Concessionária digital e itinerante

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São Paulo – Os mais jovens não conheceram – e nem deverão chegar a conhecer – a figura do vendedor de enciclopédia. Com seus ternos escuros, cabelos penteados e uma pasta na mão, batia às portas das casas para tentar convencer as famílias a adquirir os pesados volumes de Barsa ou Mirador, as mais populares no Brasil.

 

O vendedor de enciclopédia foi uma das profissões que a internet engoliu. Atualmente toda a informação está disponível a poucos cliques, na nuvem digital ou em algum CD ou DVD desatualizado de uma enciclopédia da nova geração.

 

Mas não profetizem que as concessionárias digitais farão com os vendedores de carro o mesmo que a internet fez com os de enciclopédia: os planos da Volkswagen, que na segunda-feira, 4, apresentou a jornalistas uma das dez lojas que iniciaram o projeto piloto na América Latina, seguem trajetória oposta a essa profecia, pois a figura do vendedor ganha força. Perde a da concessionária física.

 

Por módicos R$ 28 mil um concessionário adquire o kit digital: um televisor de alta definição e tela sensível ao toque, computador ou tablet de última geração, mobiliário e óculos de realidade virtual. Instalados em ambientes de no mínimo 90 m², prometem ser uma extensão de lojas em feiras, estádios de futebol e shoppings ou, até mesmo, uma pequena loja em bairro nobre, que demanda elevado custo de IPTU.

 

O showroom está nas nuvens, como a enciclopédia. E, por estar nas nuvens, possibilita também que o vendedor de automóvel se transforme em  vendedor de enciclopédia: bata na casa do cliente, com seu terno, o cabelo penteado e uma pasta na mão, contendo um tablet e um óculos de realidade virtual, oferecendo o showroom digital.

 

No tablet o mesmo programa oferecido na concessionária de concreto e tijolos está disponível para o cliente. É possível configurar, e ver, as diferentes versões, rodas, cores, preços e condições de financiamento. Quer ver mais? Vista no cliente o óculos de realidade virtual e faça um passeio pelo interior do veículo, com todos os pormenores digitalizados.

 

Embora já seja possível de colocar em prática o vendedor de enciclopédia do século 21 ainda é tratado pela Volkswagen como tática a ser usada no futuro. O que está em jogo, por agora, é o desenvolvimento do conceito de concessionária digital. Dez lojas foram abertas no Brasil e outras vinte estão programadas em mais sete países da América Latina. Até o fim de março coletarão impressões e se ajustarão para, a partir daí, dar outros saltos.

 

Pablo Di Si, presidente da Volkswagen América Latina, disse que o software da concessionária digital é atualizado todos os dias pela manhã, tanto para ajustar novidades no portfólio como para agregar sugestões de consumidores. Entusiasta do projeto, o presidente da VW procurou, durante encontro com a imprensa na loja da rua Colômbia, em São Paulo, destacar que o desenvolvimento foi feito todo em parceria com a rede – um dos motivos que o leva a acreditar em seu rápido sucesso.

 

“Reduz custo de IPTU, por ocupar menos espaço, de IPVA, por reduzir o showroom, de floor plan. E demanda menos vendedores. Estamos negociando com clubes de futebol para colocar essa concessionária virtual nos estádios, mas podem ser instaladas também em shoppings, feiras, até na sala do cliente, se assim precisar.”

 

Segundo Di Si a velocidade do projeto tende a crescer durante sua implementação. A ideia é a de que em junho todo o processo de compra possa ser feito por meio da concessionária digital, reduzindo o trabalho do vendedor dentro da concessionária – sua missão, agora, poderá ser a de vender fora dos limites da loja.

 

Foto: Divulgação.