Foi o que apontou Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e serviços da VW Caminhões e Ônibus
São Paulo – Desde 2022 as exportações de caminhões e ônibus fabricados no Brasil vêm diminuindo. No ano passado foram contabilizadas 34,2 mil unidades, volume 6,2% menor do que as 36,4 mil de 2023 e 16,3% inferior às 40,8 mil de 2022. Reflexo da expansão da concorrência nos países da América Latina que, com a entrada de novos competidores, reduziu a compra de unidades brasileiras.
Na avaliação de Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e serviços da Volkswagen Caminhões e Ônibus, a situação pode ser revertida e o pico pré-pandemia, de 47,2 mil unidades, novamente alcançado, se houver, dentre outros fatores, a equalização das normas de emissão de poluentes combinada à redução do custo Brasil.
“A competitividade de caminhões produzidos localmente está cada vez mais restrita. O mercado da América Latina é um outro Brasil”, disse, durante o 7º Congresso de Negócios da Indústria Automotiva Latino-Americana realizado por AutoData.
No ano passado foram comercializados, aqui, 147 mil veículos pesados e, de acordo com o executivo, a indústria brasileira tem potencial de exportar 50 mil no médio prazo, superando o recorde anterior, desde que haja o nivelamento das legislações de emissões, a padronização técnica dos produtos também na configuração de veículos, a ampliação de acordos comerciais e redução de tarifas para exportação.
“Alguns países ainda estão no Euro 3, outros no Euro 5 e, alguns, assim como o Brasil, no Euro 6. Felizmente temos visto a transição ao Euro 6 em alguns lugares, como no México, desde janeiro. Com maior volume o custo da tecnologia começa a ser rateada.”
O Brasil adota esta regra desde 2023 e a Colômbia desde 2024. No ano que vem será a vez do Chile e, em 2028, do Peru. No entanto ainda não está no radar da Argentina, onde segue o Euro 5 e onde, em março do ano passado, a Volkswagen Caminhões e Ônibus inaugurou fábrica de SKD — mesmo formato que a unidade produtiva do México.
Os países que permanecem no Euro 3 ou Euro 5 têm volumes cada vez menores, o que acaba gerando um custo inversamente proporcional: “Não é incomum termos custo de Euro 3 ou Euro 5 maiores que o de Euro 6. O que torna as exportações para estes locais um pouco mais complexos”.
Muitos países, apontou, gostariam de migrar do Euro 3 para o Euro 5, por exemplo, mas não há combustível compatível à tecnologia. Ou seja: esta defasagem técnica posterga a evolução da legislação das emissões.
Impostos seguem como pedra no sapato da indústria local
Somado a este desafio que acompanha a indústria automotiva é o custo Brasil. Segundo a CNI o país é o menos competitivo, de dezoito analisados, dentre eles México, Chile e Argentina.
“A questão tributária propicia a falta de competitividade nos preços que cada país está disposto a pagar pelos nossos produtos. Por isto acabamos perdendo espaço com o surgimento de alternativas no mercado da América Latina.”
No ano passado mais de noventa montadoras comercializaram veículos na região.
O caminho, sentenciou Alouche, é desafiador. E a redução do custo Brasil necessidade urgente. Por outro lado, ressaltou, como habitualmente o faz, que o que vende caminhão é PIB, quase um espelho um do outro. E, na América Latina, os principais países têm indicação positiva para este ano. Alguns mais, como Argentina, de 4,6%, outros menos, como o México, que está passando por transição de emissões e problemas econômicos e geopolíticos recentes, com a questão do tarifaço, de 0,2%. Mas, na média, deverá crescer 2%.
“Este cenário fortalece a renovação da frota. Se reduzirmos ou criarmos vantagem adicional sobre o custo Brasil nosso volume crescerá internamente, fortalecendo nossa indústria, estimulando investimentos e gerando empregos e, consequentemente, avançará na exportação.”
Alouche acredita em potencial de vendas de 300 mil unidades na região: “A aspiração do cliente na América Latina é estabilidade econômica para o negócio dele, o que requer o mínimo de visão de médio e longo prazo. Além de preço e TCO, o que temos de sobra. Ou seja: o potencial é enorme”.