Fistarol: mercado vai bem, mas preços são impraticáveis.

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São Paulo – Por baixo do crescimento de 48% nas vendas de caminhões no primeiro trimestre do ano, comparado com os primeiros três meses de 2018, se esconde um fator que preocupa os departamentos financeiros das montadoras. Não é somente a base de comparação, ainda baixa, bem inferior aos tempos áureos de vendas de caminhões no Brasil: é a rentabilidade.

 

Vilmar Fistarol, presidente da CNH Industrial para a América do Sul, afirmou que os preços de caminhões atualmente estão “uma desgraça”. Segundo o executivo existem casos em que é melhor nem fechar o negócio: “Todo mundo fala em mercado, mas os preços são impraticáveis”.

 

A situação se agrava porque há, no horizonte, a previsão de entrada em vigor da oitava fase das normas de emissão do Proconve, equivalentes ao Euro 6. As fabricantes precisarão investir em tecnologias para desenvolver os motores que equiparão os caminhões a partir de 2022, para novos projetos, e 2023, para modelos já lançados. E os investimentos para o Euro 5, que entrou em vigor em 2012, ainda não tiveram o retorno esperado.

 

Inércia do governo – A falta de capacidade de decisão do atual governo também preocupa o presidente da CNH Industrial. Fistarol ponderou que, apesar do cenário bastante positivo do setor do agronegócio – que é um dos que mais puxa a compra de caminhões, especialmente os extrapesados – há ainda muita desinformação e indecisão.

 

“Estamos às vésperas do encerramento do Plano Safra 2019 e não sabemos se haverá dinheiro suficiente. O BNDES diz uma coisa, a ministra diz que o dinheiro está garantido, não há uma clareza nas informações. Precisamos saber se vai haver Moderfrota ou algum outro financiamento, porque, se não houver, vamos atrás de alternativas, como os bancos privados. Os empresários querem investir, mas a insegurança é muito grande.”

 

A CNH Industrial tem atuação forte no segmento do agronegócio com a Case Agriculture e a New Holland Agriculture, fabricantes de máquinas agrícolas, além da própria Iveco. Fistarol se preocupa – e leva essa questão ao governo – com o desenrolar dessa indecisão na cadeia.

 

“Uma demora de quinze, vinte dias de tomada de decisão do governo pode gerar uma parada de sessenta a noventa dias na produção. Já tivemos isso no passado e é isso que eu levo ao governo. Nossa cadeia é extensa, não é só o fazendeiro. Acho que é uma sensibilidade que não toca todo mundo no governo.”

 

Foto: Divulgação.