México e Argentina buscam abrir fronteiras automotivas

Imagem ilustrativa da notícia: México e Argentina buscam abrir fronteiras automotivas
CompartilheComércio Exterior
22/04/2019

São Paulo – A expansão de mercados de exportação por meio de acordos comerciais bilaterais está na mira de Argentina e México, dois países com os quais o Brasil possui relação comercial automotiva madura. Representantes da INA, Industria Nacional de Autopartes, e da Afac, Associación de Fábricas Argentinas de Componentes, equivalentes mexicano e argentino, respectivamente, do nosso Sindipeças, traçaram o cenário das suas indústrias em painéis que abriram o Encontro da Indústria de Autopeças, na manhã de segunda-feira, 22, no São Paulo Expo.

 

Sétimo maior produtor global de veículos o México possui mais de seiscentas empresas Tier 1, que forneceram peças e componentes para mais de 3,5 milhões de veículos ali produzidos no ano passado:

 

“Somos o quinto maior produtor de peças do mundo”, afirmou Óscar Albín, presidente da INA. “Em 2018 superamos a Coreia do Sul. A indústria automotiva representa 18,5% do PIB mexicano, sendo o segundo setor mais importante, atrás apenas dos alimentos. A cadeia emprega mais de 1 milhão de pessoas”.

 

Forte exportadora – mais de 80% da produção de veículos mexicana vai para outros mercados, sobretudo os vizinhos Estados Unidos e Canadá – a indústria local sente falta de atores nos degraus mais baixos da cadeia, o que, segundo Albín, abre oportunidades para empresas brasileiras: “Temos poucos fornecedores Tier 2 e Tier 3”.

 

Além de buscar ampliar sua presença em outros mercados da América Latina e Europa as montadoras instaladas no México enxergam possibilidade de reforçar as entregas ao mercado doméstico. Albín aponta que, hoje, onze de cada cem habitantes mexicanos adquirem um veículo. Há espaço, segundo ele, para subir esse volume para dezesseis.

 

De comum com o México a Argentina só tem a vocação exportadora. Raúl Amil, presidente da Afac, afirmou que 56% do volume que sai das linhas de montagem do país vizinho tem outros mercados como o destino, e 70% destes veículos desembarcam no Brasil. Lá, porém, a indústria fornecedora é bem menor: são 450 empresas, das quais 153 fornecedores Tier 1.

 

O problema é que 43 desses fornecedores têm apenas dois clientes. 35 empresas atendem a três montadoras, outras trinta possuem apenas quatro contratos assinados e apenas 45 sistemistas possuem mais do que cinco clientes.

 

“Fechamos o ano passado com déficit de US$ 7,4 bilhões no setor automotivo, produzindo 500 mil unidades. É um valor similar ao de cinco anos atrás, quando a indústria entregou mais de 800 mil veículos. A participação de empresas locais na produção argentina não cresce há muitos anos.”

 

Atualmente a indústria argentina de autopeças representa menos de 1% do PIB local. O grande desafio – no qual acordos comerciais bilaterais seriam fundamentais para garantir mais escala de produção – é agregar mais tecnologia e elevar o preço dos componentes, para reduzir esse déficit comercial, ainda mais em um país tão carente de entrada de moeda estrangeira.

 

Foto: Ivan Bueno/APPA.