Ford conta porque sacou estepe do EcoSport

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Tatuí, SP – A Ford apresentou na quarta-feira, 30, as razões pelas quais passou a vender, na América Latina, a versão EcoSport Titanium sem o pneu estepe, que ancorado à sua porta traseira era o principal apelo comercial do SUV compacto lançado aqui em 1998. A nova configuração do veículo, apresentada pela primeira vez no Salão do Automóvel de São Paulo, no ano passado, estaria alinhada aos anseios dos consumidores no que diz respeito ao desenho. Outro fator, este intrínseco à estratégia da empresa que não a confirma oficialmente, é a competição com modelos sem o estepe aparente, como Honda HR-V e Nissan Kicks, modelos que estão à frente do EcoSport em vendas.

 

A empresa apresentou pesquisa que mostra o interesse dos brasileiros nas linhas dos SUV: 77% dos entrevistados apontaram o item como determinante para compra. Opinião semelhante a Ford observou na Europa quando passou a vender o EcoSport: o modelo então produzido no Brasil com o estepe instalado na parte traseira desegradou aos europeus, levando-a a atender aquele mercado com versões desprovidas do conjunto roda-pneu aparente.

 

No caso brasileiro, no entanto, a empresa optou por testar a aderência da nova versão Titanium antes de cogitar disseminar a tendência por toda a gama – algo que não está descartado, de acordo com Adriana Carradori, gerente de marketing: “Estamos prontos para atender a uma eventual necessidade dos consumidores caso a reação seja positiva. Decidimos antes observar as reações do mercado para dar uma resposta mais assertiva. Escolhemos a Titanium por ter um perfil de veículo mais urbano do que as demais versões”.

 

Não será tarefa fácil, no entanto, retirar o estepe das demais versões, sobretudo nas de entrada. Isso porque o que possibilitou a retirada do estepe do novo modelo foi a aplicação de pneus do tipo run flat, comuns a veículos do segmento premium, que não esvaziam de forma instantânea quando sofrem algum tipo de avaria. A Ford passou os dois últimos anos desenvolvendo junto com a Michelin o modelo ZP, ou Zero Prerssure, de pneu utilizado pelo novo EcoSport.

 

O item encarece o preço final do veículo: importado, chega a custar em média R$ 900,00 a unidade, afora demandar manutenção especializada e componentes eletrônicos – a nova versão do EcoSport chega ao mercado com sensores de pressão instalados nas rodas e indicador digital no painel. A empresa não confirma, mas inserir pneus mais caros na versão topo de linha do modelo indica que o novo componente configura custo em versões sensíveis ao preço, como são as de entrada. A Titanium chegará à rede de concessionários na segunda metade de fevereiro no valor de R$ 103 mil 890. A de entrada, SE Direct, custa R$ 78 mil 990.

 

Adriana Carradori apresentou contrapontos à ideia de que o EcoSport ficou mais caro com a adoção da nova tecnologia. Segundo ela a versão tem um baixo valor de posse, indicador que pode ser medido por meio do seguro veicular, por exemplo: “Conseguimos com uma operadora de seguros, para a versão Titanium, R$ 2 mil nos três primeiros meses após a compra do veículo. É um valor competitivo e abaixo do cobrado em modelos concorrentes”.

 

Outro ponto mostrado é a redução do consumo de combustível: com o pneu run flat o EcoSport ficou 5 quilos mais leve, e o menor peso, na relação desempenho-consumo, melhora o desempenho do veículo -- apesar dos run flats, de perfil largo, terem mais atrito com o solo. Com álcool o motor 1.5 três cilindros consome 1 litro a cada 7,4 quilômetros, e com gasolina faz 10,6 quilômetros por litro. Ambas as médias de consumo, em projeções mostradas pela empresa em seu campo de provas instalado em Tatuí, SP, estariam abaixo da média dos veículos concorrentes. O motor da EcoSport Titanium 2020, produzido em Camaçari, BA, tem três cilindros e potência de 137 cavalos com álcool.

 

A companhia não informou se a versão Titanium brasileira terá alterações para atender aos mercados da América do Sul para onde é exportado, sobretudo o argentino: no ano passado foram licenciados naquele país 16 mil 947 unidades, apontam dados da Acara, a associação dos concessionários argentinos. Apesar do volume representar queda de 3,5% na comparação com as vendas de 2017, o SUV compacto da Ford foi o mais vendido da categoria na Argentina.

 

O EcoSport Titanium 2020 tem transmissão automática que simula seis marchas e novos equipamentos como a central multimídia com tela de 8 polegadas, sistema de monitoramento de ponto cego com alerta de tráfego cruzado, sete airbags, acesso inteligente, partida sem chave, acendimento automático dos faróis, sensor de chuva, espelho retrovisor eletrocrômico, faróis de xênon com luzes diurnas de LED, bancos em couro, teto solar elétrico e rodas de liga leve de 17”.

 

Foto: Divulgação.