São Paulo – De 23 mil a 24 mil unidades comercializadas até dezembro, alta de 5% sobre 2024. Esta é a expectativa de Caio e Marcopolo, duas tradicionais fabricantes do mercado nacional, que participaram do Fórum AutoData Perspectivas Ônibus, na terça-feira, 16. Não significa, entretanto, que as coisas caminham muito bem para a indústria.
Ricardo Portolan, diretor de operações comerciais de mercado interno e marketing da Marcopolo, analisou o resultado de vendas de 2025 de duas formas:
“Pelo lado positivo será o melhor volume dos últimos dez anos, algo muito positivo. Porém se pegarmos a média de vendas de 2004 a 2014, a década anterior, foi de 25 mil unidades por ano”.
Maurício Cunha, vice-presidente do Grupo Caio, disse que o encolhimento do mercado foi puxado por alguns fatores:
“O cenário atual está complicado pelas altas taxas de juros. Mas o mercado retrocedeu por outros fatores também, como uma demanda por veículos elétricos sem o planejamento adequado, assim como a falta de política pública de renovação de frota e as oscilações do programa Caminho da Escola”.
Para um futuro melhor da indústria de ônibus, com a volta de volumes maiores, Portolan sugeriu algum movimento para baixar as taxas de juros dos financiamentos, que estão afetando todo o mercado, principalmente o segmento de maior volume, que é o urbano.
Cunha acredita que junto é necessário um movimento de renovação de frota por meio da compra de mais veículos Euro 6, que poderiam substituir os mais antigos, resultando em menores emissões, junto com uma redução do custo Brasil.
São Paulo – A indústria de ônibus vive um bom momento em 2025. Mas o cenário é desafiador e deverá piorar a médio prazo, avaliou Marco Saltini, vice-presidente da Anfavea, que participou do Fórum AutoData Perspectivas Ônibus, na terça-feira, 16:
“A taxa Selic em 15% torna os financiamentos de ônibus proibitivos, pois quem compra está pagando 20% a 22% de juros. Quem investe R$ 100 milhões em veículos paga até R$ 22 milhões só de juros”.
Para Saltini a taxa segue sendo o principal alerta para 2026. Segundo ele se não começar a cair a demanda será bastante afetada, algo parecido com o que está acontecendo no segmento caminhões pesados neste ano. A instabilidade global também é outro ponto de atenção para 2026.
Ele entende que a elevação dos juros é uma ferramenta para combater a inflação no Brasil, porém, ele questiona a necessidade de juros tão altos: “Precisa ser uma taxa tão alta assim? Hoje os juros finais para financiamentos variam de 20% a 22%, mas se fosse algo em torno de 14%, como já foi no passado, o cenário seria bem diferente. O mesmo vale para a Selic, uma taxa de 10% é muito diferente da atual de 15%”.
Outro ponto que preocupa o executivo no médio prazo é a reforma tributária, que deverá elevar o preço final dos ônibus vendidos no País. Ele disse que as fabricantes nacionais pagarão mais impostos: atualmente as empresas pagam uma média de 12% de ICMS e 7% de PIS Cofins, totalizando 19%, porém, com a reforma tributária, o IVA deverá ser de 28%.
Mas nem só de pontos preocupantes é feito o cenário para 2026. Do lado positivo está uma nova licitação do programa federal Caminho da Escola, que deverá encomendar até 7 mil veículos, e que ajudará a movimentar a indústria no ano que vem:
“Esperamos que saia a nova licitação do programa Caminho da Escola e, quem sabe, ela supere as 7 mil unidades, pois traz um volume importante para o ano que vem. Isso pode ajudar na manutenção das vendas, empatando com 2025”.
De janeiro a agosto as vendas de ônibus cresceram 14,4%, com 15,7 mil emplacamentos, e a expectativa para o fechamento do ano é de 25,3 mil vendas, expansão de 12,8% sobre 2024. Já a produção cresceu 11,7% até agosto, com 21,2 chassis de ônibus fabricados, com projeção de alta de 14,3% até dezembro, chegando a 31,7 mil unidades fabricadas.
São Paulo – De janeiro a agosto saíram das linhas de produção das encarroçadoras brasileiras 17 mil 864 ônibus, 5,1% acima do mesmo período em 2024. E, para o ano, a projeção é que este movimento se mantenha, totalizando 26 mil 967 unidades, avanço de 5,3% com relação ao ano passado – que tinha ampliado o volume em 19% frente a 2023.
