Primeira quinzena avança 2% com bom desempenho do Carro Sustentável

São Paulo – Foram licenciados na primeira quinzena de agosto 103,1 mil automóveis e comerciais leves, resultado 2,3% superior ao do mesmo período do ano passado, 100,8 mil, e 9,8% acima do registrado em julho, 93,9 mil. Segundo a Bright Consulting, que forneceu os dados do Renavam, o mercado segue a tendência de recuperação observada desde o fim do mês passado, quando foi publicado o decreto do Carro Sustentável.

A consultoria destacou o crescimento de 31,1% nas vendas de hatches, comparado com a primeira quinzena de julho, com mix majoritariamente formado por modelos com motores aspirados. São os veículos credenciados ao Carro Sustentável, hatches aspirados, em sua maioria.

As vendas diretas responderam por 45% dos emplacamentos de veículos leves na primeira quinzena, somando 46,3 mil unidades, 2,8% acima de agosto de 2024. O showroom avançou 2% na mesma comparação, somando 56,8 mil emplacamentos.

Os eletrificados alcançaram 11% do mercado, com 11,3 mil licenciamentos na quinzena. Sobre julho o crescimento foi de 15,2% e com relação a agosto do ano passado de 73,6%. A maior parte foram veículos BEV, 34,3%, seguidos por PHEV, 25,7%, MHEV, 22,4%, e HEV, 17,7%.

Em ano de 1 milhão de SUVs a Jeep defende seu território

Mendoza e Potrerillos, Argentina – No ano em que, pela primeira vez, mais de 1 milhão de SUVs deverão ser vendidos no mercado brasileiro, com participação nas vendas de veículos leves acima dos 40%, a Jeep, marca que se dedica 100% ao segmento, traça planos para defender um território em boa parte sob seu domínio desde que começou, há dez anos, a produzir seus veículos no Brasil, na fábrica de Goiana, PE, inaugurada em 2015.

A demanda por SUVs no País cresceu tanto quanto o número de concorrentes neste segmento do mercado, o que foi turbinado pela chegada, nos últimos cinco anos, dos modelos elétricos e híbridos chineses.

“Em vinte anos no mercado nunca vi tantos lançamentos de SUVs”, afirmou o vice-presidente responsável pela marca Jeep na América do Sul, Hugo Domingues, em entrevista durante o lançamento do Commander 2026, na Argentina. “Só este ano já conto 23 lançamentos de SUVs, treze deles chineses nas categorias C-SUV [médios] e D-SUV [grandes, o segmento do Commander]. Diante disto é claro que precisamos ajustar as estratégias.”

Além de reestilizar os modelos e ampliar o pacote de tecnologias embarcadas a Jeep também aplica uma política mais agressiva de preços, com manutenções e até mesmo cortes relevantes com relação a versões anteriores – o Compass 2026 foi lançado com reduções de até R$ 20 mil e no caso do Commander 2026, o mais caro e sofisticado da linha de produtos nacionais e, portanto, com mais gordura para queimar, os descontos foram aplicados em todas as suas cinco versões, variando do mínimo de R$ 6 mil ao máximo de R$ 16 mil, este aplicado justamente sobre a opção mais cara da gama.

Mesmo assim a ideia com isto não é ampliar muito o terreno da marca, mas apenas defendê-lo, porque a fábrica de Goiana não tem capacidade para produzir muito mais do que as 160 mil unidades programadas para este ano dos três modelos Jeep nacionais, 130 mil para o mercado brasileiro e o resto para exportação para países da América do Sul.

Manter a fatia, no caso da Jeep, é segurar uma porção em torno de 5% das vendas totais do mercado brasileiro, e parcela de 12% a 15% do segmento de SUVs. Disse Domingues: “Se pudesse até venderia mais, mas estamos no máximo que a capacidade da fábrica pode nos entregar no momento”.

A grande maioria das vendas da Jeep é feita com a rentabilidade do varejo, inclusive aquelas com faturamento direto da fabricante a pequenos empresários são negociadas dentro das 248 concessionárias no País. O porcentual de negócios com locadoras, segundo o vice-presidente, “é muito baixo, algo como 7,5% a 8% do total este ano, não mais que 10 mil unidades”, volume bastante abaixo da média geral do mercado de locadoras, que em 2025 deve consumir de 650 mil veículos, de 20% a 25% do total projetado de vendas para o ano.

Segundo o executivo a Jeep está melhor posicionada dentre os C-SUVs, os médios, representada pelo Compass, que detém 28% das vendas do segmento. Dentre os pequenos B-SUVs – a mais concorrida do mercado com mais de quinze modelos na disputa, mas com pouca concorrência chinesa – o Renegade tem atualmente cerca de 8% das compras.

Já o Commander, na categoria dos D-SUVs grandes, divide quase que por igual as preferências com os outros dois concorrentes de sete assentos, mas no primeiro semestre deste ano ficou poucas centenas de unidades atrás do Caoa Chery Tiggo 8 e registrou 1 mil emplacamentos a menos que o Toyota SW4.

