GWM inicia terceiro turno na pintura em Iracemápolis

São Paulo – A GWM iniciou no início de abril o terceiro turno na área de pintura da fábrica de Iracemápolis, SP, que começou a operar em agosto do ano passado. A informação foi dada por seu vice-presidente de produção, manufatura e inovação da GWM, Márcio Alfonso. Hoje a montadora já conta com 45 fornecedores locais e a parceria com outros quarenta está em desenvolvimento.

Hoje já são sessenta as unidades de autopeças brasileiras embarcadas em cada veículo, e a ideia é encerrar 2026 com mais de cem.

A unidade de Iracemápolis tem, hoje, 1 mil 470 funcionários. Em janeiro eram 140: “Estamos contratando, mas estamos chegando no limite, de 1,5 mil”.

O próximo passo será elevar a produção dos atuais cem carros diários para 160 até dezembro.

“Para este ano vislumbramos a produção de 30 mil carros, uma vez que não conseguimos trabalhar com todos os turnos desde o começo e vamos crescendo lentamente. Em 2027, se conseguirmos colocar a produção no máximo da capacidade, espero que passemos de 40 mil veículos, chegando a 44 mil ou, quem sabe, a 50 mil.”

O executivo contou que a GWM está aprimorando o processo de montagem, colocando alguns robôs a mais na fábrica, além de sistemas de movimentação de materiais internos para ganhar produtividade: “Fizemos o planejamento há algum tempo e estamos executando este ano. Em junho teremos uma etapa e, em dezembro, outra. Tudo isso está incluído no plano de investimentos de R$ 10 bilhões até 2032, sendo R$ 4 bilhões até 2026”.

Alfonso disse que o índice de localização gira em torno de 15% a 20% e que o objetivo é chegar de 35% a 40% em dois anos, o que depende, contudo, da viabilidade técnica e econômica: “É preciso analisar caso a caso. Temos 450 projetos em estudo. E estamos desenvolvendo uma série de peças agora. O objetivo é chegar em 2032, no fim do ciclo do Mover, com 60%”.

Para cada item nacionalizado mais de um fornecedor

O fornecedor tanto pode seguir à risca o que é feito na China como tem a possibilidade de desenvolver projeto baseado no original mas que ofereça melhorias. E, de acordo com o executivo, o melhor é sempre ter mais de uma opção para os itens, a fim de não concentrar os pedidos em uma só empresa. 

São produzidos localmente vidros, forrações, isoladores, bancos, pneus – um dos modelos deverá ficar pronto em dois ou três meses –, revestimento da caçamba e baterias de chumbo-aço. No caso dos pneus a ideia é ter dois ou três fornecedores locais, Goodyear, Pirelli e Michelin, e rodas, com Neorodas e Maxion: “Estamos analisando modelos e custos. Quando entrar o novo ano/modelo é a hora certa para introduzir nova roda”.

Em vidros o parceiro é a Saint Gobain e, nas peças plásticas da caçamba da picape, a Unipac. Com relação ao fornecedor de amortecedores Alfonso contou que há conversas em curso com duas empress. Escapamentos, segundo ele, também tem boas opções, assim como montagem e suspensão, e para chicotes há Lear e Yazaki.

“Requeremos qualidade e investimentos que se paguem dentro do ciclo de vida do produto. Se você sabe que ele vai mudar daqui a pouco não faz sentido fazer todo o investimento em engenharia e ferramental antes de a versão nova ser lançada. E, idealmente, quando o carro entrar em produção a peça nacional entra junto. Assim é possível conseguir o máximo de retorno.”

CKD é montado peça a peça

A fase atual é de recebimento das propostas técnicas daqueles fornecedores que ainda não começaram. Há, segundo ele, programa bem extenso pela frente para fazer a localização e, desde o começo, o veículo é montado peça a peça – a linha de montagem em Iracemápolis trabalha com 9,4 mil itens. Lá são feitas as etapas de soldagem, a verificação da estrutura do veículo, então ele segue ao sistema de pintura, é feita a proteção contra a corrosão, a carroceria é selada, pintada, montada e testada.

“Todas as etapas que uma montadora convencional faz nós fazemos em Iracemápolis. A única exceção são os estampados, pois os volumes ainda estão baixos.”

