CAOA assume controle da Chery

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A CAOA montadora assumiu o controle da operação brasileira da Chery após oferecer proposta de R$ 208,9 milhões pela fatia de 50,07% colocada à venda pelos seus proprietários em outubro, conforme antecipou com exclusividade reportagem de AutoData publicada no mês passado. A empresa confirmou o arremate na tarde da sexta-feira, 10, e o anúncio oficial foi feito ao mercado chinês no sábado, 11, durante evento realizado em Pequim. Da nova estrutura societária nasceu a CAOA Chery, empresa que aportará US$ 2 bilhões ao longo dos próximos cinco anos na operação aqui. É uma cartada importante da empresa que, mesmo com fábrica instalada no País, não conseguiu decolar comercialmente desde 2014. É também a mais importante transação realizada no setor durante o período pós-crise.

 

De acordo com a companhia a produção de veículos será compartilhada nas fábricas que ambas possuem no País, em Anápolis, GO, e Jacareí, SP. Segundo fontes ouvidas por AutoData a CAOA tem agora, pela frente, um cronograma de ações a serem realizadas como parte do processo de integração das empresas. A princípio assumiria as importações em 2018, sendo a principal articuladora da chegada de novos modelos para incrementar a oferta, e na sequência a distribuição dos Chery por meio de 180 lojas da rede de revendas que hoje comercializa veículos Hyundai, Ford e Subaru. Por último assumiria o controle da produção em Jacareí.

 

Quando chegar a este ponto a expectativa é a de que a fábrica paulista concentre a produção dos veículos enquanto a de Anápolis, onde são produzidos Tucson, ix35 e os comerciais HD e HR, se transforme aos poucos também em uma unidade de produção de motores. Hyundai e CAOA, de acordo com as fontes consultadas, teriam fechado um acordo pelo qual a CAOA devolveria os direitos de produção desses modelos à Hyundai Motors do Brasil, abrindo mais espaço para linhas de fabricação de motores e componentes – a fábrica de Anápolis tem 1,5 milhão de m² de área total e área construída de 140 mil m². Essas informações ainda não foram confirmadas pelas partes.

 

Durante o evento onde foi feito o anúncio global da nova empresa, Marcelo Elias [foto abaixo], diretor financeiro e de relações institucionais da CAOA, disse que o acordo marca "um novo ciclo de crescimento do mercado brasileiro". Mauro Correia, presidente da companhia, destacou a atuação da empresa no País e comentou que as relações entre Brasil e China, no campo automotivo, tendem a ficarem mais próximas a partir de agora.

 

Histórico. As negociações CAOA-Chery começaram em meados de 2016 e houve várias desistências de ambos os lados em função de desacordos nas tratativas estabelecidas ou por causa da situação que o mercado nacional vivia à época, com as vendas internas em patamar negativo. Com o plano traçado pela matriz chinesa, de expandir a atuação em mercados estratégicos mais o impulso criado pelo plano de metas do governo da China, que estabelece que as fabricantes busquem novos mercados, mais a retomada das vendas no Brasil, as empresas voltaram à mesa de negociação.

 

Para que a venda fosse oficializada pesou, também, a baixa rentabilidade da Chery no Brasil. Foram investidos US$ 400 milhões na fábrica paulista, a primeira fora da China, inaugurada em 2014, ano em que o mercado brasileiro dava sinais de que entraria em queda acentuada. De lá para cá a empresa trabalhou para emplacar seus dois modelos no mercado nacional, o compacto QQ e o sedã Celer, tendo que lidar, paralelamente, com sucessivas paralisações promovidas por greves e a intensificação da crise no setor, que a levou a trabalhar com 10% de sua capacidade.

 

A companhia tentou se reerguer promovendo reestruturação na área de vendas e, a partir das mudanças, foi traçado plano de crescimento por meio do mecanismo de vendas diretas e da chegada do modelo Tiggo 2, um SUV a ser produzido aqui.

 

No Brasil. Em 2016 a Chery, aqui, fechou no vermelho: receita de 1 bilhão 112 milhões de yuan, coisa de US$ 167,7 milhões, e prejuízo de 1,7 bilhão de yuan, cerca de US$ 256,9 milhões. Até agosto de 2017 não se percebeu nenhum sinal de recuperação: a receita foi de 9 milhões 75 mil yuan, e o prejuízo de 18,7 milhões yuan. No acumulado do ano até outubro a Chery vendeu 3 mil 76 veículos e deteve uma fatia de mercado de 0,20% segundo dados do Renavam, 2 mil 629 QQ, 175 Celer e demais unidades de modelos importados.

 

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