Os modelos nacionais híbridos da Jeep – o primeiro deles chega em 2026 – devem ajudar na disputa mas Domingues avalia que não deverão alterar muito o mix de vendas, pois os SUVs a combustão ainda representam de 75% a 80% das vendas do segmento no País: “Teremos várias tecnologias de híbridos e vários modelos, vamos ajustar de acordo com o mercado”.

Avenger vem aí

Avenger: SUV compacto será produzido em Porto Real, RJ, a partir de 2026. (Foto: Divulgação/Jeep)

A principal aposta da Jeep para, de fato, turbinar suas vendas no País será o início da produção nacional do Avenger, prevista para o ano que vem. O modelo compacto posiciona melhor a marca no segmento que mais cresce no Brasil, o de B-SUVs, e será produzido na fábrica da Stellantis em Porto Real, RJ, o que já o livra do problema da limitação de capacidade vivido em Goiana.

Na Europa o Avenger também tem versões híbridas disponíveis: “Lá o modelo é um sucesso, está faltando carro para entregar”.

Ele espera repetir no Brasil o mesmo sucesso que o SUV compacto está fazendo no primeiro país sul-americano a recebê-lo, o Chile, que não cobra imposto de importação e há dois meses começou a trazer o modelo de fábrica na Polônia: “Com o Avenger quase que dobramos nossa participação no mercado chileno. E lá 60% das vendas são do modelo a combustão com câmbio manual”.

Jeep Commander 2026 muda pouco e fica mais barato para jogar melhor

Mendoza e Potrerillos, Argentina – Em time vencedor não se mexe mas é aconselhável ajustar a tática quando o adversário pressiona. Assim vem agindo a Jeep diante da perda de posse de bola para a crescente concorrência chinesa. O mais recente lance dessa disputa é a reestilização de meia vida do Commander, o mais sofisticado SUV produzido no Brasil, que ao ser apresentado em seu ano-modelo 2026 teve poucas alterações estéticas e muitas nos preços, reduzidos de R$ 6 mil a R$ 16 mil em todas as cinco versões que chegaram às concessionárias em 18 de agosto.

Na apresentação do Commander 2026 à imprensa e concessionários, em Mendoza, Argentina, o SUV de grande porte e sete assentos foi comparado em suas qualidades pela própria fabricante com quatro concorrentes presentes no mercado brasileiro, três deles chineses: os importados híbridos GWM Haval H6 e BYD Song Pro, e o mais próximo Chery Tiggo 8, também com sete assentos, que tem versões a combustão montadas em kits CKD importados pela Caoa em Anápolis, GO, e híbrido plug-in importado completo da China.

Hugo Domingues compara o Jeep Commander com quatro concorrentes, três deles chineses: situação improvável há poucos anos. (Foto: Pedro Kutney)

Esta comparação parecia improvável há apenas quatro anos, quando o Commander foi lançado, em 2021, como primeiro Jeep desenvolvido fora dos Estados Unidos, produzido na fábrica da Stellantis em Goiana, PE. Por isto o vice-presidente responsável pela marca Jeep na América do Sul, Hugo Domingues, justifica a mudança na tática: “Em vinte anos no mercado nunca vi tantos lançamentos de SUVs. Só este ano são 23, treze chineses, todos nas categorias C-SUV [médios] e D-SUV [grandes, o segmento do Commander] que concorrem conosco. Diante disto é claro que precisamos ajustar os planos”.

Na traseira do Commander agora as lanternas de LED são unidas por um filete luminoso (Foto: Divulgação/Jeep)

Híbridos também virão

Domingues afirma que a concorrência com a tecnologia de propulsão híbrida que os SUVs chineses concorrentes têm, e o Commander não, ainda não preocupa e não foi a causa de mudanças no plano de de preços, pois atualmente, no Brasil, ele calcula que de 75% a 80% dos SUVs vendidos nesta faixa de valor mais alto do mercado têm só motor a combustão: “No Commander oferecemos a mais ampla gama de motorização: turboflex, turbodiesel e o Hurricane a gasolina, é o que os clientes querem”.

O executivo revela que a gama nacional da Jeep, produzida em Pernambuco, terá seu primeiro híbrido em 2026: “Temos acesso a todas as tecnologias, híbrido plug-in ou leve, e a intenção é oferecer várias opções em vários modelos, vamos ajustar de acordo com a demanda”, disse o executivo, ainda guardando segredo sobre quais modelos terão versões híbridas e sobre o sistema escolhido.

Sem capacidade para crescer

Domingues avaliou que a Jeep está atualmente apenas defendendo seu terreno para não perder o espaço já conquistado, pois atualmente a fábrica de Goiana opera em três turnos, no topo de sua capacidade, e nem tem como fornecer mais veículos ao mercado: “Venderia mais se pudesse mas estamos limitados pela produção”. Segundo ele a projeção este ano é vender 130 mil Jeep no Brasil e outros 30 mil nos demais países da América do Sul.

“É o máximo que podemos produzir no momento.”

Na dianteira do Commander 2026 os novos faróis de LED e grade mais afilados dão impressão de maior largura (Foto: Divulgação/Jeep)

No caso do Commander o campo a defender é o varejo – vendas do modelo a locadoras praticamente inexistem – do segmento D-SUV, que atualmente representa de 12% a 15% das vendas de SUVs no País. Nos primeiros sete meses deste ano o Jeep ficou um pouco atrás dos outros dois concorrentes de sete assentos: Caoa Chery Tiggo 8 e Toyota SW4.

