Grupo mexicano instala operação em Caxias do Sul

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09/01/2019

Caxias do Sul, RS – Mesmo com os sobressaltos da economia brasileira nos últimos anos, o grupo mexicano Videoturismo manteve seus investimentos programados e instalou sua primeira operação na América do Sul em Caxias do Sul, RS. Com mais de quinze anos de mercado e sede em Chihuahua, a empresa é focada em soluções digitais de entretenimento e tecnologia para transporte de passageiros em ônibus rodoviários.

 

A operação de Caxias do Sul tem à frente os sócios mexicanos Cesar Gramer e Sergio Gramer e o brasileiro Maurício Rizzotto. A escolha pela Serra Gaúcha atende à estratégia de crescimento da companhia: fornecer soluções inovadoras em tecnologia e entretenimento, inicialmente para as fabricantes de carrocerias de ônibus e para frotistas do Brasil, e posteriormente, expandir o negócio para atender aos países da América do Sul.

 

Após quatro anos em queda, o segmento de ônibus reagiu no Brasil em 2018. Pelos dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus, a Fabus, até outubro, haviam sido vendidos 4 mil 39 veículos rodoviários, foco da empresa mexicana. Em todo 2017 foram 4 mil 150 unidades. Tomando por base a média mensal, o crescimento é de 16%. Em ambos os casos, em torno de 50% são exportados, com destaque para mercados da América do Sul.

 

De acordo com Sergio Gramer, a Videoturismo já atendia empresas brasileiras, fornecendo equipamentos para ônibus exportados ao México. Inicialmente, a operação local terá caráter mais comercial, mas já suportada por um núcleo de montagem.

 

“Desenvolvemos fornecedores locais e já usamos componentes comprados aqui. Trazemos de fora aquilo que não temos por aqui. Mas avaliamos a possibilidade de, futuramente, produzir no Brasil”.

 

A novidade para o mercado, segundo Gramer, é o sistema de streaming. Além do tradicional monitor de salão ou individual de poltrona, outra novidade para o Brasil, o passageiro também poderá assistir a programação em seu smartphone, tablet ou celular. “Atualmente, o nível de entretenimento em um ônibus é ainda muito básico, com monitores de salão e poucas opções de exibição de programas. Com esta tecnologia, haverá a individualidade de escolha por passageiro, que terá a tela fixada na poltrona da frente, além da opção de usar seu próprio equipamento móvel”.

 

A empresa também tem uma linha diversificada de acessórios, como carregadores de celulares – demanda já incorporada nos veículos.

 

O foco inicial da empresa será o transporte rodoviário de nível alto, principalmente para turismo. No médio prazo, Gramer projeta a extensão do negócio a todos os veículos usados em viagens com mais de três horas de duração, inclusive com incorporação em ônibus já em uso. “A tecnologia torna a viagem mais prazerosa. Não podemos encurtar as viagens, mas podemos fazer com que pareçam mais curtas”.

 

Gramer destaca que o uso do monitor individual é ainda um produto novo e usado por poucas empresas. Mas projeta crescimento a partir da oferta no país. “O setor tem evoluído gradualmente nos últimos anos. No começo, eram monitores comuns, colocados no salão, que reproduziam videocassetes. O setor passou a incluir geladeira, sanitário e o ar-condicionado virou obrigatoriedade. Com as tecnologias 3G e 4G foi preciso incluir o carregador USB. Agora, estamos avançando para um sistema ainda mais individual, com as telas nas poltronas, e a possibilidade de até sessenta pessoas usarem o sistema de forma simultânea, inclusive o seu próprio equipamento móvel”.

 

Gramer salienta que manter o passageiro entretido na viagem é uma revolução que está chegando ao setor de ônibus, algo já comum no transporte aéreo. “No México, o grau de importância do entretenimento chegou a nível tal que o ônibus que estiver com problemas nestes sistemas não sai da garagem”.

 

Alegando ser ainda um mercado novo, o executivo afirma não ter ainda estimativa de volumes de vendas. Mas antecipa que clientes da Bolívia e Argentina já manifestaram interesse de compras. “É um grande mercado para ser conquistado paulatinamente. E o momento é adequado, pois há um otimismo, principalmente no Brasil, de crescimento. Acho que chegamos num momento indicado para bons negócios”.

 

Foto: Divulgação.