Argentina quer produzir 1 milhão e aguarda unificação de mercados

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CompartilheSeminário AutoData
23/04/2018

A Argentina está perto de atingir a meta de 1 milhão de automóveis vendidos por ano, de acordo com Daniel Herrero, vice-presidente da Adefa, associação que representa as fabricantes no país: “A nossa projeção é a de comercializar 980 mil unidades neste ano, aproximadamente 80 mil unidades a mais do que no ano anterior, volume que nos deixará bem próximo do 1 milhão de unidades comercializadas”.

 

Em palestra durante o Seminário AutoData Tndências de Negócios Mercosul Auitomotivo, ele recordou que “a recuperação nas vendas de veículos na Argentina foi puxada pela retomada da economia, que estava em crise, e a melhora na oferta de crédito para os consumidores. Também é preciso destacar que o crescimento visto nos últimos anos é sustentável e deverá ser mantido nos próximos anos”.

 

Para superar a crise e voltar a crescer o mercado argentino teria se inspirado no exemplo de países de mercado parecido e que superaram momento de crise parecido, caso da Espanha, que em 2012 passou por forte crise mas conseguiu recuperar sua indústria.

 

O milhão mais importante que a indústria argentina quer atingir, porém, é o de unidades produzidas, esperado para até 2023, com crescimento da produção ano a ano na média de 3%. O Plano Milhão, como é chamado, foi criado em 2017 como um incentivo para a recuperação da indústria local:

 

“Com a criação do plano a Argentina precisava de US$ 5 bilhões de investimento para modernização da indústria e, até o momento, mais de US$ 4 bilhões já foram destinados pelas montadoras para investimentos no período”.

 

Herrero também afirmou que em breve a Volkswagen deve anunciar novo aporte para a região. Quando a meta for atingida o país precisará exportar 35% da sua produção para mercados fora do Mercosul para equilibrar suas contas. O valor arrecadado será destinado à modernização das linhas de produção atuais, à chegada da indústria 4.0 nas fábricas, a plataformas unificadas de produção e à chegada de novas plataformas de negócios para a região.

 

Unificação dos mercados

 

Daniel Herrero, que também é executivo da Toyota Argentina, acredita na absoluta necessidade de unificação dos setores automotivos brasileiro e argentino como maneira de preparar o livre comércio com a União Europeia, que é aguardado com ansiedade.

 

“Reformas tributárias precisam ser realizadas nos dois países para que as indústrias sejam mais competitivas e estejam preparadas para competir com o mercado europeu e, também, para exportar para esse mercado. Hoje, temos muitos problemas internos de competitividade nos dois mercados e precisamos que isso mude nos próximos anos.”

 

Segundo Herrero o governo argentino já estuda maneiras de resolver os problemas tributários e competitivos de sua indústria e acredita que, no futuro, com a resolução desses problemas e a unificação dos processos produtivos dos países, a produção de veículos na América Latina conseguirá competir com o mercado europeu e poderá chegar a 7 milhões de unidades.

 

Exportações

 

Nos últimos anos o Brasil exportou muito mais para a Argentina do que importou e, com isso, ultrapassou os limites do acordo de livre comércio dos países mas, segundo Herrero, esse problema é pontual e será equilibrado nos próximos anos:

 

“Com a recuperação do nosso mercado a demanda por veículos brasileiros cresceu e, no mesmo período, o Brasil estava em crise e a importação de veículos estava em baixa. Com isso houve um desequilíbrio que deve desaparecer nos próximos anos, com a retomada da economia brasileira”.

 

Foto: Christian Castanho.