O Commander registrou 8,5 mil unidades vendidas de janeiro a julho, em tendência de estabilidade sobre o mesmo período de 2024, com ligeira baixa de 2,7% nos emplacamentos.

Além dos reajustes para baixo nos preços a Jeep reduziu de seis para cinco as versões do Commander 2026 – a Overland Hurricane foi tirado de lista. Domingues projeta que as três opções mais baratas, com motor nacional turboflex etanol-gasolina de 176 cvs e câmbio automático de seis marchas, Longitude, Limited e Overland, seguirão representando metade das vendas.

O topo de gama Blackhawk, equipado com o motor importado a gasolina Hurricane 2.0 de 272 cv e câmbio automático de nove marchas, deverá reduzir sua fatia de 30% para 25%, mesmo sendo a opção do portfólio que recebeu o maior desconto no preço, de R$ 16 mil na comparação com o ano-modelo 2025.

Já a versão Overland turbodiesel, que este ano passou a usar o motor Multijet 2.2 de 200 cv com transmissão automática de nove marchas – o powertrain também é todo importado –, deverá aumentar sua participação no mix de 20% para 25%. É a opção que teve a menor redução no preço: R$ 6 mil.

“De 2020 a 2023 o preço do diesel subiu muito e as vendas caíram, por isto retiramos de linha as versões diesel de Renegade e Compass, mas no Commander o cliente segue valorizando esta opção e a autonomia de mais de 800 quilômetros com um tanque, por isto é importante manter a opção no portfólio”, justifica Domingues.

Margem da represa de Potrerillos, perto de Mendoza, Argentina: ambiente escolhido pela Jeep para apresentar o Commander 2026 e suas capacidades off-road. (Foto: Divulgação/Jeep)

O executivo avalia que o Commander diesel continuará com seu espaço garantido no portfólio mesmo após a entrada em vigor, a partir de outubro, da nova tabela de IPI, que dentre diversas classificações prevê acréscimo de 12 pontos porcentuais na alíquota básica de 6,3% para SUVs 4×4 a diesel. Segundo calcula Domingues isto não causará aumento relevante no preço final porque veículos leves de passageiros a diesel já pagam o maior imposto possível e a nova tributação acrescentará somente 1,5 ponto ao IPI aplicado atualmente.

Retoques aprimorados

Para além dos preços a Jeep mexeu pouco no Commander, que desde seu lançamento, em 2021, passou por poucas modificações e soma 70 mil unidades vendidas no Brasil, para público de alta renda – os preços da gama atual partem de R$ 221 mil e chegam a R$ 325 mil – e altamente fiel a uma das qualidades do SUV: amplo espaço interno e sete assentos. “Quando lançamos a opção do Commander com cinco lugares, mesmo com desconto de R$ 8 mil no preço, a procura foi muito pequena, por isto tiramos de linha e passamos a oferecer só o de sete lugares”, conta Domingues.

O enorme espaço interno e sete assentos são as qualidades mais apreciadas pelos clientes do Commander (Foto: Divulgação/Jeep)

Justamente para não desagradar o público que gosta do Commander como ele é a Jeep fez apenas pequenos aprimoramentos estéticos no SUV. Foram adotados nova grade dianteira, para-choque e faróis mais afilados, que garantem aparência mais fina e larga. A mudança tem efeito aerodinâmico, com o perfil de shark nose, ou nariz de tubarão. A traseira recebeu novas lanternas de LED, agora interligadas por um filete luminoso. As rodas de 18 ou 19 polegadas também são novas, com quatro desenhos diferentes, um exclusivo para cada versão.

Novo design dianteiro do Commander garantiu ao SUV o perfil shark nose, nariz de tubarão, que melhora a aerodinâmica do veículo (Foto: Divulgação/Jeep)

No interior da sua espaçosa cabine o Commander recebeu novos e caprichados revestimentos, com cores sóbrias que variam do preto ao bronze, dependendo da versão. As duas opções mais caras, Overland Turbodiesel 2.2 e Blackhawk Hurricane 2.0, no lugar da alavanca do câmbio automático agora figura no console central um botão seletor rotatório prateado, o rotary shift.

Painel tecnológico do Commander abriga quadro de instrumentos digital, tela tátil da central multimídia e, no console, versões de topo agora têm um seletor rotativo para escolha das marchas do câmbio automático (Foto: Divulgação/Jeep)

O pacote de conforto e segurança do Commander segue sendo bastante completo, faz jus ao título de carro mais sofisticado produzido no Brasil. São seis airbags na versão de entrada Longitude e sete nas quatro demais, incluindo também bolsa de ar para os joelhos do motorista.

Todas as versões são equipadas com ADAS nível 2, sistemas avançados de assistência ao motorista, incluindo alerta de colisão frontal com frenagem automática de emergência, detecção de ponto cego e de tráfego cruzado, alerta de mudança de faixa, assistente de centralização em faixa, detector de fadiga do motorista, reconhecimento de placas de velocidade, comutação automática de faróis, piloto automático adaptativo ACC e detecção de mãos fora do volante.

