CNH Industrial confia no Brasil e na região

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Os últimos anos foram de desafio para empresas que operam no Brasil. Com cenário político controverso investidores e consumidores perderam a confiança no País e a consequência foi queda nas vendas e na produção nacionais, que levaram ao desemprego -- isso sem falar em inflação e juros em alta. Mas, mesmo com todo o cenário adverso desses últimos anos, o presidente da CNH Industrial para a América Latina, Vilmar Fistarol, garante que a empresa não deixou de investir no País:

 

"A matriz sempre acreditou no Brasil e na região e manteve investimentos. Agora temos um conjunto de elementos que nos fazem crer que teremos momentos positivos adiante. O câmbio tem menos volatilidade do que antes, a macroeconomia está fazendo o seu papel, a credibilidade está voltando. É um processo lento, mas estamos vendo sinais de recuperação. Acreditamos no desenvolvimento do País e da região". 

 

Aos poucos a economia brasileira começa a dar sinais de recuperação mas algumas questões ainda precisam ser resolvidas para que os negócios deslanchem. Carro-chefe da economia brasileira o agronegócio não tem tido o mesmo desempenho quando o assunto é compra de máquinas e equipamentos: “O negócio agricultura vai bem. A safra vai bem e os preços também estão bons. Isso deveria ser bom para investir em equipamentos modernos, mas ainda não é o que está acontecendo”.  

 

De acordo com Fistarol boa parte dos produtores brasileiros está esperando definições sobre taxa de juros do próximo plano safra. A reivindicação – e expectativa – do setor agrícola é a de que haja queda nas taxas, especialmente porque a Selic está no seu menor patamar histórico. Enquanto não há definição dos juros produtores preferem não investir em novos equipamentos: “Estamos há um mês da Agrishow e as vendas estão muito ruins”.

 

As empresas do Grupo Case e New Holland, que operam também na área agrícola, optaram por segurar a produção acreditando na retomada do mercado, “mas se logo não houver sinais de retomada fica difícil. O limite é a Agrishow para resolver essa situação”. 

 

Um outro agravante é a expectativa de quebra de safra na Argentina, o que deve reduzir as vendas para lã: “Produtores argentinos estão segurando as compras devido à quebra de safra. Aqui estão segurando por causa do plano safra”.

 

Construção – Com a paralisação das obras de infraestrutura o setor viu as vendas de máquinas para construção despencarem nos últimos três anos. De acordo com dados da AEM, Association of Equipment Manufacturers, em 2011 foram comercializadas 29 mil 330 unidades e, no ano passado, 7,6 mil unidades, queda de 75%.

 

“O mesmo plano de investimentos em infraestrutura já foi anunciado três vezes, mas nada está acontecendo. Tudo que se tem são coisas pequenas e que representam pouco para a indústria. É necessário retomar as obras para que o setor volte a crescer.”

 

Segundo Fistarol há um potencial imenso para esse setor no Brasil, considerando que o País tem grandes necessidades de obras de infraestrutura, mas devido à falta de investimentos está parado: “Temos esperança porque o potencial é imenso, mas está tudo adormecido porque não existem recursos para isso”.

 

Ônibus – Mas o setor de ônibus dá sinais de recuperação: “O setor de ônibus está impulsionado pelos governos e isso pode refletir em um ano bastante positivo. Mas se haverá investimento, de fato, ainda é uma dúvida”.

 

Ele contou que a Iveco, braço de ônibus, caminhões e veículos de defesa do grupo, venceu recentemente licitação do governo de Minas Gerais para fornecer 1,8 mil unidades, sendo que novecentos ônibus serão entregues já no fim de maio.

 

Um dos pontos positivos para o bom desempenho do setor é o Refrota, programa de renovação de rota do transporte público coletivo urbano, que prevê a liberação R$ 3 bilhões pelo governo federal para financiar a montagem de cerca de 10 mil novos ônibus para renovar a frota do País -- o que significa dizer que 10% da frota de ônibus urbanos e metropolitanos seriam renovados, considerando que, hoje, a frota em operação é de 107 mil veículos.

 

Caminhões -  O setor de caminhões, que começou a dar sinais de recuperação no ano, deve seguir em alta, opinou Fistarol: “A demanda por caminhões deve crescer, algo como 30% a mais do que no ano passado, mas estamos falando ainda de uma base muito baixa”.

 

No ano passadoo setor fechou com produção de 83 mil 44 unidades, contra 60 mil 482 em 2016. Nos dois primeiros meses deste ano contabilizou-se a fabricação de 14 mil 475 unidades.

 

O ideal, na avalição do presidente da CNH, é que o mercado brasileiro chegue a algo como 100 mil unidades por ano, o que será possível em 2019-2020 nas suas projeções: “Mesmo assim representará o uso de só 25% da capacidade instalada no País, cujo total é 400 mil unidades por ano”.

 

No segundo semestre do ano passado a Iveco divulgou resultados obtidos nas exportações: nos últimos três anos cresceram 236%. Somente no primeiro semestre de 2017 mais de 1,7 mil veículos de carga e de passageiros Iveco foram exportados, o que representou alta de 144% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

 

Investimento - No ano passado, durante a Fenatran, a companhia apresentou suas novas opções para as linhas Daily e Tector, séries personalizadas da Daily e do Hi-Way, em alusão ao aniversário de 20 anos da Iveco no Brasil e anunciou o investimento de US$ 120 milhões para o desenvolvimento de novos produtos, em um período de 24 meses, a partir do segundo semestre de 2017 até o primeiro semestre de 2019. 

 

Em 2016 a CNH Industrial, por meio da Case IH, anunciou seu maior lançamento dos últimos anos no Brasil, a Axial-Flow Série 130, nova linha de colheitadeiras com motores eletrônicos FPT, máquinas que apresentaram até o dobro de reserva de potência. Foram investidos US$ 40 milhões no desenvolvimento do projeto, testes de campo e na preparação de uma linha de montagem exclusiva na fábrica de Sorocaba, SP.

 

Em 2016 e 2017 a CNH Industrial divulgou a nacionalização de doze modelos de escavadeiras hidráulicas, projeto no qual foram investidos R$ 73 milhões para a criação da nova linha de montagem de escavadeiras em Contagem, MG, em projetos de engenharia e em outros processos de desenvolvimento, como a seleção de fornecedores de componentes e testes de validação. Com motores eletrônicos há uma redução no consumo de combustível de 14%, em média, com relação aos modelos anteriores. 

 

Foto: Divulgação.