Argentina, México e caminhoneiros mexem nas projeções

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CompartilheBalanço da Anfavea
06/07/2018

São Paulo – A Anfavea anunciou na sexta-feira, 6, durante a divulgação do seu resultado mensal, revisão em suas projeções para o ano. E nenhum dos principais índices apontou para melhora – ao contrário. O maior motivador de uma revisão para baixo foram as exportações, devido à redução de pedidos da Argentina e do México. No começo do ano a projeção da entidade era de embarque de 800 mil veículos no ano, o que representaria alta de 4,5% ante o recorde de 766 mil unidades exportadas em 2017. Agora a Anfavea presume que o ano terminará apenas em empate com o ano passado.

 

Se confirmado, para o presidente Antonio Megale, “não será um resultado desprezível, pois igualará o recorde, ainda que o volume infelizmente fique abaixo do que esperávamos em janeiro”.

 

A crise na Argentina é sem dúvida o tema de maior relevância dentro desta redução dos números projetados para as exportações – em volume são 34 mil unidades a menos. Mas, para Megale, “as medidas tomadas pelo governo argentino deverão surtir efeito, retomando o crescimento”.

 

Dividindo os segmentos, antes a projeção apontava para alta de 4% nos embarques de leves, para 758 mil, e de 13% nos pesados, para 42,2 mil. Agora todos os números apontam completa estabilidade ante 2017, ou seja, 729 mil leves e 37,3 mil pesados.

 

Devido à elevação do dólar a projeção para as exportações em valores permaneceu inalterada, ou seja, US$ 16,7 bilhões, alta de 5,4% ante o resultado de 2017.

 

A redução de 34 mil unidades nas exportações bateu direto na projeção de produção para 2018: foi reduzida de 3 milhões 55 mil, ou 13,2% de alta, para 3 milhões 21 mil, o que representaria 11,9% de crescimento. Por segmento: nos leves estimava-se 2 milhões 935 mil, 13% de elevação, e agora calcula-se 2 milhões 906 mil, 12% além, enquanto nos pesados os números apontavam 120,3 mil, 16% acima, e agora indicam 115,4 mil, crescimento mais modesto de 11,3%.

 

Os números aguardados para o mercado interno foram mantidos: vendas em 2018 de 2 milhões 502 mil, 11,7% melhor do que as 2 milhões 240 mil de 2017, mas isso não significa uma boa notícia: ocorre que, inicialmente, a Anfavea revisaria para cima a projeção para o mercado interno, mas dadas as consequências da paralisação dos caminhoneiros decidiu optar pela prudência.

 

Megale reconheceu que antes do movimento grevista as próprias associadas pressionavam por atualização do índice previsto para os licenciamentos, que até o acumulado de maio indicava elevação de 17% – 13,6% até junho. Mas depois da paralisação as fabricantes começaram a ver um cenário um pouco menos animador: “Além disso no segundo semestre o avanço seria naturalmente um pouco menor, porque o mercado já mostrava reação nesta época do ano passado”.

 

Assim os novos cálculos da Anfavea indicariam um reajuste muito modesto, para algo como 11,9%, e devido a esta diferença ínfima a associação optou por manter os números estimados em janeiro.

 

Por segmentos, desta forma, também segue tudo igual: a Anfavea acredita em 2 milhões 422 mil leves licenciados este ano, aumento de 11,3%, e 79,5 mil pesados, alta de 24,7%.

 

Foto: Marcelo Pinto/APlateia