Da versão Overland para cima é agregada câmara 360°, que simula imagens ao redor do carro na tela central de 10,1 polegadas.

As duas versões 4×4 do Commander combinam luxo com grande capacidade off-road (Foto: Pedro Kutney)

O Commander segue sendo um veículo luxuoso com grande capacidade off-road em suas duas versões de topo, Overland turbodiesel e Blackhawk turbogasolina, ambas com powertrain 100% importado, incluindo motores, transmissões 4×4 e sistemas eletrônicos que tornam fácil a passagem pelos mais complicados terrenos fora do asfalto.

Todas as versões também vão muito bem no asfalto. O motor a gasolina Hurricane 2.0 de 272 cv já mostra suas potentes qualidades desde que a opção foi lançada no Brasil, em 2024, a bordo de Compass e Commander, com o qual leva as quase 2 toneladas do SUV de 0 a 100 km/h em 7 segundos, em comparação com 10,3 segundo quando equipado com o T270 turboflex de 176 cv, segundo medições da fabricante.

Já o Multijet 2.2 de 200 cv é novidade aplicada ao Commander este ano, em substituição ao motor diesel 2.0, com resultado bastante bom: o modelo tem baixos níveis de vibração e ruído, condução muito confortável e não falta potência, acelerando de 0 a 100 km/h em 9,7 segundos.

No asfalto o Commander também vai bem, com conforto e potência (Foto: Divulgação/Jeep)

O Commander segue sendo um SUV de alto nível, comparável aos melhores modelos importados da mesma categoria, extremamente confortável e agradável de dirigir, tanto no asfalto como na terra. Por tudo isto, ainda que mais barato do que antes, cobra seu preço.

Versões e preços do Jeep Commander 2026

> Longitude T270 – R$ 220 mil 990 [redução R$ 10,5 mil]

Principais itens de série: • Motor turboflex 176 cv 270 Nm • Câmbio automático 6 marchas • Jeep Traction Control • Direção elétrica • Ar-condicionado • Acionamento elétrico de vidros, travas e retrovisores externos • Quadro de instrumentos digital 10,25’’ • Central multimídia com tela tátil de 10,1’’ • Sistema de som Jeep com 6 alto-falantes • Espelhamento sem fio do smartphone • Bancos revestidos em couro preto • Acionamento elétrico da tampa do porta-malas • Rodas liga leve 18’’ com design exclusivo • Faróis de LED • Lanternas traseiras de LED • 6 airbags • ADAS nível 2 [frenagem automática de emergência, detecção de ponto cego e de tráfego cruzado, alerta de mudança de faixa, assistente de centralização e manutenção na faixa, detector de fadiga do motorista, reconhecimento de placas de velocidade, comutação automática de faróis, piloto automático adaptativo ACC, detecção de mãos fora do volante]

> Limited T270 – R$ 246 mil 990 [redução R$ 11 mil]

Todos os itens do Longitude mais:• APP smartphone Adventure Intelligence com assistente Alexa integrada • 7 airbags • Monitoramento de Ponto Cego BSM • Carregador de celular sem fio • Bancos e painel revestidos em couro e suede preto e cinza • Banco com ajustes elétricos para o motorista • Sistema de som Harman Kardon com 9 alto-falantes • Rodas liga leve 18’’ com design exclusivo

> Overland T270 – R$ 273 mil 990 [redução R$ 7 mil]

Todas os itens do Limited mais: • Câmera 360° • Roda liga leve 19’’ com design exclusivo • Bancos revestidos em couro e suede marrom • Banco do passageiro com ajustes elétricos • Banco do motorista com memória • Teto solar panorâmico • Molduras inferiores pintadas • Abertura elétrica do porta-malas com sensor de presença

> Overland 2.2 Turbodiesel 4×4 – R$ 308 mil 490 [redução R$ 6 mil]

Todos os itens do Overland Flex mais: Motor turbodiesel 2.2 de 200 cv 450 Nm • Câmbio automático de 9 marchas • Seletor do câmbio com botão giratório Rotary Shift • Tração 4×4 automática Active Drive Low com seletor de terrenos

> Blackhawk Hurricane 4×4 – R$ 324 mil 990 [redução R$ 16 mil]

Todos os itens do Overland Turbodiesel mais: • Motor Hurricane 2.0 de 272 cv 440 Nm • Câmbio automático de 9 marchas • Roda liga leve 19’’ com design exclusivo escurecido • Pinças de freios vermelhas • Acabamentos em preto • Bancos exclusivos

GWM inicia operações na primeira fábrica já pensando na segunda

Iracemápolis, SP – A inauguração da unidade no Interior paulista representa apenas uma fração do objetivo da GWM na América Latina. Abordando as limitações produtivas em Iracemápolis Parker Shi, presidente das operações internacionais, disse a jornalistas que a empresa tem planos firmes de ampliar sua presença no País: “Esta fábrica não atenderá o grande plano que temos, que é produzir de 250 mil a 300 mil unidades no Brasil. Então não se trata da limitação da estamparia. Precisamos de uma fábrica maior”.

