Mercado de veículos avança 20% em maio

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São Paulo – O desempenho do mercado brasileiro de automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus continua contrariando todos os indicadores econômicos. Até a quinta-feira, 30, foram emplacadas, em maio, 224,3 mil unidades, o que já representa um crescimento de 10% sobre maio do ano passado – 201,9 mil licenciamentos. A expectativa dos varejistas é a de que, quando somados os volumes de sexta-feira, 31, o volume alcance até 245 mil veículos, o que representaria crescimento superior a 20% sobre o mesmo mês de 2018.

 

Ainda que abaixo das estimativas dos varejistas ao fim do primeira quinzena, quando projetavam 255 mil licenciamentos, o ritmo do mercado surpreende. O crescimento do acumulado do ano segue na casa de índice de dois dígitos – 12% se alcançada a projeção dos varejistas para maio, com 1 milhão 85 mil unidades licenciadas –, enquanto os indicadores econômicos e de confiança do consumidor e empresários apontam para baixo.

 

Na quinta-feira, 30, foi divulgado o PIB do primeiro trimestre: recuo de 0,2% e sinal amarelo ligado. O mercado financeiro reduz, semana a semana, sua estimativa para o crescimento da economia – a última, na segunda-feira, 27, foi de 1,24%. Mas analistas já falam em menos de 1% de avanço: para a Nova Futura Investimentos a estimativa é de 0,7% de crescimento do PIB, com viés de baixa.

 

Segundo uma fonte ligada ao varejo automotivo as locadoras estão sustentando o crescimento nas vendas: “As montadoras precisam emitir uma nota fiscal para receber o faturamento pelo veículo produzido. Por isso oferecem descontos generosos e condições vantajosas para as locadoras, que estão mantendo o mercado em alta. O varejo, em si, não está na mesma situação”.

 

Ao fim do primeiro quadrimestre, de acordo com os dados da Fenabrave, o varejo apresentou recuo de 1% sobre o mesmo período de 2018 – uma estatística que deve ser analisada com cuidado, uma vez que este volume desconta as vendas a taxistas, pequenos fazendeiros e PcDs, que representam uma parcela considerável das vendas diretas.

 

É um pensamento mais em linha com a atual realidade econômica do Brasil. Na sexta-feira, 31, o IBGE divulgou a taxa de desemprego no trimestre encerrado em abril: 12,5%, com 13,2 milhões de desempregados. Segundo a Agência Brasil é menos gente do que no mesmo trimestre de 2018, 13,4 milhões de pessoas, mas 552 mil pessoas a mais do que no trimestre imediatamente anterior, encerrado em janeiro.

 

Outro índice relevante divulgado na sexta-feira, 31, foi o de confiança dos empresários, que recuou 2 pontos de abril para maio, segundo a FGV, Fundação Getulio Vargas. De acordo com Carlos Alberto de Oliveira Andrade, do Grupo Caoa, "nosso apoio e nossa confiança são absolutos, mas enxergamos na questão da reforma previdenciária um ponto crítico que pode destravar investimentos e tornar mais seguro o futuro dos cidadãos brasileiros”.

 

A opinião do empresário reflete a dos executivos do setor automotivo recentemente ouvidos por AutoData: estão confiantes com a economia, mas ressalvam que a reforma da Previdência precisa ser aprovada para que os investimentos retornem ao País.

 

Na segunda-feira, 3, a Fenabrave divulga o balanço oficial de vendas de veículos no mercado brasileiro. Na quinta-feira, 5, a Anfavea revela os números também de produção e exportação – neste caso, a tendência é de volumes abaixo dos registrados em 2018 devido à situação da Argentina.

 

Foto: Pexels.