-Benz chega a 65 mil eixos dianteiros por ano. Já a nova linha voltada a semirreboques adiciona capacidade de cerca de 10 mil unidades anuais.

Estratégia industrial e logística

A escolha por Mogi Guaçu está diretamente ligada à proximidade com clientes e à eficiência logística, segundo Escoboza. “Antes de tudo isso, uma maior proximidade aos nossos clientes e aos mercados de atuação.”

Ele destacou a integração das operações do grupo: “Nós fundimos na Castertech [também em Mogi Guaçu] o cubo e o tambor, montamos aqui o eixo e entregamos em Araraquara [SP], no semirreboque.”

A fábrica também passa a contar com um centro logístico de 4,5 mil m², responsável pela distribuição de peças de reposição.

Com área total de 250 mil m² o terreno industrial ainda tem espaço para expansão, reforçou Barion. “Ele possui uma quantidade muito maior de espaço e podemos pensar em ampliar novos negócios.

Atualmente, a unidade trabalha com mais de 150 variações de eixos, refletindo a complexidade da operação e a estratégia de atender diferentes aplicações.

Automação e segurança

A nova unidade foi projetada com maior nível de automação em relação às operações anteriores da empresa, de acordo com Barion. “Essa nova planta já tem um nível de automação bastante elevado, com uma redução grande da parte operacional.”

Escoboza explicou que o uso de robôs móveis, AGVs, e sistemas automatizados fazem parte da operação. “Vocês veem os AGVs, que levam as peças, e a quantidade de robôs em todos os meios de produção.”

Segundo Barion, o avanço tecnológico também impacta a segurança. “O nível de acidentes cai bastante, porque não temos empilhadeiras. Tudo é feito por sistemas automatizados.”

Investimentos e crescimento

A inauguração faz parte de um ciclo mais amplo de investimentos do grupo no Interior paulista. O presidente da Randoncorp, Daniel Randon, afirmou que o projeto envolve diferentes empresas do grupo. “Não é só a Suspensys. São outras também, como a Castertech e a Frasle Mobility. No total, estamos falando de um investimento de R$ 350 milhões.”

Brasil e Argentina propõem atualização do acordo bilateral automotivo

São Paulo – Anfavea, Adefa, Sindipeças e Afac abriram negociações para aprofundar o trabalho, no âmbito integrado público-privado, para atualizar a fortalecer o ACE 14, acordo comercial bilateral do setor automotivo do Brasil e Argentina.

Em nota as entidades afirmaram que “diante da sobreoferta global e da disrupção tecnológica tornou-se mais importante que o Mercosul se posicione como plataforma exportadora” e deixe de ser “administrador do comércio para se tornar um administrador da produção”.

Os dois países, que têm produção integrada e complementar no setor automotivo, buscam se defender do avanço de empresas com origem na China. sobretudo, para não perder participação na atração de investimentos nas plataformas globais. O mercado envolve 350 milhões de consumidores com potencial de produção de 5 milhões de unidades, com investimentos que superaram US$ 22 bilhões nos últimos três anos.

O setor automotivo representa 20% do PIB industrial brasileiro e 8,4% do argentino. Mais: o comércio intrarregional representa de 55% a 70% das exportações da indústria dos dois países, que emprega quase 2 milhões de trabalhadores, direta e indiretamente.

“Trabalhar com visão pragmática é uma condição necessária para impulsionar a competitividade do bloco. O objetivo é claro: assegurar que, antes de 2029, sejam estabelecidas novas regras que criem um ambiente favorável ao fluxo de investimentos equilibrados de que a região necessita.”

Nova geração do Toyota RAV4 desembarca com sistema híbrido

São Paulo – A nova geração do SUV Toyota RAV4, produzida no Japão, desembarca no Brasil com duas configurações híbridas a gasolina. A pré-venda será aberta em maio, quando os primeiros clientes também deverão receber os primeiros exemplares. A meta da Toyota é dobrar as vendas do ano passado, quando somou quase 3 mil emplacamentos.

São duas versões: S, por R$ 317,2 mil, e SX, R$ 349,4 mil. A diferença das versões é o teto solar panorâmico, a central multimídia de 12,9 polegadas, o carregador de celular por indução, o visor frontal e a assistência para o estacionamento.

Toyota RAV4 HEV Março/2026 Foto: Murilo Góes/Divulgação Toyota

Montado sobre a plataforma TNGA o SUV passa a utilizar a quinta geração dos sistema híbrido Toyota, formada pelo motor 2,5 litros a combustão que atua em conjunto com um motor elétrico principal, enquanto dois motores elétricos contribuem para a recarga da bateria. Há ainda um motor elétrico adicional no eixo traseiro, que garante a tração elétrica integral e distribuição dinâmica do torque pelos eixos.