De acordo com Márcio Alfonso as peças chegam na linha todas separadas: “Isto é importante porque, à medida que formos desenvolvendo fornecedores locais conseguimos cortar suprimento chinês e colocar a peça nacional no lugar. É muito mais fácil. É um CKD, sim. Mas é feito peça a peça”.

Enquanto o processo produtivo avança a GWM assinou carta de intenções com o governo do Espírito Santo para instalar sua segunda fábrica. Por ora ainda não há pormenores divulgados pela montadora. Márcio Alfonso disse que além da proximidade com o porto foram oferecidas vantagens pelo governo em comparação a outras localidades.

“Depois do Salão de Pequim [no fim de abril] deveremos ter mais informações a respeito.”

Feira automotiva de Taiwan foca na mobilidade verde e conectada 

Taipé, Taiwan – Sob o tema Potencializar cada Movimento a edição de 2026 do 360º Mobility Mega Show, evento que reúne três importantes feiras dedicadas à cadeia do setor automotivo — Taipei Ampa, e-Mobility Taiwan e Autotronics Taipei –, abre as portas de 14 a 17 de abril, no pavilhão 1 do Centro de Exposições Nagang, na Capital de Taiwan, Taipé. 

Organizado pelo Taitra, Conselho de Desenvolvimento do Comércio Exterior de Taiwan, o 360º Mobility Mega Show este ano se baseia em três pilares estratégicos: Mobilidade Verde, Mobilidade do Futuro e Mobilidade Conectada.

A proposta do evento é servir como plataforma global para compradores descobrirem produtos de última geração que propõem um mundo mais conectado, inteligente e sustentável. No ano passado foram recebidos 50 mil visitantes, sendo 4 mil estrangeiros, de 120 países, com uma expectativa de geração de negócios de US$ 29 milhões.

Para este ano as projeções ainda não foram divulgadas, mas além de empresários brasileiros a ABVE, Associação Brasileira do Veículo Elétrico, estará representada. E, mais uma vez, a Agência AutoData será o único meio de comunicação nacional a acompanhar o 360º Mobility Mega Show.

O evento ocorre em treze áreas de exposição especializadas, criando assim plataforma de cadeia de suprimentos integrada e abrangente, englobando desde peças automotivas essenciais, soluções de pós-venda e manutenção de veículos até o que há de mais moderno em eletrificação, tecnologias autônomas e inovações em mobilidade inteligente.

Em paralelo são realizados no espaço o Fórum de Mobilidade 360º e o 360º Spotlight. Há ainda o Mingle & Connect Party, para encontros comerciais diretos.

Crédito para veículos avança 13% e tem melhor primeiro trimestre em quase duas décadas

São Paulo — O mercado de financiamento de veículos iniciou 2026 em ritmo acelerado. De janeiro a março foram financiadas 1,9 milhão de unidades, considerando veículos leves, motocicletas e pesados, novos e usados. O resultado representa alta de 12,8% sobre o mesmo período do ano passado e configura o melhor desempenho para um primeiro trimestre desde 2008.

Os dados, divulgados pela Trillia, mostram a continuidade de uma tendência já observada ao longo de 2025, com expansão do crédito e maior presença do financiamento nas compras. O crescimento ocorreu tanto no segmento de veículos usados quanto no de novos, com avanço de 12,2% e 14,1%, respectivamente. Ainda assim os usados seguem predominando, com 1,2 milhão de unidades financiadas, ante 675 mil de modelos 0 KM.

Por tipo de veículo os leves concentraram a maior parte das operações, com 1,3 milhão de unidades financiadas no trimestre, alta de 12,4% na comparação anual. As motocicletas mantiveram ritmo mais acelerado, com crescimento de 18,1% e total de 510,6 mil unidades. Já o segmento de pesados teve expansão mais moderada, de 3,9%, somando 69,3 mil financiamentos.

O crédito direto ao consumidor, CDC, permaneceu como principal modalidade, com 1,6 milhão de unidades financiadas no acumulado do trimestre, aumento de 14,3%. O consórcio respondeu por 261,9 mil unidades, com alta de 5,5%, enquanto leasing e outras modalidades tiveram participação residual.

