Toyota mira mercado das pequenas locadoras

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Foto Jornalista  Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

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25/10/2019

São Paulo – A Toyota se prepara para transformar seu modelo de negócios em serviços baseados em veículos como plataforma de mobilidade, algo além da atual venda de veículos e partes. No ano que vem a montadora deverá mostrar ao mundo, durante os Jogos Olímpicos de Tóquio, sua forma de ver o transporte futuro, com a aplicação de sua nova gama de veículos e como eles se integram dentro de um sistema de serviços. De forma paralela, aqui no Brasil, a companhia também mostrará as primeiras linhas daquilo que vê anos à frente.

 

Essa transformação global do modelo de negócio, no âmbito do mercado interno, começará pela consolidação do Toyota Mobility Services, serviço de aluguel de veículos lançado no País em setembro. Segundo Miguel Fonseca, vice-presidente, trata-se de um laboratório para que sejam colocadas em prática as ideias que a empresa pretende explorar no setor automotivo regional:

 

“É um território onde o nosso objetivo é oferecer um serviço adicional aos nossos clientes, mas também aprender as necessidades que eles têm. Se a gente não começar a oferecer um serviço, nunca saberemos o que ele pretende de si. Temos que experimentar”.

 

O consumidor tem disponível toda a linha Toyota para locação, desde o Etios SD X Plus com transmissão automática até SW4 SRX com sete lugares. A linha Lexus e o modelo Corolla híbrido flex também integram o serviço. A empresa segue a onda de que, com o passar do tempo, o uso do veículo será mais importante do que propriedade, e pretende por meio do TMS ajustar a sua oferta para as demandas que, sob sua ótica, estão por vir.

 

De qualquer forma, o serviço de modalidade se mostra como uma oportunidade de negócio interessante à empresa em termos faturamento obtido em mercado pouco explorado – acontece que com o TMS  a Toyota não quer entrar no terreno das três grandes locadoras que detêm, juntas, cerca de 30% do mercado de locação e gestão de frotas e que representam, hoje, o principal canal de escoamento de boa parte do que é produzido nas fábricas brasileiras. A empresa busca atacar os outros 70% desse mercado que estão concentrados nas mãos de 6 mil pequenas locadoras. Nesse sentido, e segundo Fonseca, o planejamento versa o seguinte: as concessionárias se transformarão em hubs de locação onde atuam essas pequenas locadoras, mas com diferenças na prestação do serviço:

 

“Esse mercado pulverizado não está profissionalizado e poderá ser ocupado por montadoras e seus concessionários. Nossa ideia é a de atrelar ao negócio dos concessionários escala suficiente para que possam ser competitivos nas regiões onde as pequenas locadoras atuam”.

 

Ainda estão ocultos sob o biombo corporativo os pormenores acerca da participação do concessionário no plano de negócios da Toyota. De todo modo, o vice-presidente afirmou que a rede desempenhará papel fundamental para que o braço de serviços da montadora tenha êxito no mercado a partir do TMS. Existe a pssibilidade de que a rede faça a gestão de uma frota que poderá ser, ou não, da Toyota.

 

“Metade dos nossos grupos concessionários em São Paulo, por exemplo, já prestam serviço de locação. Fazem isso, mas é um negócio de receita muito marginal, precisa de capital para aquisição do ativo, e depois a escala que eles têm é pequena. Se eles tiverem um call center para atender quarenta pessoas que alugaram veículos, a demanda pequena não cobre os custos. De forma que nossa ideia é a de ajudar esse parceiro a ter escala”.

 

Mais do que fornecer capilaridade para o serviço de mobilidade, a rede de concessionários ficará com o papel de gerenciar a logística, do atendimento e da prestação de serviço de manutenção. Mostrar aos concessionários que o modelo está mudando foi complexo, revelou o vice-presidente da Toyota

 

“Não enxergamos a mobilidade como um negócio da montadora, mas como um negócio que inclui os seus concessionários em todos os aspectos. Foi uma conversa de chorar, mostrar no futuro o modelo tracional de vendas não deverá existir mais. Hoje o porcentual de venda para utilização ainda é menor do que a venda, mas podemos observar a evolução no nível das vendas diretas em 48%. Isso não vai parar de crescer, vai seguir crescendo até chegar um momento em que será algo próximo de 100%. Se a montadora não fizer parte dessa cadeia de valor, ela não tem viabilidade. E o concessionário precisa ser parte”.

 

Segundo Fonseca a tendência é a de que as demais montadoras também observem oportunidades no território atendido pelas pequenas locadoras. Para ele, no entanto, nem todas conseguirão ser competitivas. “Um dos segredos das locadoras é o de ter buscado recursos no mercado de capitais para fazer a máquina girar com compra de ativos, etc. No caso das montadoras, sobreviverá quem tiver um braço financeiro sólido para custear a operação. No nosso caso, temos um braço financeiro, o Banco Toyota, que tem credibilidade no mercado e torna viável, por isso, crédito fácil e barato para custear a operação de serviços”.

 

O Toyota Mobility Services está disponível também na Argentina e no Japão e, nos próximos meses, a empresa deverá elucidar mais pormenores a respeito do seu serviço.

 

Foto: Christian Castanho.