Três modelos nacionais começam a ser vendidos ainda este ano. Executivos chineses afirmam que Brasil é base produtiva estratégica para a América Latina
Iracemápolis, SP – A primeira unidade produtiva da fabricante chinesa GWM no Hemisfério Sul e nas Américas começou a sua história no Interior paulista, em cerimônia com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e com Mu Feng, CEO global, ao lado de dois dos três modelos nacionais: a picape Poer P70 e o SUV de sete lugares Haval H9.
O primeiro a sair das linhas de Iracemápolis, SP, é o já conhecido Haval H6 híbrido. O presidente Lula até finalizou a fabricação, instalando o bedge do primeiro H6 nacional. Em duas semanas terá início a produção da picape Poer e, em um mês, a do Haval H9, ambos equipados com motor turbodiesel.
Esta é a terceira fábrica da GWM fora da China e conta com base quase completa de produção: armação de carroçaria, pintura e montagem final – as outras estão localizadas na Rússia e na Tailândia.
O presidende Lula usou boa parte do seu discurso para reforçar a posição de que são feitas acusações mentirosas e aplicadas imposições tarifárias aos Brasil, as quais ele continuará refutando e negociando, na medida do possivel. Sobre a nova fábrica ele ressaltou a iniciativa chinesa: “Façam do Brasil a sua plataforma de produção para a América Latina. Vocês serão muito bem tratados aqui”.
Em seu primeiro pronunciamento no País Mu Feng, CEO Global, enfatizou: “Nosso conceito é valorizar a produção local. O Brasil possui excelente capacidade de integração regional. É o sexto mercado global. Este dia representa nossa entrada estratégica na América Latina. Isso vai encurtar distâncias e prazos, elevar a cadeia produtiva, a reputação da marca e gerar muitos empregos”.
Com área total de 1,2 milhão de m² e área construída de 94 mil m² a unidade da GWM no Brasil tem capacidade para produzir 50 mil veículos por ano. A estrutura, adquirida em 2021 da Mercedes-Benz, conta com área de soldagem, linha de pintura robotizada e linha de montagem final.
Neste primeiro momento a unidade conta com seiscentos trabalhadores e, segundo a empresa, deve gerar até o fim do ano cerca de 1 mil empregos diretos: “Quando estivermos prontos para iniciar exportações na região teremos no total 2 mil pessoas trabalhando em Iracemápolis”, contou Parker Shi, presidente da GWM Internacional.
Fabricação de verdade
Durante a primeira visita oficial às linhas de Iracemápolis verificamos que os processos produzem vários itens e não simplesmente montam kits quase prontos. Na armação de conjuntos, por exemplo, são oitenta pessoas soldando 181 peças do Haval, 71 itens do assoalho do H9 e outras 152 partes da picape Poer. Os dezoito robôs da Fanuc são encarregados de juntar cabine, assoalho e outros itens maiores, de acordo com a configuração da carroçaria. Todo esse processo leva 145 minutos para concluir toda a armação.
Na pintura quatro estações robotizadas finalizam o processo completo de até 9 veículos/hora. 100% dos veículos produzidos no Brasil serão pintados nesta cabine.
A operação brasileira seguirá o sistema de importação peça por peça, que conta com conteúdo nacional. A GWM trabalha com a integração de peças com 110 empresas brasileiras, mas neste primeiro momento são dezoito cadastradas para fornecer aos três veículos. São elas BASF, Bluar, Bosch, Chemetall, Chemours, Clarios, Continental, Dupont, Eftec, Goodyear, L&L, PPG, Petronas, Saint Gobain, Sika, Toro, Total e Unipac.
O objetivo da GWM é que metade das suas vendas globais sejam produzidas fora da China. No ano passado foram 450 mil vendidas fora da China ou seja, 35% das suas vendas totais.