Argentina e México têm cenários distintos nas suas vendas

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Argentina e México, principais parceiros comerciais do Brasil no setor automotivo, vivem realidades distintas no mercado de automóveis este ano: os argentinos registram crescimento em todos os indicadores – produção, exportação e vendas –, com expectativa de somarem o maior volume de sua história em dezembro, e os mexicanos observam despencar aos poucos seu desempenho comercial no fim de cada mês, reflexo de incertezas provocadas por questões econômicas e climáticas.

 

Até outubro saíram das fábricas argentinas 393 mil 650 veículos, uma produção que foi 2,1% maior do que a verificada em igual período em 2016, segundo a Adefa, entidade que reúne e representa as empresas fabricantes. O resultado foi tornado realidade pelo comportamento do setor nas exportações e pelo aumento das vendas nas concessionárias, o que vem acontecendo devido à oferta de crédito dos bancos, que passaram a olhar o mercado com otimismo a partir do caráter reformista que caracteriza o governo atual.

 

Nas exportações a alta foi de 15,1% no volume acumulado nos dez primeiros meses do ano na comparação com igual período ano passado. Foram exportados 172 mil 263 veículos, principalmente para mercados da América Latina. Em ordem de participação a fatia que corresponde ao Brasil foi de 63,8%, chegando aqui 109 mil 819 veículos de origem argentina.

 

Afora o mercado brasileiro a indústria argentina parece ter focado na busca por novos mercados para seus veículos. Prova disso foram os embarques de veículos para a região do Caribe, segundo destino das exportações argentinas em termos de volume: 14 mil 979 unidades no acumulado do ano foram enviados para El Salvador, Costa Rica, Nicarágua e Panamá, o que configura uma fatia de 8,7% das exportações. Peru, Chile e México, fecham o grupo dos cinco principais destinos dos veículos argentinos em volume.

 

No México o cenário de queda nas vendas internas vem se acentuando ao longo dos meses e não foi diferente em outubro, quando foram emplacados 123 mil 318 unidades, 10,2% a menos na comparação com as vendas realizadas em setembro: foi o quinto mês resultado negativo consecutivo. No acumulado do ano os emplacamentos somam 1 milhão 230 mil 166 veículos, queda de 2,1% na comparação com os dez primeiros meses de 2016, segundo dados divulgados pela Amia, a associação dos fabricantes mexicanos. O endividamento público estreitou o acesso ao crédito para a compra de novos veículos e a economia local vem sofrendo forte pressão da valorização do dólar frente ao peso mexicano.

 

Os dados da Amia apontam a Nissan como detentora da maior fatia de participação no mercado mexicano, 24,1%. General Motors vem em segundo, com 16,5%, e Volkswagen, a terceira, detém 15,5%.

 

A entidade não divulgou os dados referentes à produção até a terça-feira, 7, mas o que se espera para o primeiro mês do trimestre é a manutenção do ritmo observado em setembro, quando as fábricas produziram 307 mil 174 veículos, 7,7% a mais do que em setembro do ano passado, um resultado explicado pela alta das exportações para Estados Unidos e Canadá. No acumulado do ano foram produzidas 2 milhões 829 mil 761 unidades, 9,8% a mais do que nos sete meses de 2016.

 

Neste ponto, a indústria automobilística mexicana vive certa tensão provocada pelas diretrizes de comércio exterior impostas pelo governo dos Estados Unidos, que podem afetar o volume de veículos exportados. O atual governo estadunidense sinalizou para a possibilidade de modificar as regras de exportação de veículos nos países da América do Norte – a principal mudança seria elevar a porcentagem de peças produzidas nos Estados Unidos nos veículos fabricados no México, o que, em tese, elevaria o preço dos veículos, medida vista como prejudicial aos interesses mexicanos e das fabricantes que atuam no país. Foi formada uma coalisão de montadoras para negociar a manutenção das regras vigentes do acordo bilateral do qual os países são signatários.

 

Foto: Divulgação