Setor elétrico estuda modelo de negócios para automóveis

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19/06/2018

Campinas, SP – Os automóveis elétricos ainda representam pequena parcela da frota do País mas a expectativa de crescimento do modal até 2030, com base em eventual aprovação de decreto governamental específico para o segmento este ano, movimenta um setor de energia otimista com relação às novas oportunidades de negócios. 

 

A CPFL Energia, que atua na geração, transmissão e distribuição de eletricidade nas regiões Sul e Sudeste, concluiu estudo no qual afirma ser possível, com a atual estrutura de rede e capacidade de geração, abastecer frota de 2 milhões de veículos -- essa informação, apresentada na terça-feira, 19, é vista, pela empresa, como desmistificadora da inviabilidade dos elétricos.

 

Segundo Rafael Lazzaretti, diretor de estratégia e inovação da companhia, do ponto de vista da oferta de energia o sistema que abastece o País foi projetado para uma demanda 5% acima da que existe atualmente: “Um adicional de 2 milhões de veículos elétricos ao sistema representaria de 1% a 2% do que é gerado e, portanto, não haveria riscos de sobrecarga”.

 

De 2013 a 2018 a empresa desenvolveu seu Projeto Emotive, programa que envolveu um conjunto de testes de rede e de aplicação de veículos elétricos em situações cotidianas. A partir dele a CPFL constatou que a carga adicional que o volume de veículos representaria na rede, do ponto de vista do consumo, seria o equivalente a um chuveiro em uso: “A carga consumida por um eletroposto residencial não assusta a ponto de se investir mais em rede para atender a demanda”.

 

Dessa forma, disse Lazzaretti, um dos pontos da discussão que envolve a adoção do carro elétrico no País perde força: o de ser necessário forte investimento em estrutura de rede e geração para comportar essa demanda adicional.

 

Em um cenário considerado conservador, no qual a evolução do número de automóveis elétricos aconteça sem política governamental, o estudo aponta que os carros movidos a eletricidade – elétricos puros ou híbridos – constituirão 3,8% da frota nacional em 2030. Nesse sentido, disse Lazzaretti, atender à demanda significaria aumentar a capacidade de geração e distribuição de energia: “O investimento em estrutura é feito pensando no longo prazo e antecipando demanda de energia”.

 

Negócios - Com os resultados do Emotive em mãos, a CPFL estuda modelos de negócios para explorar em contexto de massificação dos automóveis elétricos. Mesmo que isso ainda dependa da criação de regras específicas para a modalidade por parte da Aneel, a Agência Nacional de Energia Elétrica, a empresa visualiza oportunidades na construção e gestão de pontos de recarga.

 

Sobre isso Renato Povia, gerente de inovação e transformação, contou que o modelo que será difundido no País, em um primeiro momento, poderá ser o de atrelar à recarga a oferta de outros serviços que circundem o universo veicular: “Será possível tarifar o uso do ativo de recarga. Afora isso haverá a possibilidade de se criar uma cadeia de empresas para atuar na manutenção dos equipamentos, oferta de seguros específicos para carros elétricos e espaço publicitário”.

 

O setor elétrico ainda discute em Brasília, DF, as formas de tarifação da energia no contexto de massificação de veículos elétricos. Lazzaretti, porém, acredita que não haverá a criação de uma tarifa específica para a aplicação de eletricidade em automóveis: “Acho pouco provável porque as reuniões técnicas que são realizadas junto ao governo mostram que não há exploração comercial da energia. O veículo, do ponto de vista de consumo, tem o mesmo perfil de um celular plugado na tomada”.

 

Foto: Divulgação.