A sindicato, GM admite fechar fábrica

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São Paulo – A General Motors encontrará resistência dos trabalhadores para colocar em prática seu plano de enxugamento de custos, proposto na semana passada. Ciente disso elevou o tom nas negociações e, em reunião com dirigentes sindicais de Gravataí, RS – onde produz Onix e Prisma, seus modelos de maior volume –, o presidente Carlos Zarlenga admitiu que não está descartada a possibilidade de fechar unidades produtivas no País ou na Argentina.

 

“Eles não descartaram fechar fábrica aqui nem na Argentina, mesmo que a operação seja antiga”, disse Edson Dornelles, vice-presidente do sindicato de Gravataí. “Na reunião deram o exemplo de uma empresa que fechou após dez anos em operação. Tempo não será levado em consideração.”

 

Aos gaúchos foi apresentado um plano com 21 pontos referentes à reestruturação que a montadora planeja na fábrica. A primeira reunião, no sábado, 26, poderia ter avançado mais caso o presidente Carlos Zarlenga estivesse presente, o que não aconteceu e gerou embaraço:

 

“Imaginávamos que nos tratariam da mesma forma como trataram os trabalhadores das demais fábricas, que conversaram com a alta cúpula da empresa”.

 

Os trabalhadores solicitaram uma reunião com o alto escalão, a exemplo do tratamento prestado às unidades paulistas, que foi atendida na manhã da segunda-feira, 28. O presidente Zarlenga e Marcos Munhoz, vice-presidente da General Motors do Brasil, esmiuçaram os pontos do planejamento.

 

Os itens da reestruturação desenhada pela empresa, no entanto, desagradaram os representantes dos funcionários da fábrica de Gravataí, disse Dornelles. O mesmo ocorreu com seus colegas metalúrgicos de São José dos Campos e de São Caetano do Sul, SP, para os quais a montadora apresentou plano com itens semelhantes, variando conforme as particularidades de cada unidade.

 

Na segunda-feira, 28, dirigentes do sindicato de São José se reuniram com a diretoria da empresa, que seguia até o fechamento desta reportagem. Em São Caetano, de acordo com o presidente Aparecido Inácio da Silva, uma assembleia apresentou os planos aos trabalhadores.

 

“Dentre outras coisas eles sugeriram reduzir o piso salarial, que atualmente é de R$ 1,7 mil, para R$ 1,6 mil. Não haverá corte de salário, seria pago apenas a novos contratados”, disse o metalúrgico. “Já mandamos este item para a lata do lixo.”

 

A reportagem tentou contato com a empresa na segunda-feira, 28, e não teve retorno.

 

Argentina – No país vizinho, segundo consultores locais ouvidos pela Agência AutoData, a montadora trabalha desde o ano passado com paradas na produção do Cruze hatch e sedã em Rosario. Nas vendas no mercado local a companhia encerrou o ano passado atrás de Volkswagen e Renault, com 101 mil 252 licenciamentos, queda de 17,6% na comparação com as vendas em 2017.

 

Foto: Divulgação.