Empresa formada a partir do spin-off dos negócios automotivos do Grupo Continental fez a sua estreia oficial
São Paulo – Grandes corporações com unidades de negócios diversas são parecidas com transatlânticos: enormes, suntuosas e pouco ágeis. Foi em busca de agilidade que o centenário Grupo Continental tomou a decisão, em 2025, de separar seus negócios automotivos e criar uma nova empresa, independente: a Aumovio.
No primeiro momento a preocupação é contar a todos os clientes e parceiros que nada mudará: a lógica do negócio segue a mesma, o navio continua seu percurso. Mas, passado algum tempo, com a casa em ordem, as decisões que, a princípio parecem sem muito sentido, são esclarecidas.
“Enquanto a maré é tranquila os diferentes convivem bem”, afirmou Ricardo Rodrigues, diretor geral da Aumovio no Brasil. “É nas adversidades que enxergamos a necessidade de agilidade. Foi o que fizemos: diante de um mercado automotivo que passa por disrupções e desafios optamos por fortalecer a posição competitiva com uma empresa mais ágil e flexível.”
Ele confessou que este cenário disruptivo, hoje, é ainda mais forte do que quando a decisão foi tomada. E o diagnóstico é que foi a coisa certa a ser feita: “Hoje todas as nossas fábricas têm um representante direto que integra o Conselho Executivo global. O processo decisório foi abreviado, antes precisava passar por dois ou três níveis para chegar no conselho. Investimentos, realocação de verbas são decididas em uma ligação telefônica, em uma reunião”.
A Auomovio Brasil é composta por três fábricas, que respondem a três membros diferentes do conselho. Em Guarulhos, SP, a sede local, são fabricados componentes eletrônicos, como displays, clusters e módulos. A quilômetros dali, em Várzea Paulista, SP, saem os sistemas de frenagem, de freios a tambor a EPBs, os freios eletrônicos de estacionamento. Em Jacutinga, MG, são fabricadas as antenas. Existe ainda o armazém, em Itapevi, SP, dedicado à reposição.
Foco no aftermarket
No primeiro momento o trabalho mais pesado da Aumovio no Brasil é expandir sua participação no mercado de reposição. Segundo Rodrigues o objetivo é triplicar de tamanho em cinco anos, subindo a participação nas receitas locais de 10% para 20%: “Nos últimos anos já dobramos de tamanho”.
Para alcançar a meta ousada diversos lançamentos foram realizados e mais estão programados, das marcas VDO e ATE. Dentre as novidades compõem o cardápio óleo de motor, fluido de freio, bicos injetores, sensores ABS.
Rodrigues disse que a operação brasileira da Aumovio representa em torno de 3% da global. No ano passado o faturamento global somou 18,5 bilhões de euros e o objetivo, para 2026, é manter o patamar diante de um mercado em queda – com a operação brasileira crescendo de 3% a 5% em receita e, por consequência, ganhando mais relevância na companhia.
Apesar do foco no aftermarket a negociação com montadoras não foi abandonada. Rodrigues afirmou que, nas últimas semanas, manteve conversas com pelo menos três empresas com origem na China que estão vindo para o Brasil: “Estamos tentando tornar viável negócios com essas empresas. Ou somos flexíveis e participamos com eles ou ficamos rígidos e desaparecemos”.