Mercedes-Benz abre novos turnos em SP e MG

Imagem ilustrativa da notícia: Mercedes-Benz abre novos turnos em SP e MG

São Bernardo do Campo, SP – A Mercedes-Benz anunciou na terça-feira, 4, a contratação de seiscentos funcionários temporários para atuar nas fábricas de São Bernardo do Campo, SP, e Juiz de Fora, MG. Significa a abertura do segundo turno na produção de caminhões em São Paulo, fechado desde 2014, e a retomada do terceiro turno em Minas Gerais, o que não acontecia desde 2013. Quatrocentos trabalhadores serão incorporados em janeiro.

 

Os duzentos trabalhadores restantes estão programados para atuar nas linhas a partir de abril. No entanto a contratação desta leva final é incerta. De acordo com Philipp Schiemer, presidente e CEO para América Latina, elas acontecerão “desde que o mercado de caminhões mantenha tendência de expansão”, o que deverá acontecer no ano que vem segundo projeções da montadora: “O extrapesado continuará dando sustentação ao mercado, mas observamos renovação de frota em clientes que não têm transporte como atividade final no segmento de leves e médios”.

 

Com as contratações chega a 8 mil o número de funcionários na fábrica paulista da empresa, e 1 mil 40 funcionários em Minas Gerais. Os contratos têm a duração de um ano, informou a empresa, com a possibilidade de serem prorrogados por mais um ano. A capacidade de produção somadas das duas unidades é de 80 mil unidades/ano, o que, por ora, parece ser suficiente para atender à demanda crescente esperada pela companhia nos mercados interno e externo.

 

Em Juiz de Fora é produzido o caminhão extrapesado Actros, seu mais vendido. Até outubro, indicam os dados da Anfavea, a empresa vendeu 7 mil 674 unidades do modelo no País, volume que a fez ser líder do mercado nacional no período. Em São Bernardo do Campo, onde são produzidos demais modelos de caminhões e ônibus, há também necessidade de se produzir mais motores em função de crescimento da demanda observada no Exterior.

 

Segundo Schiemer a empresa assinou contratos intracompany, nos últimos dois anos, de fornecimento para unidades instaladas na Alemanha e no México: “Ainda que tenham sido acordados no passado só agora podemos contabilizar as unidades exportadas porque houve tempo de adequação da linha. Ao México enviamos motores para caminhões leves e médios. À Alemanha, para veículos pesados”.

 

Este ano a empresa deverá exportar 7,1 mil unidades de motores Euro 3 e 5, 129% a mais do que o volume atingido em 2017, que foi de 3,1 mil. A marca representa um recorde, apontou Schiemer.

 

O desempenho de franca expansão poderia ser visto também nos embarques de caminhões não fosse a crise argentina, disse o presidente, um cenário que deverá ser revertido no país vizinho “a partir do segundo trimestre do ano que vem”. Considerando o mercado argentino as exportações até outubro chegaram a cair 17,7%, atingindo volume de 10 mil 876 unidades frente às 13 mil 221 registradas no ano passado. Sacando a Argentina do balanço das exportações há crescimento: até outubro 6 mil 526 unidades, alta de 30,4% ante igual período em 2017. O quadro refletiu na participação das exportações na produção da M-B no Brasil: caiu de 40% para 30% de 2017 a outubro de 2018.

 

O cenário de crescimento no mercado interno no ano que vem e de forte exportação de motores e componentes garantiram a manutenção do investimento recente anunciado pela companhia no País. Metade dos R$ 2,4 bilhões anunciados até 2022 foram consumidos, dentre outras medidas, com a linha 4.0 de São Bernardo do Campo, pelas melhorias nas duas fábricas para se produzir em turnos adicionais. A metade restante, disse Schiemer, será aplicada, a princípio, em modernização do layout da fábrica paulista de caminhões e ônibus: “Estamos estruturando as áreas de armazenamento para que possam dar espaço à produção”.

 

Nesse volume anunciado incluem-se ainda a melhoria contínua nos veículos comerciais e o desenvolvimento de novos produtos e de tecnologias em serviços e conectividade.

 

Em tempo – A regulamentação do Euro 6 no País, cujo cronograma de aplicação no mercado interno fora estipulado pelo governo até 2023, é vista pela Mercedes-Benz como positiva para a renovação de frota. Tanto que a companhia deverá iniciar no ano que vem a produção de motores já calibrados para atender às exigências de emissões: “É uma forma de modernizar uma frota com idade média superior aos 15 anos. Produzir Euro 6 no Brasil nos abre a oportunidade de exportar esses motores para os mercados a que atendemos atualmente”.

 

Se as novas regras de emissões de alguma forma têm sinergia com as pretensões da M-B a nova regulamentação do Finame, por outro lado, parece não alterar os rumos traçados pela companhia por aqui. Para Schiemer a participação do modelo de crédito perdeu protagonismo para o CDC, uma modalidade que tem crescido nas vendas de caminhões da companhia: “O Finame teve sua importância naquele momento de forte fomento ao crédito pelo qual passou o País. Hoje as linhas de CDC são mais atraentes e têm se destacado entre os clientes”.

 

O executivo disse que a participação do Finame nas vendas M-B, hoje, é de 30%. De 2013 a 2014 essa participação foi de até 80%.

 

Foto: Divulgação.