Segundo Daniel Takatohi, superintendente de produtos da Trillia, o resultado indica uma expansão consistente do crédito automotivo: “O primeiro trimestre mostra uma expansão consistente do crédito para a compra de veículos, com crescimento espalhado por todas as regiões do País. Esse movimento reforça a trajetória observada ao longo do último ano e aponta um cenário mais favorável para o mercado automobilístico”.

Março concentra aceleração do mercado

O desempenho mais forte foi observado em março, quando foram financiadas 703 mil unidades, crescimento de 27,6% com relação a março de 2025 e o maior volume mensal desde agosto de 2011. Na comparação com fevereiro houve avanço de 22,2%.

O aumento foi puxado tanto por veículos novos quanto usados. Dentre os 0 KM os financiamentos saltaram de 206 mil para 267 mil unidades na comparação anual, alta de 29,7%. Já os usados passaram de 345 mil para 436 mil unidades, avanço de 26,4%. Nos leves março registrou 480,6 mil financiamentos, crescimento de 27,7% em um ano.

As motocicletas somaram 192,3 mil unidades, alta de 27,9% e os pesados chegaram a 28,7 mil, avanço de 24,5%.

Mercedes-Benz leva vans elétricas a frotas de emergência no Brasil

São Paulo — A Mercedes-Benz iniciou a inserção de suas vans elétricas em frotas de emergência no Brasil com a eSprinter. Foram comercializadas quase trinta unidades destinadas a operações de saúde e atendimento em rodovias. Parte deste volume inclui quatro veículos entregues para adaptação como ambulâncias para CMD Saúde, Medicar, CTI COR e Removidas.

Outras 24 unidades foram vendidas à Evmob, que opera com gestão de frotas elétricas e também atende ao setor de saúde.

Com autonomia de até 478 quilômetros a eSprinter passa a ser utilizada em aplicações consideradas mais exigentes, como atendimento pré-hospitalar e suporte em concessões rodoviárias, ampliando o uso de veículos elétricos em operações críticas.

Chevrolet lidera o mercado brasileiro – na intenção de compra

São Paulo — A Chevrolet lidera a intenção de compra de veículos no Brasil para 2026 segundo pesquisa da Webmotors com mais de 1,8 mil consumidores, ouvidos de novembro de 2025 e fevereiro. A marca somou 14% das menções, avanço de 2 pontos porcentuais com relação à edição anterior. Na sequência aparecem Volkswagen e Fiat, ambas com 11%, sendo a primeira estável e a segunda em alta de 2 pontos.

Honda, com 10%, e Toyota, com 6%, completam as cinco marcas mais citadas.

O levantamento também indica maior abertura do consumidor brasileiro a novas marcas. BYD e GWM ampliaram presença nas respostas, com crescimento de 24% e 58%, respectivamente, enquanto marcas com origem na China como Omoda Jaecoo, Geely, GAC e Jetour passaram a aparecer pela primeira vez na pesquisa.

Nos perfis de consumidores a Chevrolet concentra maior interesse na faixa de 18 a 25 anos. O mesmo público também lidera as menções à Volkswagen. Já a Fiat tem maior apelo junto a consumidores de 36 a 45 anos, enquanto a Honda divide preferência nas faixas de 26 a 35 anos e acima de 56. No caso da Toyota o interesse se concentra nos públicos mais velhos, a partir de 46 anos.

Na escolha da marca conforto com 24%, confiança com 22% e custo de manutenção com 19% são os principais fatores apontados por quem pretende comprar um modelo da Chevrolet. Nos demais concorrentes a confiança aparece como atributo dominante, especialmente para Honda e Toyota, que concentram os maiores índices neste critério.

Implementos rodoviários crescem 23,7% em março, mas ainda acumulam queda no ano

São Paulo — A indústria de implementos rodoviários voltou a crescer em março após um início de ano mais fraco, e ainda acumula queda no primeiro trimestre. Foram emplacadas 12 mil 211 unidades no mês, alta de 23,7% sobre fevereiro, quando o setor havia registrado a venda de 9 mil 870 equipamentos. O avanço foi puxado principalmente pelo segmento de reboques e semirreboques, que somou 6 mil 390 unidades, crescimento de 27,5% na comparação mensal.

