Engenheiros discutem o futuro da indústria automotiva

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09/11/2017

A 26ª edição do Congresso SAE Brasil teve como tema a mobilidade inteligente e a transição para o futuro, com diversas discussões de executivos engenheiros -- e alguns não engenheiros -- da indústria automotiva, Na quinta-feira, 9, foi a vez do presidente internacional da SAE, Doug Patton, junto com Rogelio Golfarb, vice-presidente da Ford na América do Sul, Marco Silva, presidente da Nissan no Brasil e Mauro Correia, presidente da SAE Brasil e do Grupo CAOA, discutirem o assunto em um dos painéis realizados.

 

Para Doug Patton o futuro da mobilidade terá quatro pilares: “A sigla CASE em inglês resume o futuro da indústria: conectividade, automação, compartilhamento e eletrificação. Cada um deles tem grande importância para o desenvolvimento das tecnologias futuras”.

 

O vice-presidente da Ford, Rogelio Golfarb, acredita que em um futuro próximo, 2030, o mercado mundial de veículos estará dividido em três terços, sendo o primeiro de motorizações tradicionais, como temos atualmente, o segundo de veículos híbridos e o terceiro de híbridos plug-in com tecnologia totalmente elétrica: “Esse será o começo da maior diversidade nos tipos de mobilidade do futuro”.

 

Ele acredita, também, em carros totalmente conectados, eletrificados e que possam ser compartilhados no futuro, e pontuou que um novo mercado surgirá:

 

“Com toda essa conectividade será preciso desenvolver um sistema operacional, como acontece com os celulares hoje em dia, algo que controle toda essa conectividade e que ligue todos os veículos à cidade. Esse mercado poderá ser muito lucrativo no futuro, pois esse sistema será necessário”.

 

A meta da Ford para a conectividade dos seus veículos é a de que 100% das unidades vendidas nos Estados Unidos tenham a tecnologia a partir de 2019 e, globalmente, a partir de 2020.

 

Para a indústria nacional acompanhar toda evolução que acontecerá no futuro Rogelio Golfarb acentuou que é necessário investir no desenvolvimento de algumas áreas, como a de componentes eletrônicos e de telas digitais sensíveis ao toque, das quais, no Brasil, não há produção nacional.

 

Os pilares que o presidente da Nissan no Brasil, Marco Silva, acredita serem essências para o futuro são três: conectividade, motorizações eficientes e não poluentes e automação dos veículos: “Esses três pilares trarão benefícios para a sociedade no futuro, que não está muito distante: precisamos acabar com os acidentes causados pelos veículos, pois 90% acontecem por falhas humanas, e reduzir as emissões de poluentes no meio ambiente. Também é necessário que os veículos do futuro entreguem às pessoas maior aproveitamento do tempo, tornando possíveis outras atividades enquanto o carro as leva do ponto A para o ponto B. Mas se o ocupante quiser guiar por alguns minutos também haverá essa possibilidade”.

 

 

Mauro Correia, presidente do Grupo CAOA e da SAE Brasil, observou que a relação das novas gerações com os veículos está mudando e que isso alterará o modelo de negócios no futuro: “62% das gerações Y e Z acreditam que seja dispensável a compra do veículo próprio. Outro fato importante é que a idade media de quem tira a CNH nos últimos dez anos passou de 21,1 anos para 26,5 anos. Novos modelos de negócios surgirão, pois a conectividade hoje já reduz a ida dos compradores às concessionárias e pesquisas mostram que as pessoas que querem comprar um carro pesquisam em mais de dez mídias diferentes e gastam até dez horas antes de irem à concessionária”.

 

O executivo também destacou alguns desafios que a indústria automotiva mundial terá que enfrentar nos próximos anos: “Fábricas mais conectadas e eficientes, veículos mais seguros, carros compartilhados, novas motorizações, processo de venda virtual e menos presencial”.

 

Foto: divulgação