Quadro das exportações Brasil-Argentina se agrava

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CompartilheBalanço da Anfavea
04/10/2018

São Paulo – As exportações de veículos brasileiros seguiram em queda em setembro, ainda um desdobramento da grave crise que se instaurou na economia argentina, principal parceiro comercial do Brasil no setor automotivo. Segundo balanço da Anfavea divulgado na quinta-feira, 4, os embarques realizados nos nove primeiros meses do ano chegaram a 524 mil 289 unidades, 8% a menos do que em igual período em 2017, o pior resultado do ano. Em agosto o resultado já fora negativo em 4,6%.

 

Tudo indica que o perfil de queda visto nos dois meses permanecerá pelo menos até dezembro. Isso porque a Anfavea revisou para baixo suas projeções do ano para as exportações: a expectativa pré-crise era a de que o volume chegasse a 766 mil unidades. Com o desaquecimento no mercado vizinho a indústria tirou o pé nas pretensões e projetou o ano com 700 mil unidades exportadas, o que representará, caso se confirme o número, queda de 8,6% ante o resultado do no ano passado.

 

Especificamente na Argentina, até setembro, o volume de exportações regrediu 8%. Os números da Anfavea mostraram que nos três primeiros trimestres o Brasil enviou 363,1 mil veículos para lá. No ano passado, no mesmo período, foram 395,2 mil unidades. De janeiro a agosto as exportação à Argentina representavam por volta de 73% do total. Em setembro, no entanto, essas exportações caíram e chegaram a 50% do total.

 

Por segmentos as exportações foram 8,2% menores até setembro nos veículos leves, e de 4,5% em caminhões. Nos ônibus a retração chegou a 3,6%, e a 2,4% em máquinas agrícolas. Em valores as exportações renderam no acumulado do ano R$ 11 bilhões 897 milhões 431 mil às montadoras, valor maior do que o do ano passado no mesmo período, R$ 11 bilhões 659 milhões 15 mil.

 

Segundo Antonio Megale, presidente da Anfavea, o setor intensificou a busca por oportunidades em novos mercados como forma de diminuir os efeitos da crise argentina: “As montadoras estão tentando diluir a produção que estava indicada ao mercado argentino para outras regiões. Não será fácil porque não se faz isso do dia para a noite, mas é possível. Estamos contando com aumento dos estoques por causa da situação”.

 

Não será tarefa fácil para a indústria, pois os demais mercados com que o Brasil mantém relações comerciais estreitas passam por dificuldades ou tentam se recuperar de perdas recentes. Ao México, principal parceiro depois da Argentina, o País exportou 34,9 mil unidades no acumulado do ano, contra 69,3 mil no mesmo período do ano passado. Já o volume destinado ao Chile cresceu: 31,4 mil ante 25,7 mil no ano passado. Ao Uruguai foram enviados até setembro 18,8 mil veículos, volume menor do que os 25,5 mil exportados nos primeiros nove meses de 2017, e para Colômbia seguiu praticamente o mesmo volume registrado no ano passado: 16,3 mil unidades ante 16,2 mil. E queda no Peru: 11,9 mil unidades contra as 12,8 mil de 2017.

 

Foto: Divulgação.