Esse plano ousado encontra-se agora em estudos de viabilidade e de convencimento dos principais executivos chineses para que tenha sequência: “Esta é mais uma razão da presença de Mu Feng, nosso CEO global, aqui. Ele veio conhecer o potencial e nossas ambições de internacionalização com foco no Brasil”.

Shi avalia que o ticket médio dos veículos que vende no País, em torno de R$ 200 mil, atende somente 20% do mercado.

“A maior parte dos consumidores brasileiros e da região têm poder de compra abaixo dos R$ 200 mil, R$ 150 mil. E isto é muito importante. Estamos pensando em produtos que atendam a esta faixa de possibilidades.”

Por isto o momento é de estudos e de muita conversa com potenciais candidatos a abrigar uma nova fábrica da GWM no País. A intenção, ao que tudo indica, é que sejam produtos de alto volume, equipados com todo tipo de propulsão.

A GWM está cadastrada no Mover e terá um centro de P&D no Brasil. Shi disse que terá em seu portfólio nacional todo tipo de propulsão: híbrido, híbrido plug in, diesel, elétrico e possivelmente híbrido flex. A GWM também tem uma iniciativa de desenvolvimento da propulsão a hidrogênio, com um caminhão rodando em testes no País.

O que foi chamado de plano maior para o Brasil faz parte de estratégia global da fabricante chinesa de capital 100% privado produzir metade das suas vendas totais fora do seu país.

No ano passado a GWM vendeu 450 mil veículos fora da China, o que representou 35% das suas vendas totais. Destes, 180 mil unidades foram feitas nas unidades da Rússia e da Tailândia. O Brasil é a terceira base produtiva da GWM fora da China.

GWM inaugura fábrica de Iracemápolis com três modelos nas linhas

Iracemápolis, SP – A primeira unidade produtiva da fabricante chinesa GWM no Hemisfério Sul e nas Américas começou a sua história no Interior paulista, em cerimônia com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e com Mu Feng, CEO global, ao lado de dois dos três modelos nacionais: a picape Poer P70 e o SUV de sete lugares Haval H9.

O primeiro a sair das linhas de Iracemápolis, SP, é o já conhecido Haval H6 híbrido. O presidente Lula até finalizou a fabricação, instalando o bedge do primeiro H6 nacional. Em duas semanas terá início a produção da picape Poer e, em um mês, a do Haval H9, ambos equipados com motor turbodiesel.

Esta é a terceira fábrica da GWM fora da China e conta com base quase completa de produção: armação de carroçaria, pintura e montagem final – as outras estão localizadas na Rússia e na Tailândia.

O presidende Lula usou boa parte do seu discurso para reforçar a posição de que são feitas acusações mentirosas e aplicadas imposições tarifárias aos Brasil, as quais ele continuará refutando e negociando, na medida do possivel. Sobre a nova fábrica ele ressaltou a iniciativa chinesa: “Façam do Brasil a sua plataforma de produção para a América Latina. Vocês serão muito bem tratados aqui”.

Em seu primeiro pronunciamento no País Mu Feng, CEO Global, enfatizou: “Nosso conceito é valorizar a produção local. O Brasil possui excelente capacidade de integração regional. É o sexto mercado global. Este dia representa nossa entrada estratégica na América Latina. Isso vai encurtar distâncias e prazos, elevar a cadeia produtiva, a reputação da marca e gerar muitos empregos”.

Com área total de 1,2 milhão de m² e área construída de 94 mil m² a unidade da GWM no Brasil tem capacidade para produzir 50 mil veículos por ano. A estrutura, adquirida em 2021 da Mercedes-Benz, conta com área de soldagem, linha de pintura robotizada e linha de montagem final.

Neste primeiro momento a unidade conta com seiscentos trabalhadores e, segundo a empresa, deve gerar até o fim do ano cerca de 1 mil empregos diretos: “Quando estivermos prontos para iniciar exportações na região teremos no total 2 mil pessoas trabalhando em Iracemápolis”, contou Parker Shi, presidente da GWM Internacional.

Fabricação de verdade

Durante a primeira visita oficial às linhas de Iracemápolis verificamos que os processos produzem vários itens e não simplesmente montam kits quase prontos. Na armação de conjuntos, por exemplo, são oitenta pessoas soldando 181 peças do Haval, 71 itens do assoalho do H9 e outras 152 partes da picape Poer. Os dezoito robôs da Fanuc são encarregados de juntar cabine, assoalho e outros itens maiores, de acordo com a configuração da carroçaria. Todo esse processo leva 145 minutos para concluir toda a armação.

Na pintura quatro estações robotizadas finalizam o processo completo de até 9 veículos/hora. 100% dos veículos produzidos no Brasil serão pintados nesta cabine.

A operação brasileira seguirá o sistema de importação peça por peça, que conta com conteúdo nacional. A GWM trabalha com a integração de peças com 110 empresas brasileiras, mas neste primeiro momento são dezoito cadastradas para fornecer aos três veículos. São elas BASF, Bluar, Bosch, Chemetall, Chemours, Clarios, Continental, Dupont, Eftec, Goodyear, L&L, PPG, Petronas, Saint Gobain, Sika, Toro, Total e Unipac.

