CIO passa a participar mais do negócio automóvel

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São Paulo – O desenvolvimento de automóveis conectados aproximou os setores automotivo e de tecnologia a ponto de tornar a figura do CIO, o executivo da área de tecnologia da informação, personagem com mais poder dentro da estrutura diretiva das montadoras. Três deles estiveram presentes no Congresso SAE Brasil na segunda-feira, 3, em São Paulo, para comentar os novos desafios e responsabilidades que a área que coordenam passou a ter com um número cada vez maior de projetos de veículos baseados em estrutura e serviços digitais.

 

No que diz respeito àquilo que possuem em comum pela frente, os executivos apontaram maior interação com empresas menores da área tecnológica, as startups. Tornou-se comum atualmente a costura de parcerias com montadoras e autopeças do tier 1 em projetos específicos.

 

De acordo com José Roberto Giro, diretor de tecnologia da Volkswagen, as montadoras ainda precisam aprender a lidar com as startups por causa do tamanho que cada um tem no mercado: “Ainda estamos sofrendo para trabalhar com eles porque são empresas mais ágeis na tomada de decisão, e isso acaba se tornando um entrave quando trabalhamos em conjunto”.

 

A VW desenvolveu um planejamento de longo-prazo envolvendo a criação de uma estrutura digital por meio da qual criará seus novos veículos e, ainda, oferecerá serviços. A companhia anunciou na semana passada investimento de 3,5 bilhões de euro, até 2025, para a criação de uma nova estrutura que abordará produtos digitais.

 

O planejamento global deve passar pela operação brasileira. Segundo Giro, por ser um anúncio recente, ainda é incerto qual será o papel dentro desse contexto, nem qual fatia do aporte será destinada ao País: “O certo é que a área de TI está sendo vista de outra forma dentro das fabricantes, estamos participando mais do negócio”.

 

André Souza Ferreira, CIO da FCA América Latina, disse que o diretor de tecnologia dentro da montadora hoje em dia precisa buscar oportunidades no universo das startups que possam resultar em soluções que as fabricantes têm dificuldade para criar: “Todas as empresas do setor buscarão soluções por meio de parcerias. Nenhuma consegue encontrar essas soluções internamente porque ainda é um campo a ser desvendado, esse da tecnologia para o setor automotivo”.

 

Na Renault o tema tem sido abordado com maior proximidade, segundo Angelo Fígaro Egido, seu diretor de tecnologia da informação. A empresa tem buscado criar soluções comerciais baseadas na tecnologia e procurado no mercado parceiros para que se tornem realidade. No início do ano a companhia criou canal digital de vendas específico para o modelo compacto Kwid.

 

Foto: Divulgação.