Mercedes-Benz produz verduras, legumes e temperos

Imagem ilustrativa da notícia: Mercedes-Benz produz verduras, legumes e temperos
Foto Jornalista  André Barros

Por André Barros

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01/11/2019

São Bernardo do Campo, SP – Em meio aos prédios que abrigam as linhas de produção de caminhões, chassis de ônibus, motores, transmissões, peças e outros componentes de veículos comerciais da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo, SP, funcionários da BeGreen, uma startup de Minas Gerais,  cuidam de segunda a sábado de uma plantação de verduras e legumes livres de agrotóxicos. São responsáveis pela plantação, colheita, manipulação e entrega ao restaurante vizinho, que alimenta os cerca de 10 mil trabalhadores da unidade.

 

A Fazenda Urbana é a primeira do gênero dentro de uma fábrica automotiva brasileira – a M-B diz que é, também, a primeira do mundo. Entrega mensalmente 2,5 toneladas de alface verde e roxa, com sementes importadas da Holanda, rúcula, espinafre, agrião, chicória, salsinha, hortelã, cebolinha, coentro, manjericão e sálvia ao restaurante e também comercializa para os funcionários. Agora, em uma segunda etapa, serão introduzidos legumes, como tomate, berinjela e abobrinha.

 

O desperdício é zero: o que eventualmente sobra é doado a projetos parceiros que a companhia apoia, como a Hamburgada do Bem. Toda a produção é orgânica e a água é reutilizada. O sistema de plantação, aliás, é inovador e chega, segundo Giuliano Bittencourt, CEO da BeeGren, a ser 28 vezes mais produtivo do que o de uma fazenda comum.

 

Toda a iluminação e irrigação é controlada por meio de sistema de gestão desenvolvido em conjunto com o Senai Cimatec. Este colaborou, também, com a introdução da aeroponia, um modelo de irrigação em que as raízes das hortaliças ficam suspensas no ar e recebem a água por meio de um processo de nebulização.

 

Parte da plantação é irrigada com o sistema aeropônico, parte com o aguapônico. Neste, tilápias criadas em um tanque despejam seus dejetos – urina e fezes – na água, que é transferida ao sistema já com os nutrientes necessários para o desenvolvimento das hortaliças. Ao consumir a água as hortaliças já a deixam purificada, pronta para retornar ao tanque das tilápias.

 

Segundo a BeGreen este método, além de dispensar o uso de fertilizantes e pesticidas químicos, reduz em 90% o consumo de água na comparação com a agricultura tradicional: “E como a fazenda fica ao lado do restaurante, não há emissão de CO2 no transporte do produto”.

 

A ideia de montar a Fazenda Urbana dentro da fábrica do ABCD Paulista surgiu em 2017, segundo Carlos Santiago, vice-presidente de operações da Mercedes-Benz do Brasil: “Vi o vídeo de um jardim montado sobre o telhado de uma fábrica no Exterior e fiquei interessado em fazer algo parecido por aqui. Ao mesmo tempo descobrimos iniciativas de fazendas urbanas na Escandinávia no topo de prédios, que serviam para alimentar os moradores”.

 

Enquanto pesquisava como fazer acabou encontrando a BeGreen, que mantém em um shopping center de Belo Horizonte uma fazenda urbana. A ideia foi apresentada ao CEO Bittencourt, que topou na hora o desafio. Inicialmente o objetivo era fazer no telhado do prédio do restaurante, mas havia uma área livre à frente, no térreo, onde um espelho d’água desativado deu lugar à estrutura, que ocupa 1,2 mil m², dos quais 900m² de área produtiva.

 

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“Não pense que foi fácil: no caminho surgiram diversos obstáculos, especialmente com relação às licenças de operação”, disse Santiago. “Somos uma fabricante de veículos e foi difícil nos adequar para podermos obter as licenças para produzir e manipular hortaliças, as certificações necessárias. O mais fácil era desistir, mas contamos com o suporte de praticamente todos os departamentos da fábrica. Todos se comprometeram a entregar algumas horas do seu trabalho para que o projeto saísse do papel.”

 

Vencida a burocracia a Mercedes-Benz pôde finalmente, na sexta-feira, 1º de novembro – por coincidência o dia do vegano – inaugurar oficialmente sua Fazenda Urbana, que já há alguns meses abastece o restaurante. Trabalhadores também podem adquirir, todos os dias, kits com as hortaliças, a preços inferiores aos encontrados no mercado.

 

Como em uma linha de produção de veículos Santiago enxerga, agora, oportunidade para expandir sua capacidade de plantação. Junto com a BeGreen e outros parceiros, como a Embrapii e o Senai Cimatec, desenvolve soluções – como, por exemplo, construir novos andares de plantas, uma vez que elas ficam suspensas: “Nosso objetivo é, quem sabe, atender a 100% do consumo da fábrica e dos nossos colaboradores”.

 

Foto: Divulgação.