O conjunto gera potência combinada de 239 cv, com o torque traseiro chegando a 12,3 kgfm. O Inmetro mediu consumo médio de 15,3 km/l na cidade e 14,1 km/l na estrada, selo A em eficiência energética no PBEV.

O Toyota Safety Sense de quarta geração garante a segurança ativa e passiva do carro, com um generoso pacote Adas.

Nissan Frontier PHEV mexicana será exportada para diversos mercados

São Paulo – A nova Frontier híbrida plug-in, produzida em Aguascalientes, México, e primeira picape eletrificada global da Nissan, será exportada para diversos mercados ao redor do mundo, informou a companhia. As vendas começarão pela América Latina. O Brasil também será abastecido pelo México, com o fim da produção da picape em Córdoba, Argentina, no ano passado.

A picape tem cinco lugares e tem como propósito unir conforto e eficiência para o uso urbano e as aventuras do fim de semana, fora dos limites da cidade. Combina um motor a combustão de quatro cilindros com um elétrico de alta potência integrado à transmissão. Informações técnicas serão divulgadas mercado a mercado às vésperas de cada lançamento.

Outro modelo confirmado para a América Latina foi o sedã elétrico N7. Desenvolvido pela Dongfeng Nissan é produzido na China.

Os dois lançamentos compõem o planejamento da Nissan de renovar todo o portfólio na América Latina até 2027. Outro modelo confirmado para cá é o X-trail e-power.

Sonic estreia em maio com a nova gravata Chevrolet

São Paulo – A General Motors confirmou para a primeira quinzena de maio o início das vendas do SUV Chevrolet Sonic, seu principal lançamento de 2026. Será posicionado pouco acima do Onix Activ, que também chega em breve, e abaixo do Tracker, no segmento em que mais novidades chegaram nos últimos meses.

O Sonic tem, de acordo com a montadora, 4m23 de comprimento. É um projeto global, liderado pela equipe de engenharia da América do Sul e pensado para o consumidor brasileiro.

A chegada do SUV ao mercado marca também a estreia mundial do novo logotipo Chevrolet, que passa a ser padrão nas linhas 2027: a tradicional gravata está mais horizontalizada e será usada predominantemente na cor preta. Estampa a dianteira, a tampa traseira, o centro das rodas e o volante.

Taiwan apresenta ao mundo seus avanços em conectividade e automação

Taipé, Taiwan – O Taipei Nangang Exibition Center abriu as portas na terça-feira, 14, para receber o 360º Mobility Mega Show, que congrega três importantes feiras dedicadas à cadeia do setor automotivo, Taipei Ampa, e-Mobility Taiwan e Autotronics Taipei, que reúnem novecentos expositores de dezesseis países. Durante a abertura ficou clara a missão do evento: mostrar o que a pequena ilha a Sudeste da China faz de melhor, que passa pela indústria de semicondutores e o investimento em pesquisa apoiado pelo governo, e se reflete na mudança do papel dos veículos diante do avanço da conectividade e automação.

Chairman do Taitra, Conselho de Desenvolvimento do Comércio Exterior de Taiwan, James Huang traçou comparativo sobre a função de um veículo cinquenta ou quarenta anos atrás e hoje. Ele iniciou seu discurso lembrando que o primeiro carro em que andou foi um Volkswagen Fusca, em 1970. E que sua primeira aquisição foi um Ford Cortina, em 1980 – modelo que nunca foi comercializado no Brasil pois, na época, a montadora deu preferência ao Maverick.

Naquele período, lembrou, o mais importante era saber se o veículo era confiável e, principalmente, acessível.

“Hoje nossas expectativas são muito diferentes. Esperamos que a mobilidade seja muito mais inteligente, mais conectada, eficiente e que atenda aos nossos desejos.”

Segundo Huang existe o anseio de fazer mais do que simplesmente transportar as pessoas de um ponto a outro: “Esperamos que os carros interajam com os motores, se conectem com a infraestrutura, apoiem a sustentabilidade e se alimentem sincronizadamente com nossas vidas seguras”.

Diante da reformulação da mobilidade pela eletrificação, pela transformação digital, pela conectividade e pela inteligência os veículos tornaram-se plataforma de tecnologia e dados, além de importar o quanto ele polui, dispõe de entretenimento e a experiência do usuário.

