Caminhões e ônibus seguem com otimismo para o ano

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CompartilheSeminário AutoData
25/06/2019

São Paulo – Depois de um tombo de 76% no mercado de caminhões e ônibus de 2011 a 2016, o setor se recupera e vê sinais de retomada. “Estamos entrando em uma nova era de prosperidade e precisamos estar preparados”, enfatiza Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas da Volkswagen Caminhões e Ônibus, durante o Seminário AutoData de Revisão das Perspectivas 2019, na terça-feira, 25.

 

Alouche acompanha a Anfavea nas projeções para 2019: alta de 15% nas vendas de caminhões e ônibus, de 91,1 mil de 2018 para 105 mil em 2019, aumento de 4% nas exportações e avanço de 12% na produção.

 

O executivo da VWCO vai além, com boas perspectivas até 2030: os próximos anos serão de crescimento. “Para potencializar essa alta a indústria está preparada com boas e consistentes propostas. Por exemplo, a renovação de frota. A indústria, o Sindipeças e a Anfavea possuem uma proposta pronta, estruturada, alinhada, para levar um plano ao governo. Se for instaurado como foi proposto, não tenho dúvida alguma que o mercado vai crescer e até de forma mais intensa.”

 

Nestes últimos cinco anos repletos de desafios as empresas tiveram que se reinventar. Para Alouche, nos seis meses de 2019 a economia dá sinais de melhorias e reaquecimento, com movimento no setor de cargas e de passageiros.

 

De 2017 – o fundo do poço – para cá, o mercado reagiu e houve crescimento de 126%. “O setor estava em depressão. Nem por isso está fácil agora ou há um boom de mercado, mas há um sinal representativo. Há uma reação na volta de grandes negócios de ônibus e caminhões e a agricultura continua sendo o grande motor da economia”.

 

O segmento de extrapesados foi o que mais cresceu nos últimos tempos e hoje está no patamar de 2011. Usando como base janeiro a maio, a alta foi de 249% nesses meses de 2019 comparando com o mesmo período de 2017. Os caminhões leves, segmento que demora mais a reagir, subiu 65% neste período. Em ônibus a alta foi de 122%.

 

Apenas as exportações tiveram queda acentuada de 48%, em função de recessão da Argentina e outros mercados da América Latina.  A indústria ainda trabalha com ociosidade, a alta do dólar atrapalha a competitividade e há forte pressão nos custos. “O setor passa por uma pressão grande e a indústria está longe de ter margens sadias”.

 

Os serviços agregados surgem como novo modelo de negócios, focado na conectividade. Após lançar uma nova geração de caminhões e oferecer novos serviços, a Scania comemora as boas vendas e tem boas perspectivas. De janeiro a maio desse ano cresceu 48% nas vendas comparando com o mesmo período de 2018. Silvio Munhoz, diretor comercial da Scania do Brasil, estima que a previsão feita para este ano está mantida com alta de 10% a 20% no mercado de pesados, diante de previsão de 15% da Anfavea.

 

No segmento de ônibus, Walter Barbosa, diretor de vendas e marketing ônibus da Mercedes-Benz, também enxerga 2019 como ano promissor e vendas de 16,5 mil a 18 mil unidades, ou seja, alta de 10 a 20% em relação aos licenciamentos do ano passado.

 

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Este ano, de janeiro a maio, os ônibus já tiveram alta de 75,5% sobre o mesmo período de 2018. O segmento que mais cresce é o de micro-ônibus: 88% de janeiro a maio de 2019 em relação aos mesmos meses de 2018. Barbosa credita esse salto a licitações governamentais e utilização por aplicativos de transporte, com tendência de crescimento.

 

O segmento urbano teve avanço de 39%, em função de contratos de concessionárias e poder público, maior disponibilidade de crédito, alterações de legislações e demanda de passageiros. Para Barbosa, a tendência é de alta de 10 a 15% ao ano nesse segmento.

 

Os fretados tiveram aumento de 29%. O rodoviário cresceu 25% e o escolar, devido a licitações de 2017 e 2018, saltou 666%.

 

Foto: Christian Castanho.