O objetivo da GWM é que metade das suas vendas globais sejam produzidas fora da China. No ano passado foram 450 mil vendidas fora da China ou seja, 35% das suas vendas totais.

Petrobras e Yara iniciam produção de Arla 32 no Brasil

São Paulo – A Yara anunciou a produção de arla 32 no Brasil, emparceria com a Petrobras. O relançamento marca a retomada das operações da Ansa, Araucária Nitrogenados, em Araucária, PR: após cinco anos parada, a unidade voltou a produzir em junho.  

A ureia automotiva gerada pela Yara em Brunsbüttel, Alemanha, será processada na Ansa para dar origem ao Air 1, marca do Arla 32 da empresa. De acordo com a Yara esta colaboração não apenas reintegra o Air 1 ao mercado brasileiro como também marca o início da produção local, na fábrica da Petrobras, deste agente indispensável para o tratamento de emissões, reduzindo a dependência de importações e fortalecendo a cadeia de suprimentos nacional.

As primeiras toneladas produzidas serão entregues a clientes no Paraná e em Santa Catarina, e a expectativa é que a produção alcance 3 milhões de litros por mês. Com demanda crescente pelo insumo frota de veículos próxima a 2 milhões de unidade requer cerca de 1 bilhão de litros de Arla 32 por ano.

A Petrobras anunciou o investimento de R$ 870 milhões na reativação da Ansa. Situada ao lado da Repar, Refinaria Getúlio Vargas, a unidade tem capacidade de produção de 720 mil toneladas de ureia por ano, o que corresponde a 8% do mercado. Gera, ainda, 475 mil toneladas de amônia por ano e 450 mil m³ de Arla 32 por ano.

Rogério Santucci é o novo CEO da Compre Sua Peça

São Paulo – A autotech Compre Sua Peça, que desenvolve soluções de vendas online para o setor automotivo, anunciou que tem um novo CEO, Rogério Santucci. O executivo foi nomeado pelo fundador Iago Átila, que até então exercia a função. Com o objetivo de promover o crescimento acelerado dos negócios Santucci terá, como foco principal, a expansão da base de clientes por meio de estratégias de vendas.

Especialista em crescimento e transformação digital Santucci acumula passagens por UOL, McAfee, Intel Security, Citibank e Credicard, além ter sido sócio-líder da prática de vendas e crescimento na Aceleradora 10X.

Formado como analista de negócios pela Unicamp ele tem MBAs em estratégia de marketing e gestão de negócios pela FGV e especializações na NYU, como estratégias de mídia digital, em estratégias para dispositivos móveis e startups no ecossistema digital.

Equalização de normas de emissões é caminho para elevar vendas na região

São Paulo – Desde 2022 as exportações de caminhões e ônibus fabricados no Brasil vêm diminuindo. No ano passado foram contabilizadas 34,2 mil unidades, volume 6,2% menor do que as 36,4 mil de 2023 e 16,3% inferior às 40,8 mil de 2022. Reflexo da expansão da concorrência nos países da América Latina que, com a entrada de novos competidores, reduziu a compra de unidades brasileiras.

Na avaliação de Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e serviços da Volkswagen Caminhões e Ônibus, a situação pode ser revertida e o pico pré-pandemia, de 47,2 mil unidades, novamente alcançado, se houver, dentre outros fatores, a equalização das normas de emissão de poluentes combinada à redução do custo Brasil.

“A competitividade de caminhões produzidos localmente está cada vez mais restrita. O mercado da América Latina é um outro Brasil”, disse, durante o 7º Congresso de Negócios da Indústria Automotiva Latino-Americana realizado por AutoData.

No ano passado foram comercializados, aqui, 147 mil veículos pesados e, de acordo com o executivo, a indústria brasileira tem potencial de exportar 50 mil no médio prazo, superando o recorde anterior, desde que haja o nivelamento das legislações de emissões, a padronização técnica dos produtos também na configuração de veículos, a ampliação de acordos comerciais e redução de tarifas para exportação.

“Alguns países ainda estão no Euro 3, outros no Euro 5 e, alguns, assim como o Brasil, no Euro 6. Felizmente temos visto a transição ao Euro 6 em alguns lugares, como no México, desde janeiro. Com maior volume o custo da tecnologia começa a ser rateada.”

O Brasil adota esta regra desde 2023 e a Colômbia desde 2024. No ano que vem será a vez do Chile e, em 2028, do Peru. No entanto ainda não está no radar da Argentina, onde segue o Euro 5 e onde, em março do ano passado, a Volkswagen Caminhões e Ônibus inaugurou fábrica de SKD — mesmo formato que a unidade produtiva do México.

Os países que permanecem no Euro 3 ou Euro 5 têm volumes cada vez menores, o que acaba gerando um custo inversamente proporcional: “Não é incomum termos custo de Euro 3 ou Euro 5 maiores que o de Euro 6. O que torna as exportações para estes locais um pouco mais complexos”.

Muitos países, apontou, gostariam de migrar do Euro 3 para o Euro 5, por exemplo, mas não há combustível compatível à tecnologia. Ou seja: esta defasagem técnica posterga a evolução da legislação das emissões.

