Mogi Guaçu, SP — O contrato de longo prazo firmado pela Suspensys com a Mercedes-Benz para fornecimento de eixos dianteiros, estimado em R$ 7 bilhões ao longo de dez anos, é visto pela Randoncorp como um movimento relevante de expansão dentro da cadeia automotiva, especialmente no segmento OEM.
O presidente e CEO da companhia, Daniel Randon, afirmou à Agência AutoData que o acordo se insere em projeto já em curso de fortalecimento da atuação junto às montadoras.
“60% das nossas receitas vêm de autopeças e aproximadamente 30% da nossa montadora de semirreboque e vagões de carga. Isto reforça o que a Randoncorp tem trabalhado para estar cada vez mais perto das montadoras”, assinalou Randon. Hoje quase a metade do faturamento provém da reposição.
Segundo ele a entrada no fornecimento de eixos dianteiros amplia o portfólio e cria uma nova frente de receita dentro de um relacionamento já consolidado: “O incremento de um eixo dianteiro dos caminhões junto à Mercedes-Benz, para nós, é um incremento de portfólio de receita, que é importante”.
Com receita de R$ 13 bilhões no último ano e com mais de 17 mil colaboradores a companhia destaca o peso do projeto dentro de um ciclo mais amplo de investimentos: “Ficamos contentes de estar aqui com a Suspensys, a Castertech, a Master, com mais de 450 colaboradores até o fim do ano, que representam uma parcela importante hoje do nosso grupo, e com investimentos nos últimos anos de R$ 350 milhões”.
Randon também enfatizou que o contrato reforça a posição do grupo no fornecimento direto às montadoras.
“Isto reforça a nossa liderança como Suspensys no mercado de montadoras e também de reposição”, disse, citando ainda a operação integrada de outras empresas do grupo: “Temos a Master, que atua na parte de freios, a Castertech na parte de componentes fundidos, e também a Jost, que fornece componentes para os montadores”.
Peso do OEM e diversificação
Hoje o mercado de reposição ainda representa uma fatia relevante do faturamento, mas a companhia já observa um equilíbrio maior com as operações ligadas às montadoras: “Na prática, da receita total da Randoncorp, 45% vêm do mercado de reposição. O restante, incluindo semirreboque e caminhões, representa mais de 50%”.
Ao considerar apenas a relação com montadoras dentro do conjunto de negócios o executivo estima uma participação significativa: “Nós estamos falando aí praticamente de 45% a 50% da nossa receita ligada às montadoras dentro da participação total da empresa”.
Cenário econômico e plano de negócios
Diante de ambiente ainda pressionado por juros elevados no Brasil a empresa tem buscado diversificar mercados e ampliar sua presença internacional como forma de sustentar investimentos: “Uma empresa que tinha 14% da sua receita no mercado externo hoje já tem um terço. Estamos falando de mais de 30% da nossa receita no mercado externo, buscando novos mercados”.
Ele citou a aquisição recente de uma planta no México e a ampliação da atuação em serviços como parte do projeto: “Investimentos novos, por exemplo, na Randon Consórcio, com parcerias como a entrada da Pátria Investimentos”.
A companhia também tem ampliado o portfólio para além do transporte rodoviário, como para o agronegócio. Para o executivo o cenário atual combina desafios e oportunidades: “O momento do País é desafiador, com juros altos, mas, no momento em que os juros começam a mostrar uma tendência de queda e o agro continua pujante, para nós é um momento de crise, mas também de oportunidade”.
Neste contexto a prioridade passa por ganhos de eficiência: “É uma oportunidade para revisitar a nossa empresa, melhorar a nossa produtividade, reduzir nossos custos fixos para voltarmos mais competitivos no médio e longo prazo”.