Já as carrocerias sobre chassis atingiram 5 mil 821 implementos, alta de 19,5%.

Segundo o presidente da Anfir, José Carlos Spricigo, o resultado recente reflete fatores conjunturais: “Os reflexos positivos da safra em andamento e do programa Move Brasil são percebidos no resultado do setor de implementos rodoviários”.

Apesar da recuperação no mês o setor ainda não reverteu as perdas no acumulado do ano. No primeiro trimestre foram comercializadas 30 mil 841 unidades, queda de 13,7% com relação ao mesmo período de 2025. A retração atinge os dois principais segmentos: reboques e semirreboques acumularam baixa de 14,6% e carrocerias sobre chassis recuaram 12,7% no período.

Para Spricigo a comparação com o início de 2025 ajuda a entender o resultado negativo: “Para entender este recuo é importante lembrar que o mercado no primeiro trimestre do ano passado ainda sentiu os efeitos positivos das vendas realizadas na Fenatran de 2024”.

Ele avaliou que o comportamento do mercado deve ficar mais claro ao longo dos próximos meses: “A partir do segundo trimestre visualizaremos o movimento de mercado sem esta influência”.

Híbridos puxam crescimento e levam Omoda Jaecoo ao melhor mês no Brasil

São Paulo — A Omoda Jaecoo teve em março de 2026 o melhor resultado desde que iniciou operações no Brasil. Os emplacamentos cresceram 36% sobre fevereiro, até então seu o mês mais forte, levando a empresa a figurar em décimo-terceiro lugar no ranking das mais vendidas no varejo.

O desempenho foi puxado principalmente pelo Omoda 5, que chegou ao Top 2 dos híbridos mais vendidos em março. No acumulado do primeiro trimestre o modelo aparece como o terceiro SUV híbrido mais comercializado no País.

A rede comercial também avançou: já são mais de setenta concessionárias em 24 estados, com plano de superar cem lojas até meados de 2026. A expectativa da montadora é atingir médias mensais acima de 3 mil unidades nos próximos ciclos, sustentadas pela ampliação da linha de produtos e da presença no País.

Aumovio coloca o foco na reposição em sua estreia no Brasil

São Paulo – Grandes corporações com unidades de negócios diversas são parecidas com transatlânticos: enormes, suntuosas e pouco ágeis. Foi em busca de agilidade que o centenário Grupo Continental tomou a decisão, em 2025, de separar seus negócios automotivos e criar uma nova empresa, independente: a Aumovio.

No primeiro momento a preocupação é contar a todos os clientes e parceiros que nada mudará: a lógica do negócio segue a mesma, o navio continua seu percurso. Mas, passado algum tempo, com a casa em ordem, as decisões que, a princípio parecem sem muito sentido, são esclarecidas.

“Enquanto a maré é tranquila os diferentes convivem bem”, afirmou Ricardo Rodrigues, diretor geral da Aumovio no Brasil. “É nas adversidades que enxergamos a necessidade de agilidade. Foi o que fizemos: diante de um mercado automotivo que passa por disrupções e desafios optamos por fortalecer a posição competitiva com uma empresa mais ágil e flexível.”

Ele confessou que este cenário disruptivo, hoje, é ainda mais forte do que quando a decisão foi tomada. E o diagnóstico é que foi a coisa certa a ser feita: “Hoje todas as nossas fábricas têm um representante direto que integra o Conselho Executivo global. O processo decisório foi abreviado, antes precisava passar por dois ou três níveis para chegar no conselho. Investimentos, realocação de verbas são decididas em uma ligação telefônica, em uma reunião”.

A Auomovio Brasil é composta por três fábricas, que respondem a três membros diferentes do conselho. Em Guarulhos, SP, a sede local, são fabricados componentes eletrônicos, como displays, clusters e módulos. A quilômetros dali, em Várzea Paulista, SP, saem os sistemas de frenagem, de freios a tambor a EPBs, os freios eletrônicos de estacionamento. Em Jacutinga, MG, são fabricadas as antenas. Existe ainda o armazém, em Itapevi, SP, dedicado à reposição.