Impostos seguem como pedra no sapato da indústria local

Somado a este desafio que acompanha a indústria automotiva é o custo Brasil. Segundo a CNI o país é o menos competitivo, de dezoito analisados, dentre eles México, Chile e Argentina. 

“A questão tributária propicia a falta de competitividade nos preços que cada país está disposto a pagar pelos nossos produtos. Por isto acabamos perdendo espaço com o surgimento de alternativas no mercado da América Latina.”

No ano passado mais de noventa montadoras comercializaram veículos na região.

O caminho, sentenciou Alouche, é desafiador. E a redução do custo Brasil necessidade urgente. Por outro lado, ressaltou, como habitualmente o faz, que o que vende caminhão é PIB, quase um espelho um do outro. E, na América Latina, os principais países têm indicação positiva para este ano. Alguns mais, como Argentina, de 4,6%, outros menos, como o México, que está passando por transição de emissões e problemas econômicos e geopolíticos recentes, com a questão do tarifaço, de 0,2%. Mas, na média, deverá crescer 2%. 

“Este cenário fortalece a renovação da frota. Se reduzirmos ou criarmos vantagem adicional sobre o custo Brasil nosso volume crescerá internamente, fortalecendo nossa indústria, estimulando investimentos e gerando empregos e, consequentemente, avançará na exportação.” 

Alouche acredita em potencial de vendas de 300 mil unidades na região: “A aspiração do cliente na América Latina é estabilidade econômica para o negócio dele, o que requer o mínimo de visão de médio e longo prazo. Além de preço e TCO, o que temos de sobra. Ou seja: o potencial é enorme”.

Marcopolo consolida sua presença internacional

São Paulo – Ricardo Portolan, diretor de operações comerciais mercado interno e marketing da Marcopolo, participou do 7º Congresso de Negócios da Indústria Automotiva Latino-Americana, realizado por AutoData, para falar sobre os planos da multinacional brasileira. Presente em 140 países a Marcopolo opera com três fábricas no Brasil, duas em Caxias do Sul, RS, e uma em São Mateus, ES, e oito no Exterior, Argentina, Colômbia, México, África do Sul, Austrália e China, além de um investimento na New Flyer, no Canadá.

No ano passado a receita da empresa foi de R$ 8,6 bilhões, alta de 28,6%. São 15,5 mil trabalhadores, dos quais mais de 12 mil no Brasil. A Marcopolo é líder no mercado brasileiro de ônibus rodoviários e micro-ônibus.

Oportunidades com a descarbonização

Os principais mercados de exportação da Marcopolo no primeiro semestre foram Chile, Argentina e Peru. A América Latina representa um forte potencial de expansão, por causa da necessidade de renovação de frotas e a busca por soluções de descarbonização. A presença global também ajuda a mitigar as oscilações nos mercados individuais.

A Marcopolo não acredita em uma solução única para a descarbonização, mas sim em um conjunto de tecnologias complementares, como ônibus elétricos, movidos a biometano, híbridos e a versão Euro 6 do diesel: “As soluções não estão numa direção só em termos de propulsão. Acreditamos, no futuro, em uma descarbonização com diferentes soluções e soluções complementares”.

Portalan enfatiza que a escolha da solução mais adequada depende da realidade de cada país e cidade, e que o sucesso da transição tecnológica exige coordenação e planejamento por parte da indústria, da infraestrutura e do poder público.

No entanto, o principal desafio é a complexidade de se adaptar às diversas legislações locais, especialmente com relação aos diferentes padrões de emissões Euro 2, 3, 4, 5 e 6.

“Olhamos mercado a mercado e fazemos a adequação de portfólio de produtos conforme a local e a necessidade dos clientes. Essas adaptações, que variam de país para país e, em alguns casos, de cidade para cidade, são parte do dia a dia da empresa e são gerenciadas por meio do seu sistema de classificação de projetos.”

Nos últimos três anos a Marcopolo investiu mais de R$ 300 milhões em pesquisa e desenvolvimento de produtos inovadores que atendam a requisitos de tecnologia, qualidade e segurança, sendo validados por laboratórios internos e externos.

Bolívia, Paraguai e Uruguai: a dura realidade de mercados tão desiguais.

São Paulo – Representantes dos setores automotivo da Bolívia, Paraguai e Uruguai apresentaram seus mercados e desafios no 7º Congresso de Negócios da Indústria Automotiva Latino-Americana, organizado por AutoData.

A Bolívia, com população de aproximadamente 12 milhões de pessoas, possui frota de cerca de 2 milhões de veículos, incluindo muitos contrabandeados, de acordo com a CAB, Câmara Automotiva Boliviana. O mercado automotivo local é impactado por crise econômica agravada por políticas inadequadas, alta informalidade, restrições às exportações e dificuldades na importação.

“A receita de divisas vem principalmente das exportações de Santa Cruz. As importações despencaram, com projeções de queda de mais da metade, causando concorrência desleal e dificuldades para os importadores, que dependem de pagamentos internacionais e de um mercado altamente inseguro”, contou Luis Orlando Encinas, diretor executivo da CAB.