“Esta é uma revolução da indústria. Toda a linha de suprimentos está sendo reformulada. Os modelos de negócios estão mudando. É por isso que o tema do evento deste ano, Potencializar cada Movimento, é tão significativo. Nos lembra que cada passo para o trabalho, cada inovação e cada passo para a sustentabilidade são importantes, assim como cada parceria une empresas e mercados.”

Huang disse que Taiwan entende bem desta transformação, uma vez que, por décadas, vem sendo reconhecida pela força de sua indústria, sendo parceiro global em semicondutores, eletrônicos, automação e inovação automotiva:

“Em um tempo em que as indústrias estão reforçando e acelerando a mudança estas forças importam mais do que nunca. E Taiwan contribui com capacidade, acessibilidade e confiança. É o que queremos transparecer neste evento que conecta o ecossistema completo de mobilidade, inclusos veículos elétricos, soluções de energia, sistemas de transporte e aplicações de mobilidade futuras”.

Concorrência será definida pelo poder dos dados

É também o que pensa Jerry Hsu, vice-chairman da Teema, Associação de Fabricantes de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos de Taiwan, que conta com mais de 3 mil integrantes em dezessete indústrias diferentes, incluídos semicondutores, telecomunicações, equipamentos eletrônicos pesados e eletrônica para automóveis.

O dirigente afirmou que, com o passar dos anos, este segmento não somente sustentou o crescimento industrial de Taiwan como também a expansão da economia local e, por que não, mundial:  “A indústria automotiva global está passando por sua transformação mais profunda neste século. A inteligência artificial mudou da nuvem para a cabine do veículo, de software para chassis. O veículo não é mais apenas um sinônimo de transporte: nós estamos evoluindo em uma plataforma de computação inteligente, integrada com comunicações artificiais e manutenção energética”.

A concorrência, segundo Hsu, será definida pelo poder de computação, da capacidade de software, de dados e governança. E os conectores que reforçam este cenário são, além dos softwares, automóveis autônomos, 6G, comunicação e regulações de AI.

Taiwan investiu US$ 460 bilhões para impulsionar sua indústria

A vice-ministra da Economia, Cynthia Kiang, avaliou que nos últimos anos a economia de Taiwan tem se mantido bastante estável e com grande potencial de crescimento. E que no ano passado alcançou a maior taxa de expansão do PIB nos últimos quinze anos, 8,68%. O movimento foi motivado, segundo ela, especialmente pela exportação e fabricação de novas tecnologias, que mantiveram um alto nível de competição internacional. 

Enfrentando a renovação do mercado de comércio diante dos conflitos geopolíticos, como as guerras vigentes, e a mudança da política de impostos, disse Kiang, a exemplo do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, os produtos made in Taiwan seguem recebendo grande aprovação no mercado internacional.

“Ao mesmo tempo a indústria local mantém capacidade de integração vertical de alto nível. Respondemos rapidamente às necessidades dos clientes. Esta é uma das prioridades quando o assunto é distribuição internacional”, afirmou a ministra. “A tecnologia do futuro e a transformação são temas que todos os setores devem enfrentar. A indústria automotiva também acelera o desenvolvimento da tecnologia eletrônica e da inteligência. E, como temos uma base de produção completa, e um sistema de conexão com a indústria eletrônica, usufruímos de posicionamento firme no mercado mundial.”

Para apoiar o desenvolvimento e crescimento da indústria o Ministério da Economia investiu recentemente US$ 460 bilhões no setor, incluindo socorro financeiro e novas pesquisas de olho na expansão dos mercados de atuação das empresas locais.

“Esperamos ajudar fabricantes, especialmente as empresas de pequeno porte. E também estabelecemos o Centro de Desenvolvimento da Indústria para oferecer suporte em novas tecnologias que envolvam energia, robôs e inteligência artificial. Prosseguir com a introdução da AI em diversas indústrias, inclusive na automotiva, faz com que o carro também se torne uma marca de movimento intelectual.” 

Hibridização ganha força e expõe limites da eletrificação pura

São Paulo – A transição global da indústria automotiva para a eletrificação começa a revelar seus limites práticos e abre espaço para projetos mais equilibrados, nos quais a hibridização ganha protagonismo. A avaliação é de Carlos Delich, presidente da ZF América do Sul, que participou do programa Linha de Montagem deste mês, abril, de AutoData. 

Segundo a avaliação de Delich a experiência recente da Europa ilustra os riscos de uma transição acelerada e excessivamente concentrada em veículos elétricos puros. A combinação de infraestrutura insuficiente, custos elevados e desafios logísticos levou as montadoras a revisarem recentemente seus planos, com impactos diretos em volumes e resultados financeiros. 

