Produção nacional do HVO tem desafios a superar

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26/09/2019

São Paulo – A inexistência de regulamentação que estabeleça regras sobre produção e venda, por ora, representam entrave para o avanço do combustível HVO no mercado brasileiro, onde já existe grande demanda e expectativa em torno do seu papel de alternativa econômica e sustentável ao diesel. No entanto o combustível já é produzido no País pela Petrobras e existem também produtores independentes buscando espaço.

 

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No caso da Petrobras o HVO é produzido em pequena escala desde 2008 em caráter experimental, mas já é possível afirmar que há estrutura para levá-lo à bomba. De acordo com Ricardo Pinto, consultor sênior da companhia, o que falta é estrutura de produção em escala, o que deve ser possível por meio de, novamente, políticas públicas:

 

“Do ponto de vista técnico nossas refinarias estão aptas a produzir o combustível. Para se produzir um volume que torne viável escala maior e, por consequência, um preço mais atrativo na bomba, precisamos de uma discussão maior em termos de investimento e participação pública, sobretudo a respeito da configuração de tabela de preços. De todo modo a capacidade instalada está pronta para uma produção inicial”.

 

Há também quem tenha interesse na produção do HVO, principalmente a base de óleo vegetal extraído da soja. Erasmo Carlos Battistella, presdiente do ECB Group, negocia no Paraguai a instalação de uma usina de refino com capacidade para 20 mil barris ao dia de Ômega Green. A projeção é a de que sejam investidos US$ 800 milhões na unidade, o que poderia ser o maior investimento privado, em um só projeto, na história do país vizinho. O prazo para que a obra comece é o primeiro semestre de 2020 e a usina deverá atingir plena capacidade a partir de 2022.

 

“Buscamos o Paraguai porque lá existem condições melhores para o produtor, tanto fiscais quanto em termos de matéria prima, pois o país é um grande produtor de soja”, disse Battistella. “São Paulo, por exemplo, é uma cidade referência para o Brasil e para o mundo. Aqui é o lugar certo e agora é o momento para esse despertar do HVO no nosso País.”

 

O ECB Group já produz biodiesel em usinas instaladas na região Sul. A produção hoje é destinada às exportações, disse Battistela. Ele acredita que os produtores independentes, como é o caso da sua companhia, serão inseridos como agentes dentro de uma futura regulamentação a respeito do refino do HVO: “Desempenhamos um papel importante uma vez que estamos instalados perto da produção do grão de onde se extrai o óleo vegetal, e há espaço para um complementariedade do parque produtivo nesse sentido”.

 

Foto: Divulgação.