A economia boliviana, segundo Encinas, enfrenta instabilidade cambial, com uma moeda artificial que chegou a valorizações extremas e queda na receita de divisas. O setor automotivo é altamente dependente de importações de marcas brasileiras, mexicanas e asiáticas, com potencial de crescimento de veículos elétricos e híbridos, impulsionado por incentivos fiscais.

A ausência de fábricas locais e a baixa confiança no governo dificultam investimentos, de acordo com o representante da CAB, enquanto as importações caem drasticamente devido à concorrência desleal e às políticas restritivas.

Encinas lembrou, também, as dificuldades com combustíveis, devido à alta porcentagem de etanol misturado e à baixa qualidade, o que dificulta a oferta de opções variadas e levou a cortes na quantidade e nos modelos de veículos importados.

Paraguai sofre com importação de usados antigos

A situação do setor automotivo não é muito melhor no Paraguai, de acordo com Diego José Lovera, gerente geral da Cadam, Câmara de Distribuidores de Automotrizes e Maquinarias do Paraguai, embora o país tenha um melhor cenário.

A economia está sólida, com crescimento moderado e aumento da renda per capita para cerca de US$ 20 mil, o que ajuda a reduzir a pobreza que hoje é estimada em 18%. A previsão é de crescimento de aproximadamente 4,5% em 2025 e 2026.

A frota de veículos cresce cerca de 6% ao ano, atingindo quase 2 milhões de veículos registrados em 2023, impulsionada pelas importações de veículos novos e usados, principalmente de Brasil, China, Argentina e Coreia do Sul.

A maioria dos veículos importados é usada, com média de idade de 15 a 16 anos, e apenas uma pequena parcela dentro do limite legal de 10 anos. O mercado automotivo é composto por 30% de carros novos e 70% de usados, muitos com mais de 16 anos, o que gera desafios ambientais, de segurança e tributários, além de problemas na fiscalização de veículos antigos e em más condições.

O uso de combustíveis é liderado pelo diesel, seguido pelo flex, gasolina e gás natural, com incentivos fiscais para veículos flex. Desde 2023 há inspeções obrigatórias para veículos usados, mas de critérios frouxos, permitindo a entrada de veículos mais antigos e poluentes. A idade média da frota é alta e envolve alterações mecânicas artesanais sem fiscalização adequada.

O Paraguai busca fortalecer sua cadeia produtiva automotiva por meio de política industrial que incentiva montagem e produção parcial de veículos com componentes regionais ou importados temporariamente, promovendo uma integração com Brasil e Argentina via Mercosul.

Atualmente 48% dos componentes de veículos utilizados são de origem regional ou produzidos no país, com potencial de expansão mediante maior coordenação regional.

Uruguai tem estabilidade e frota minúscula

A Ascoma, Associação de Concessionários de Marcas de Automotores do Uruguai, com 50 anos de atuação, analisou o mercado automotivo uruguaio, destacando sua estabilidade e relação com o crescimento econômico do país, que é impulsionado pela alta do PIB e pelo fortalecimento do setor de energia renovável, com incentivos fiscais para veículos elétricos.

De acordo com Fernando Rocca, secretário executivo da Ascoma, o mercado de veículos novos mantém-se estável, com crescimento em segmentos de caminhões e ônibus, e forte incremento na venda de veículos elétricos, que representam cerca de 20% daquele mercado, favorecidos pelas viagens curtas e altos custos de combustíveis.

A economia uruguaia, com crescimento em torno de 3% e baixos impostos sobre importação de veículos elétricos, conta com a produção de energia renovável, o que reforça esse cenário favorável.

A venda de veículos é influenciada pela estabilidade cambial e pelo mercado de trabalho, com aumentos de vendas ocorrendo em momentos de dólar estável ou em queda. O mercado automotivo uruguaio é considerado bastante consolidado, com cerca de 65 mil veículos novos vendidos anualmente, uma frota circulante de aproximadamente 1,5 milhão de veículos e alta taxa de motorização, limitando possibilidades de crescimento significativo.

Rocca enfatizou a importância da profissionalização dos revendedores e o alinhamento do mercado à realidade econômica do país, destacando o papel da Ascoma em apoiar essa evolução.

Destaque aos eletrificados

Com uma rede de mais de 1 mil pontos de carregamento e apoio do governo, além de interesses do setor privado, Rocca conta que no Uruguai a maioria dos veículos elétricos é carregada em casa. Apesar do crescimento constante nas vendas de elétricos os veículos movidos a combustíveis fósseis permanecem semelhantes ao ano anterior, embora com uma queda na participação dos veículos tradicionais.

Marcas chinesas de carros elétricos estão ganhando espaço, com destaque para a BYD: “As pessoas tinham receio da revenda do carro elétrico, mas agora perderam esse medo.  Então, só agora as marcas tradicionais estão se envolvendo com a importação de carros elétricos. Eles têm que ser competitivos”.

Os benefícios fiscais favorecem veículos 100% elétricos, enquanto os híbridos têm menos benefícios, influenciando a preferência do consumidor. Assim, a expectativa é que o crescimento da eletricidade associada aos veículos continue evoluindo.