Foi o que apresentou o presidente da Fabus, Ruben Bisi, durante a abertura do Fórum AutoData Perspectivas Ônibus, realizado na terça-feira, 19.
Para o ano que vem, no entanto, o dirigente estima que haja estabilidade no volume de ônibus encarroçados, o que se justifica pelo ambiente de instabilidade econômica e da elevada taxa de juros, de 15% ao ano, que estimulam a postergação da renovação da frota: “Temos uma projeção mais precavida, mas tomara que eu erre e que cresçamos de 10% a 15%”.
Bisi disse que se o desempenho de 2026 for o mesmo de 2025 está de bom tamanho, ao lembrar que os juros nas alturas também não estão contendo a inflação e que no ano que vem haverá eleição.
Havia um maior otimismo por causa das exportações para a Argentina, devido à combinação de recuperação econômica e dólar cotado a R$ 6,30 no início do ano. Agora, no entanto, o meio de campo começou a embolar no país vizinho com as eleições regionais, o aumento da inflação e a nova valorização da moeda estadunidense. Ao passo que, no Brasil, o câmbio desvalorizou para R$ 5,30.
“Há um mês a Argentina era nosso principal mercado para estimular a produção tanto este ano quanto no ano que vem. Hoje já não sabemos como ficará a situação. E com a questão do câmbio o preço também muda bastante.”
Por aqui a expectativa é equilibrada pela nova licitação do Caminho da Escola, de 7 mil 470 unidades, preparada pelo FNDE e aguardada para as próximas semanas. Bisi disse que este ano de 20% a 25% da produção foram estimulados pela demanda do programa do governo federal.
“Vejo como fatores positivos e oportunidades para 2026, além do Caminho da Escola e da manutenção das exportações para a Argentina, o aumento do turismo interno, reforçado pela migração de passageiros do modal aéreo por causa dos preços de bilhetes e dos combustíveis.”
Ele também disse acreditar na possibilidade de o Fundo Clima financiar o transporte público, o que é animador, assim como o aumento da verba para a infraestrutura e para ônibus urbanos com o PAC Mobilidade, e o apoio das prefeituras ao Tarifa Zero: 241 cidades subsidiam as tarifas e 158 zeraram os valores. Citou, ainda, o aumento da venda de produtos movidos a energias alternativas, como elétricos, biometano e híbridos.
“Para que tudo corra bem no ano que vem precisamos que as taxas do PIB e de geração de emprego sigam crescendo, o programa de renovação veicular saia do papel, a Selic comece a cair, o Marco Legal do Transporte Público seja aprovado e as compras governamentais passem a ter um mínimo de conteúdo local, assim como para acessar o Finame, que exige pelo menos 20%.”
São Paulo – A Volkswagen entregou, na noite de segunda-feira, 15, o prêmio Super, Sistema Único de Performance, para quinze concessionárias individuais e quinze grupos econômicos, que apresentaram melhor desempenho com relação a vendas, qualidade de atendimento e gestão.
As concessionárias e grupos foram divididos em categorias A, B e C, de acordo com o volume de vendas de cada operação. Assim, segundo a empresa, revendas de diferentes portes puderam ser valorizadas de forma justa.
Categoria B Breitkopf Discasa Itacuã Thelma Francauto
Categoria C Capivari Correauto Dimasa Coletto Três Rios
Concessionária
Categoria A Luson, de São José dos Pinhais, PR Germânica, de Americana, SP Original Veículos, de Taubaté, SP Belcar Veículos, de Goiânia, GO Faria, de São Paulo
Categoria B Germânica, de Mogi-Mirim, SP Germânica, de Campinas, SP Faria, de Catanduva, SP Comauto, de Montenegro, RS Faria, de São José do Rio Preto, SP
Categoria C Germânica, de São João da Boa Vista, SP Germânica, de Valinhos, SP Germânica, de Paraguaçu Paulista, SP Dimasa, de Araranguá, SC Coletto 3R, de Ourinhos, SP
São Paulo – Com 109 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus emplacados até a segunda-feira, 15, o mercado brasileiro registrou avanço de 3,1% sobre a primeira quinzena de agosto, segundo dados preliminares do Renavam obtidos pela Agência AutoData.
Existe, segundo fonte do mercado, alta demanda pelos modelos do programa Carro Sustentável. Diversas redes de concessionárias estão promovendo promoções, com generosos descontos e facilitação no pagamento.
A Volkswagen fechou a primeira quinzena encostada na líder Fiat: 19,4 mil contra 20,5 mil licenciamentos. A Chevrolet, com 11,9 mil, é perseguida de perto pela Hyundai, 10,4 mil.