Foco no aftermarket

No primeiro momento o trabalho mais pesado da Aumovio no Brasil é expandir sua participação no mercado de reposição. Segundo Rodrigues o objetivo é triplicar de tamanho em cinco anos, subindo a participação nas receitas locais de 10% para 20%: “Nos últimos anos já dobramos de tamanho”.

Para alcançar a meta ousada diversos lançamentos foram realizados e mais estão programados, das marcas VDO e ATE. Dentre as novidades compõem o cardápio óleo de motor, fluido de freio, bicos injetores, sensores ABS.

Rodrigues disse que a operação brasileira da Aumovio representa em torno de 3% da global. No ano passado o faturamento global somou 18,5 bilhões de euros e o objetivo, para 2026, é manter o patamar diante de um mercado em queda – com a operação brasileira crescendo de 3% a 5% em receita e, por consequência, ganhando mais relevância na companhia.

Apesar do foco no aftermarket a negociação com montadoras não foi abandonada. Rodrigues afirmou que, nas últimas semanas, manteve conversas com pelo menos três empresas com origem na China que estão vindo para o Brasil: “Estamos tentando tornar viável negócios com essas empresas. Ou somos flexíveis e participamos com eles ou ficamos rígidos e desaparecemos”.

Iveco tem novo ciclo de R$ 1 bilhão em investimentos em Sete Lagoas

São Paulo – A Iveco prepara um novo ciclo de investimento para sua fábrica de Sete Lagoas, MG: R$ 1 bilhão será injetado de 2026 a 2028, com foco em produtos movidos a combustíveis alternativos, melhorias na fábrica, na rede de concessionários e na cadeia de fornecedores.  Foi o que contou à Agência AutoData o presidente da Iveco na América Latina, Márcio Querichelli.

“Este novo ciclo se deve à necessidade de continuarmos desenvolvendo novos produtos e novas tecnologias para nos mantermos competitivos.” 

Os recursos, levantados via Invest Minas, incluem também o novo centro de distribuição que está sendo construído em Pouso Alegre, no Sul de Minas, ao custo de R$ 93 milhões. O espaço, que deverá ser inaugurado até o meio do ano, substituirá o CD de Sorocaba, SP, compartilhado com a CNH, devido a limitações de capacidade e para trazer maior fluidez à operação logística.

“O aporte vem na mesma linha do primeiro ciclo, que se encerrou em 2025, e foi utilizado na renovação de produtos, fábricas, pessoas e em desenvolvimento de rede. A última geração de produtos, de 2022, completou agora cinco anos, o que é um tempo curto”, avaliou, lembrando da injeção de outro R$ 1 bilhão no período, que abrangeu também a fábrica de Córdoba, Argentina.

Querichelli citou que 2026 está mais competitivo que os anos anteriores: “Os preços dos veículos estão sofrendo variação para baixo ou se mantendo, dependendo do setor, ao passo em que os custos aumentam. É preciso, portanto, buscar eficiência. E o que estamos fazendo com parte deste investimento é trabalhar para localizar componentes para nos tornarmos mais competitivos”.

O novo aporte visa, também. a elevar o índice de nacionalização que, dependendo do segmento, hoje é de 70%, no caso dos pesados. O executivo evitou cravar uma meta, mas disse que quanto maior melhor: “Trabalhamos por pacotes. Não sabemos se chegará em 72%, 75% ou 80%. Buscamos o máximo possível”.

Tector a gás será homologado para o Brasil

Também em parte do investimento atual está incluída a homologação do Tector 17 toneladas movido a gás natural ou biometano, o que deverá acontecer até meados deste ano, segundo o presidente da Iveco.  O caminhão semipesado é produzido em Córdoba e está sendo trazido para cá.

“Estamos em vias de iniciar as vendas. Ele requer, apenas, alguns ajustes. Não dá para dizer que será produzido em Sete Lagoas, mas lá ele será finalizado e adaptado.”

Querichelli apontou que, por enquanto, produzir o modelo em Sete Lagoas não é cogitado mas, dependendo da procura, a situação pode mudar: “Podemos produzir lá e aqui, depende muito de como estará a questão financeira. Por um lado fabricar na Argentina é 20% mais caro do que no Brasil, mas tem a questão logística, que é preciso pôr nesta conta. Tudo depende da infraestrutura e dos incentivos. Havendo demanda podemos produzir todas as tecnologias disponíveis aqui”.