“Ao longo do tempo vimos decisões técnicas sendo influenciadas por políticas públicas e uma velocidade de transição que não foi acompanhada pela infraestrutura necessária”, indicou o presidente da ZF, ao destacar que este movimento tem impulsionado o interesse por soluções híbridas como alternativa mais viável no curto e médio prazo também na Europa. 

Neste contexto a ZF tem adotado planos diversificados, com investimentos simultâneos em eletrificação, sistemas híbridos, chassis e software. Mas as transmissões, historicamente um dos pilares da companhia, seguem como elemento central neste novo cenário, especialmente diante da relevância crescente dos powertrains híbridos. 

A leitura da empresa é a de que diferentes tecnologias de propulsão deverão conviver por um longo período: “A eletrificação avançará mas motores a combustão e soluções híbridas continuarão relevantes, especialmente em países com características como as do Brasil. 

Dos principais desafios para a expansão dos veículos elétricos o executivo cita a necessidade de ampliação da infraestrutura de recarga e questões relacionadas à autonomia, custo e valor residual das baterias. 

No caso brasileiro a avaliação é a de que o País reúne condições particulares que podem favorecer o desenvolvimento de soluções híbridas. O uso consolidado do etanol, aliado à existência de uma cadeia produtiva local estruturada, cria oportunidades para a construção de alternativas tecnológicas competitivas, inclusive com potencial exportador. 

A operação local da ZF, segundo Delich, já desempenha papel relevante neste processo. A engenharia brasileira é responsável por adaptações técnicas de veículos às condições regionais e, em alguns casos, presta suporte a projetos globais. A localização de componentes, no entanto, segue condicionada ao volume de demanda, o que reforça a importância da escala para decisões industriais. 

Apesar das oportunidades o ambiente de negócios ainda impõe obstáculos relevantes. O custo Brasil, que envolve tributação elevada e desafios logísticos, além da diferença de escala com relação à China na aquisição de insumos, como aço, afeta diretamente a competitividade da produção nacional. 

Ainda assim Carlos Delich ressalta que, em áreas como meio ambiente e segurança do trabalho a operação brasileira está alinhada e, em alguns casos, até supera padrões internacionais, reduzindo barreiras neste campo. 

Para o presidente da ZF a indústria automotiva seguirá como um dos pilares do desenvolvimento econômico e social, pela sua capacidade de geração de emprego e de efeito multiplicador sobre a cadeia produtiva. Neste cenário a manutenção e o fortalecimento da produção local serão determinantes, especialmente diante de um ambiente global mais competitivo e da consolidação de acordos comerciais, como o do Mercosul com a União Europeia. 

Sustentabilidade garante expansão da Renova Ecopeças

São Paulo – Os dois pés na sustentabilidade deram fôlego à Renova Ecopeças, empresa do Grupo Porto, para ampliar sua operação de desmontagem veicular na Capital paulista. Tanto na integração à economia circular do automóvel como na questão financeira: todo o aporte de R$ 7 milhões foi totalmente custeado pela empresa, fundada há treze anos.

Na terça-feira, 14, a expansão do centro de desmontagem veicular, já noticiada pela Agência AutoData, foi oficialmente inaugurada. A capacidade subiu de 3 mil para 10 mil veículos/ano e já opera no ritmo de vinte carros por dia, quatrocentos no mês, de acordo com Daniel Morroni, diretor da Porto Serviço, unidade de negócios do grupo responsável pela operação:

“Ampliamos a estrutura e o estoque, subimos de 4,8 mil para 9,5 mil m² de área construída. Nosso plano é crescer 20% por ano em receita, que no ano passado chegou a quase R$ 80 milhões, de forma orgânica, sem depender do Mover, que, certamente, ajudará a expandir o negócio”.

Há cinco anos, garante o diretor, a Renova Ecopeças opera no azul. Os carros são adquiridos majoritariamente da Porto Seguros, outra vertical do grupo, e são desmontados na unidade, na Zona Oeste de São Paulo. Parte do material é corretamente destinada à reciclagem mas o foco é recuperar peças e revendê-las no mercado a preços menores.

“Geramos receita vendendo peças. Um motor, por exemplo, pode custar 80% menos no Renova Ecopeças. Uma porta de automóvel chega a ter 70% de desconto. Revendemos também materiais como o cobre. Assim conseguimos reunir capital para investir no negócio e crescer nossa operação.”