São Paulo – Fim do mistério: o SQ5 e o SQ5 Sportback encerram a lista de treze lançamentos programados pela Audi no mercado brasileiro este ano. O esportivo retorna ao Brasil com mais tecnologia e eficiência, montado sobre a PPC, plataforma premium para veículos a combustão – é o terceiro do portfólio local, seguindo o A5 e o Q5.
As mais de quarenta concessionárias Audi receberão os dois modelos a partir de novembro. Um primeiro lote será vendido por R$ 625 mil o SQ5 e por R$ 640 mil o SQ5 Sportback.
Equipa o modelo motor 3.0 V6 TFSI, de 367cv. O conjunto conta, ainda, com a transmissão S Tronic de sete velocidades e tração integral quattro com tecnologia ultra.
Em 2025 a Audi lançou o A3 Sportback, o A3 Sedan, o RS 3 Sedan, o Q5, o Q5 Sportback, o SQ5, o SQ5 Sportback, o SQ6 Sportback e-tron, o Q6 Sportback e-tron, o RS 6 Avant GT, o RS Q8 Performance, e os A5 e A6 e-tron. De janeiro a agosto as vendas somaram 3,1 mil unidades.
São Paulo – A Marcopolo anunciou que voltará a comercializar ônibus no mercado europeu, o qual deixou em 2009, quando fechou sua fábrica em Coimbra, Portugal. Desta vez será por meio de importação, com as carrocerias partindo do Brasil para serem montadas sobre chassis fabricados na Europa.
Segundo o CEO André Armaganijan mudanças no setor criaram cenário favorável para a empresa, que operou na Europa de 1990 a 2009. Este retorno se dará com o Paradiso G8 1200: o modelo será apresentado em Bruxelas, Bélgica, na feira Busworld Europa, de 4 a 9 de outubro.
Com 13m50 de comprimento o modelo exposto na feira acomoda 55 passageiros.
São Paulo – É oficial: a Volkswagen será ausência no retorno do Salão do Automóvel, programado para novembro no Distrito Anhembi após seis anos. O presidente e CEO Ciro Possobom confirmou que a marca decidiu não participar, nem com estande nem com outro tipo de ação.
A desistência oficial é acompanhada de outras importantes empresas, como General Motors, Ford e Nissan, também fora do Salão. As premium Audi, BMW e Mercedes-Benz também são ausências.
Pedido pessoal do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o retorno do Salão se dará sem pelo menos um terço do mercado, levando em conta o volume de vendas. A Volkswagen é vice-líder e a Chevrolet a terceira do ranking. A Nissan também está no Top 10.
Confirmadas estão BYD, Caoa, Caoa Chery, Citroën, Denza, Fiat, GAC, Geely, GWM, Honda, Hyundai, Jeep, Kia, Leapmotor, Lecar, Lexus, MG Motors, Mitsubishi, Omoda Jaecoo, Peugeot, Ram, Renault e Toyota. Suzuki Motos e Vespa representam o setor de duas rodas.
A abertura do evento está programada para 21 de novembro, com expectativa da presença de Lula. A venda de ingressos já foi aberta e, segundo a Anfavea, foram vendidos 25 mil em apenas dois dias. A expectativa da RX, organizadora do evento, é receber 700 mil pessoas.
São Paulo – A Fiat Strada chegou à marca de 2,5 milhões de unidades produzidas na fábrica de Betim, MG, desde 1998, quando foi lançada a sua primeira geração. A maior parte deste volume foi comercializada ao mercado interno, e também houve exportações no período. A picape é exportada para Argentina, Paraguai e Uruguai.
A fábrica de Betim tem capacidade para produzir 650 mil veículos/ano e, além da Strada, produz Argo, Mobi, Pulse, Fastback, Fiorino e Peugeot Partner Rapid.
De janeiro a agosto a Fiat Strada foi o veículo mais vendido do Brasil, 87,4 mil unidades, de acordo com dados da Fenabrave.
São Paulo – De janeiro a julho as exportações de autopeças para os Estados Unidos somaram US$ 730,4 milhões, recuo de 5,8% diante do mesmo período do ano passado, quando totalizaram US$ 775,5 milhões. Ainda assim o destino ocupa a segunda posição do ranking, com fatia de 15,4%, atrás somente da Argentina, com 38,2%.
Neste período, porém, o tarifaço do presidente estadunidense Donald Trump ainda não estava efetivo. Tudo indica que o tombo será ainda maior no acumulado dos oito meses do ano, de acordo com dados divulgados pelo Sindipeças, reflexo da medida que vigora há pouco mais de um mês.
