Igarapé, MG – Conhecido por sua diversificação de negócios, que vão do transporte e logística, concessionárias e fabricante de autopeças a time de vôlei e veículos de comunicação, o Grupo Sada prepara-se para sua nova investida: a reciclagem de veículos. Com aporte de R$ 200 milhões o plano é, assim que o governo federal regulamentar o capítulo do Mover, Programa de Mobilidade Verde e Inovação, que dispõe sobre a reciclabilidade, iniciar a operação na unidade de Igarapé, MG. A previsão da empresa é fim deste ano, mais tardar no início do próximo.
Diferentemente do recém-criado Circular Autopeças, da sua principal cliente, a Stellantis, pelo qual veículos serão desmontados para comercializar peças usadas e remanufaturadas, na Igar, iniciativa da Sada, o objetivo é tirar de circulação veículos mais antigos e que tenham dado perda total, extrair os materiais, como vidro, alumínio, aço e borracha, dentre outros, e endereçá-los a empresas que reciclam os produtos e os reutilizam como insumos.
“A Igar vem para ser o túmulo do carro, o fim de vida do ciclo”, disse Mark Watson, gerente de operações da recicladora. Com capacidade de processamento de 300 mil carros por ano a operação ocupa área de 80 mil m² e dispõe de 1 mil 245 vagas para veículos e/ou carcaças e 22 para cegonhas.
O espaço, que se assemelha a uma linha de produção com alto índice de automação, até por questão de segurança, será, segundo Watson, o maior centro de reciclagem da América Latina: “Hoje não existe operação como esta na região. Trata-se de projeto pioneiro que desmonta cem carros por hora, o equivalente a 1 mil carros por dia”.
O primeiro passo é a descontaminação, quando as baterias são enviadas a recicladoras especializadas. Depois as rodas são trituradas, assim como os arames de dentro dos pneus e, estes, são cortados para evitar recapagem, e enviados a empresas de borracha. Os vidros removidos caem em uma esteira que junta os cacos, os óleos são refinados e o catalisador é removido e torna-se sucata.
Os bancos, o estofamento e outros itens emborrachados são transformados em insumo para gerar energia elétrica. O aço e o alumínio são reaproveitados por siderúrgicas ou tornam-se matéria-prima para outra unidade do grupo, a OMR Componentes Automotivos, que fabrica componentes da parte inferior de blocos de motor para a Stellantis em Betim, MG.
“É diferente do conceito de remanufatura, em que, por exemplo, aproveita-se uma porta que não sofreu dano estrutural. Aqui tudo se transforma em matéria-prima”, disse, ao contar que o centro é capaz de gerar de 100 a 120 toneladas de sucata geral por hora, e o moinho que praticamente amassa a estrutura metálica do carro absorve até dois veículos por minuto.

Watson contou que o Grupo Sada amadureceu o projeto ao longo de dez anos e que acabou sendo impulsionado pelo Mover, que trará regras para a atividade: “A rastreabilidade é algo imprescindível, e estaremos em linha com as normas para que possamos emitir certificado da desmontagem do veículo no fim de sua vida útil”.
A Igar também terceirizará sua operação para empresas que precisem do certificado. O gerente de operações estima que haja 45 milhões de veículos com idade de 20 a 25 anos e 8 milhões de carros parados em pátios de Detran e de seguradoras.
“O potencial é enorme. Agora vamos esperar se no dia 1º de novembro serão validadas as regras da reciclabilidade para iniciar a operação que, no momento, está em fase pré-operacional. É preciso que haja política pública clara que incentive a desmontagem deste tipo de veículos antigos para que o Brasil inicie uma mudança de cultura.”
O centro de desmontagem começará a operar com quatro linhas mas há potencial para expandir para nove conforme a demanda para a reciclagem de todo tipo de veículo – de outros objetos recicláveis, como eletrodomésticos, inclusive – e avance. Afinal de contas a pulverização dos negócios é intrínseca ao DNA do Grupo Sada.