Para chegar ao consumidor final a empresa dispõe de diversos canais: de vendas pelo Whatsapp a venda em loja física, localizada na sede, passando pelo e-commerce e parceria com grandes portais, como Mercado Livre e Shopee. Só pela internet são embaladas e enviadas mais de cem peças por dia.

A respeito do Mover Morrini prefere manter a cautela: todos os seus planos de expansão, por ora, independem da regulamentação de reciclagem veicular prometida pelo governo. Mas garante que ela é bem-vinda: “O mercado poderá ser incentivado com ela. Hoje reciclamos apenas 1,5% dos veículos. Em mercados maduros, como os Estados Unidos, o índice supera os 95%”.

Tecnovidro mira crescimento fora do Brasil com foco em ônibus e cadeia automotiva

São Paulo — A Tecnovidro projeta ampliar sua participação no processo de exportações, nos próximos anos, com o segmento de ônibus como principal vetor de expansão. Hoje cerca de 15% da produção da empresa já segue para fora do País, principalmente de forma indireta, por meio de clientes.

Segundo Fabrício Flach, gerente comercial, a presença internacional da companhia está concentrada na América Latina, com destaque para Argentina e Chile, além de operações pontuais na África, Austrália e América Central.

“A gente cresce junto com os nossos clientes, que exportam, mas também já mantemos negociações para estruturar canais diretos. A ideia é operar nas duas frentes.”

América do Norte e Europa ainda não fazem parte da operação regular, mas estão no radar da empresa. A meta interna é elevar a participação das exportações em cerca de 10% nos próximos dois a três anos: “Isto depende de câmbio, custo de frete, cenário internacional e até do próprio mercado interno”.

Neste movimento certificações internacionais têm papel central na abertura de novos mercados. A empresa renovou recentemente a certificação DOT e ampliou o escopo de produtos homologados: “A gente já tinha a certificação, mas agora ampliamos o portfólio dentro dela. Isso abre novas oportunidades, principalmente com a inclusão de produtos que antes não estavam no escopo”.

Apesar disso a competitividade segue condicionada a fatores estruturais: “O que nos torna mais ou menos competitivos não é só tecnologia, porque isso hoje é nivelado globalmente. O que pesa mesmo é câmbio, custo logístico e concorrência, principalmente com produtos que vêm da Ásia”.

A ampliação das exportações ocorre em paralelo ao aumento da capacidade produtiva. Desde 2024 a empresa investiu cerca de R$ 40 milhões em expansão e automação, o que permite absorver o crescimento projetado sem necessidade imediata de novos aportes: “Hoje a estrutura já suporta esse crescimento projetado. Este plano de aumento das exportações pode ser absorvido com a capacidade atual”.

Do ponto de vista de mercado Flach ressaltou que o segmento de ônibus aparece como principal vetor de expansão no Exterior, enquanto o agrícola ainda concentra maior potencial no Brasil: “O ônibus está mais consolidado e tem um potencial maior no curto prazo fora do País. Já o agrícola ainda tem muito espaço para crescer no mercado interno”.

No horizonte de médio prazo o diretor executivo Marco Aurélio de Bastiani avaliou que a exportação deve ganhar peso não apenas como complemento mas como pilar do negócio: “A exportação tende a ser um pilar importante, não só de crescimento mas também de diversificação de risco”.

Nissan anuncia Marco Biancolini como vice-presidente de manufatura e operações

São Paulo — A Nissan nomeou Marco Biancolini para vice-presidente de manufatura e operações no Brasil. Ele é o primeiro brasileiro a ocupar o cargo desde a inauguração do complexo de Resende, RJ, em 2014, e estava à frente da diretoria sênior de engenharia e processos de manufatura da operação local. Ele sucede a Toshihisa Hasegawa, que deixa o Brasil para assumir novas funções no Japão.

Engenheiro mecânico com especialização em qualidade e produtividade e certificação internacional em gestão de projetos o executivo acumula mais de três décadas de atividade na indústria automotiva. Ao longo da carreira passou por diferentes áreas ligadas à produção, logística e cadeia de suprimentos. Foi gerente de planta na fabricante de autopeças Adient e gerente sênior de sua cadeia de suprimentos para a América do Sul. Também ocupou a diretoria de logística da Jac Motors e foi gerente geral de programação e logística operacional na Peugeot Citroën.

Antes disso passou catorze anos na Renault, onde foi gerente de logística, logística industrial e produção e ocupou outras funções de supervisão em engenharia e manufatura.

Biancolini também acumula experiência internacional em projetos e operações no Japão, China, França e México, frequentemente liderando equipes em ambientes multiculturais.