Exemplo de uma das tantas empresas impactadas pela sobretaxação de 50%, é a Forbal Automotive, de Flores da Cunha, RS, que em março deste ano abriu centro de distribuição em Tampa, na Flórida, após investir R$ 4 milhões em planejamento de expansão das vendas ao país iniciado dois anos atrás.
Estimulada pela demanda de fabricantes de máquinas agrícolas como John Deere, CNH Industrial e AGCO, suas clientes de peças e componentes para máquinas agrícolas no Brasil, a Forbal tinha projeção de ampliar em 20% seu faturamento – muito por causa da novidade com o entreposto, cuja proposta é dar celeridade às operações e obter o mesmo nível de eficiência logístico.
“De fato poucas empresas ou clientes terão condições de dividir esta conta ou absorver as taxas extras”, assinalou o CEO Giuliano Santos. “Isto estabelece cenário em que, em alguns casos, os negócios podem ser tornados inviáveis. É tudo muito desafiador.”
Para tentar manter a representatividade junto aos clientes estadunidenses, Santos contou que o plano inclui oferecer garantia de fornecimento, levar credibilidade à mesa de negociação, garantir condições comerciais e buscar alternativas em classificação fiscal de produtos, até para justificar o investimento feito no país:
“As potenciais compradoras, no entanto, colocam muitas dúvidas e reticências durante a negociação. Ainda não perdemos clientes porque todos são de longo prazo. Talvez não tenhamos sido nomeados para alguns novos negócios. Temos o sentimento de que negociações que estavam em andamento desaceleraram. Todo mundo está neste compasso de espera, o que é prejudicial para a economia como um todo”.
O plano, no início do ano, era que 20% do faturamento da empresa fosse obtido com exportações mas, diante da situação, hoje está em 15% e assim deverá continuar. Para Santos, se as coisas estivessem em um ritmo normal, o índice não somente seria alcançado como também revisado para cima. Em paralelo a empresa trabalha para diversificar os destinos, como, por exemplo, países africanos.
Fabricantes de componentes automotivos estão entre os mais afetados. Foto: Adonis Guerra
Embarques do ABC Paulista recuam em agosto
Segundo informações da subseção do Dieese no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC somente no mês passado as exportações da base da entidade para os Estados Unidos caíram 63,7% frente a agosto de 2024, com destaque para São Bernardo do Campo, em que a retração alcançou 69,5%.
A nota técnica mostra que, apenas de janeiro a agosto, estas exportações encolheram US$ 60 milhões, o que inclui produtos de alto valor agregado, como máquinas-ferramenta, componentes automotivos e itens metalúrgicos – os mais afetados. No ano passado a região exportou cerca de US$ 750 milhões para os Estados Unidos, sendo 78% ligado à indústria metalúrgica.
Uma das empresas que estão sentindo o baque do tarifaço no ABC Paulista é a Polimold: 25% do que exporta aos Estados Unidos é dedicado ao setor automotivo, o que é representado por sistemas de injeção com câmara quente fabricados em São Bernardo.
“A Polimold existe há 52 anos e posso afirmar que nunca vi uma crise como esta”, afirmou o fundador e presidente Alexandre Fix. “Desde o ano passado a situação já vinha ruim, e agora, com o tarifaço, piorou.”
Com o tarifaço Fix afirmou que seu lucro obtido com essas operações despencou. “Mas, como não quero perder os Estados Unidos como cliente, apesar do Trump, que uma hora não estará mais no poder, prefiro abrir mão do lucro agora”.
As exportações de moldes de componentes que seguem para ferramentarias são realizados por meio de um distribuidor estadunidense. E, até o momento, a opção tem sido negociar a divisão da sobretaxa pelas partes.
Linha de produção de placas de moldes e sistemas de câmara quente da Polimold. Foto: Divulgação.
A vantagem da empresa é que, embora 20% do que produza em termos de câmara quente abasteça o setor automotivo, como os negócios são pulverizados e atendem a diversos segmentos, como o calçadista e outros de injeção de plástico, é possível equalizar a equação em tempos turbulentos.
Embora a exportação para os Estados Unidos corresponda a menos de 10% do total e, deste volume, 20% refiram-se à indústria automobilística, conforme destrinchou o coordenador de vendas técnicas da Polimold, André Barrant, a companhia já iniciou busca por outros sistemistas em mercados na América Latina, Europa e Ásia.