Veículos comerciais serão etiquetados na Europa

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São Paulo – A partir de janeiro passam a valer, na Europa, novas regras que dizem respeito às emissões de veículos comerciais: todo e qualquer caminhão e ônibus produzido no continente deverá ser certificado de acordo com suas emissões de CO² e com a eficiência energética do seu powertrain. A medida faz parte de um planejamento macro de redução da poluição para os próximos anos estipulado pela Comissão Europeia.

 

Até 2025 o volume de emissões deverá ser 15% menor do que as de 2019, projeta a regulamentação europeia – e em 2030 pelo menos 30% menor do que em 2019. Para controlar os níveis de emissões os governos deverão monitorar os veículos comerciais circulantes. A ferramenta escolhida para realizar a tarefa é um sistema digital que recebe e analisa os dados de emissões gerados por caminhões e ônibus produzidos a partir de janeiro.

 

A proximidade da data de vigência da nova legislação levou o Grupo Daimler, controlador da Mercedes-Benz, a anunciar na terça-feira, 18, que antecipou o processo de certificação de seus veículos junto às autoridades europeias responsáveis pelo controle das emissões. Desde novembro, informou a companhia, já entregou 1 mil unidades do modelo pesado Actros com certificados.

 

Sob a ótica do cliente a certificação é vista na União Europeia como uma forma de aumentar a transparência acerca de quão eficiente ou poluente é um veículo, o que torna possível a comparação de diferentes modelos e marcas de caminhões e ônibus. Para a indústria local a medida é sinônimo de mudanças – com os veículos monitorados em uso aumentam as possibilidades de apresentarem variações nos níveis de emissões, segundo Antônio Jorge Martins, especialista na cadeia automotiva da FGV:

 

“O mercado europeu tem metas ambiciosas de redução de poluentes e o controle será rigoroso do ponto de vista tecnológico. Teste em campo produz resultados mais apurados e avalia variantes que os testes em laboratório não conseguem aferir. Na prática poderá significar que as empresas terão de fazer ajustes na tecnologia do powertrain na medida em que a União Europeia for analisando os dados anuais da frota circulante”.

 

Não é possível verificar, por ora, se as montadoras instaladas no Brasil que exportam para a Europa terão de se preparar para atender às novas exigências daquele mercado. Na fábrica da Scania, em São Bernardo do Campo, SP, são produzidos caminhões e motores que atendem a alguns países do continente. A empresa informou que “está preparada para atender aos níveis de emissões estipulados pela União Europeia”. Atualmente a companhia exporta caminhões para a Rússia, país que está fora da zona da UE.

 

A Rússia é o principal destino de caminhões e ônibus das exportações brasileiras no continente, de acordo com dados da Anfavea. No acumulado do ano foram exportadas 5 mil 286 unidades, 116% a mais do que no janeiro-novembro de 2017. A Mercedes-Benz exporta motores Euro 5 e Euro 6 para unidades da companhia na Alemanha, mas também informou que por aqui não há reflexos da nova regulamentação de emissões europeia.

 

Procedimento semelhante ao europeu será adotado pelas fabricantes no Brasil para adoção do Euro 6. Até 2023 as fabricantes terão de compilar os dados de testes de emissões feitos durante a aplicação dos caminhões e ônibus, não sendo necessário o envio das informações a algum órgão regulador após a compra do veículo. Espera-se que o Euro 6 seja uma realidade nas linhas de produção em 2022.

 

Foto: Divulgação.