É como ocorre com o extrapesado S-Way, Euro 6, fabricado desde o fim de 2022 em Sete Lagoas, quando substituiu o Hi-Way, Euro 5. Com o mesmo objetivo passou a ser produzido em Córdoba no fim de fevereiro, embora na Argentina ainda vigore o Euro 5.  

“Na janela de preparação da produção em Córdoba nós exportamos algo daqui, enquanto a produção lá ficava pronta. Usamos as duas unidades para ter essa sinergia.

Segundo Querichelli o impacto foi mínimo na unidade mineira.

Com relação a outras tecnologias a Iveco fabrica no Brasil o S-Way a gás e comercializa no mercado local ônibus a gás produzidos em Córdoba. Além disso nos leves tem o Daily elétrico, importado da Europa, e existe também a versão ainda conceito do Daily multicombustível, que roda a gás natural, biometano e etanol e está em operação assistida com a JBS.

Mercado em queda aplaca otimismo

Sobre o padrão de novas contratações Querichelli respondeu que, com o mercado caindo, no momento a empresa apenas observa o movimento e dá conta de produzir com seu efetivo. Trabalham em Sete Lagoas em torno de 3 mil funcionários e 1 mil em Córdoba, incluindo produção e mensalistas.

“Não teremos muitas turbulências na produção”, salientou, ao citar que todas as linhas, de leves, de semipesados e de pesados, são feitas em um turno. Apenas a de cabinas tem dois turnos de produção, que, por ser uma só, tem de alimentar os veículos do Brasil e da Argentina. Elas são montadas e pintadas em Sete Lagoas.

“Eu sou otimista por natureza, mas este ano está mais desafiador. E, para completar, 2025 não teve Fenatran para turbinar emplacamentos em 2026. Todo o mercado deixou de comercializar 30%”, assinalou. “Demanda existe. O cliente quer comprar o veículo, só não quer pagar 25% de taxa ao ano. Mesmo pagando juros médios de 15% ao ano pelo Move Brasil é difícil mas o País é movido por caminhões.”

Sobre o desempenho da marca diante do programa do governo de fomento à indústria com crédito a juros subsidiados Querichelli afirmou que embora não tenha fechado um balanço da iniciativa a Iveco respondeu por cerca de 10% dos R$ 10 bilhões ofertados para empréstimo pelo Tesouro e BNDES.

Agora é esperar para ver se o governo decide lançar uma segunda rodada do Move Brasil e o estende a implementos rodoviários e ônibus, conforme pleito de montadoras demonstrado durante o Congresso AutoData Megatendências 2026 e também da Fenabrave e da Anfavea.

Especial Yaris Cross: o preço da reputação.

Após alguns meses de atraso, causado pela destruição de sua fábrica de motores, a Toyota lançou o Yaris Cross no mercado brasileiro com valores e expectativas no alto. Ao situar seu novo produto na faixa de R$ 150 mil a R$ 190 mil, no topo da ampla categoria de SUVs compactos no País, a fabricante mostrou que confia na sua boa reputação de produzir carros de qualidade acima da média, com generoso pacote de itens de série, para vencer a concorrência que tem motores mais potentes ou preços mais baixos.

Apesar dos preços no alto da categoria B-SUV o Yaris Cross é o carro mais barato da Toyota à venda no País. Com ele a empresa espera não só reter e atrair novos clientes, mas também reconquistar aqueles que saíram da marca por falta de opções mais baratas, como eram as versões hatch e sedã do Etios e Yaris, que deixaram de ser produzidas. 

Ao lançar um modelo no segmento que mais cresce no Brasil– as vendas de B-SUVs compactos chegam a 25% dos emplacamentos de veículos no País, somando 650 mil unidades em 2025 – o plano da Toyota é oferecer uma linha completa de SUVs para ampliar seu alcance no segmento que hoje representa mais de 40% do mercado brasileiro. Ao lado do Yaris Cross, com porte e preços ascendentes, estão o Corolla Cross e os importados RAV4 e SW4.

Esta reportagem foi publicada na edição 430 da revista AutoData, de Março de 2026. Para lê-la completa clique aqui.