Com greve, vendas recuam com relação a abril

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São Paulo – Lojas com fluxo de visitas reduzido, dificuldade para completar o tanque de veículos de test drive, atraso na entrega dos cegonheiros e até falta de combustível nas bombas dos postos para abastecer o carro do comprador foram algumas das dificuldades encontradas pelo setor de distribuição de veículos nas últimas semanas de maio, decorrente da greve dos caminhoneiros.

 

Como a situação começou a voltar ao normal apenas nos últimos dias, o impacto dessa paralisação refletiu nas vendas de maio. Segundo os dados que a Fenabrave divulgou na sexta-feira, 1º, foram licenciados 201 mil 880 automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus no mês passado, resultado 7,1% inferior ao de abril, em idênticos 21 dias úteis. A média, que havia subido para 10,3 mil unidades/dia, recuou para 9,6 mil veículos/dia.

 

Em nota, o presidente da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, afirmou que a entidade começou a perceber retração nos licenciamentos na última semana útil do mês. "Apuramos que a partir de 25 de maio o número de veículos emplacados começou a retrair. Este cenário ocorreu, dentre outras razões, pela dificuldade de abastecimento de combustível, que fez com que os veículos, já prontos para entrega, não fossem conduzidos aos pátios dos Detrans para emplacamento".

 

Na comparação com maio do ano passado o resultado segue positivo: as 201,8 mil unidades licenciadas representaram alta de 3,2% sobre o mesmo mês de 2017. No acumulado do ano foram emplacados 964,7 mil veículos, crescimento de 17% sobre os cinco primeiros meses do ano passado.

 

Em automóveis e comerciais leves a queda de maio com relação a abril foi de 7,2%, para 194,9 mil unidades. O volume superou em 2,5% o resultado de maio do ano passado. De janeiro a maio, 932,1 mil unidades comercializadas, alta de 16,2%.

 

O segmento de caminhões apresentou um recuo de 8,1% na comparação mensal, mas alta de 38,8% no comparativo anual, somando 5,7 mil unidades. Nos cinco primeiros meses do ano foram vendidos 26,6 mil caminhões, alta de 54% sobre o mesmo período de 2017.

 

As vendas de chassis de ônibus tiveram um desempenho distinto: com relação a abril houve crescimento de 8,8%, somando 1 mil 241 unidades, resultado 5,8% inferior ao de igual mês de 2017. No acumulado do ano há alta de 20,7%, com 5 mil 917 chassis comercializados no mercado brasileiro.

 

“Considerando que o espaço de tempo entre a venda do veículo e o seu emplacamento é de até 7 dias, essa redução no volume ainda não pôde ser apurada em sua totalidade”, disse, em nota, Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave. “Os reflexos da greve dos caminhoneiros devem se estender aos resultados de junho”.

 

O presidente da Fenabrave lembrou que as concessionárias deixaram também de lucrar com o desabastecimento de peças e perda de serviços, pois muitos clientes, sem combustível, não foram às concessionárias realizar atividades pós-venda.

 

Aos poucos o setor começa a se reorganizar. A Anfavea afirmou, em comunicado, que suas associadas retomarão as atividades gradativamente a partir da segunda-feira, 4. A fabricante de carrocerias de ônibus Marcopolo também soltou nota afirmando que suas fábricas em Caxias do Sul, RS, voltarão a operar na mesma data.

 

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.