ABB pega carona nos veículos elétricos

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07/11/2019

Bérgamo e Dalmine, Itália – Ao dividir seus negócios em quatro unidades distintas – eletrificação, automação industrial, robótica e motores e geradores elétricos – a ABB, multinacional de origem suíço-sueca com sede em Zurique, criou, na prática, quatro empresas sob um mesmo guarda-chuva. A de eletrificação, que no ano passado representou em torno de 45% das vendas da companhia, enxerga na indústria automotiva uma importante parceira para alavancar os negócios.

 

A acelerada que a Europa, especialmente, deu no segmento de veículos elétricos, identificada no último Salão do Automóvel de Frankfurt, Alemanha, onde poucas novidades traziam sob o capô motores a combustão, ampliou a convicção da ABB. Para o presidente da área de eletrificação, Tarak Mehta, as perspectivas são de crescimento médio de 8% ao ano para o segmento – um mercado estimado em US$ 5 bilhões para seus negócios.

 

A ABB fornece, dentre outros produtos, recarregadores para veículos elétricos. No mês passado adquiriu uma concorrente na China, a Chargedot, com o objetivo de ampliar sua atuação no mercado global – em especial o asiático, onde graças aos chineses e suas políticas de incentivo as vendas de carros elétricos já alcançaram grandes volumes.

 

Esta aquisição permitirá à empresa ampliar sua produção global de carregadores. Segundo Mike Mustapha, chefe de negócios globais, o modelo de negócios será o de contratação: terceiros montarão os carregadores ABB, que fornecerá a expertise e tecnologia: “Não faz sentido investir em fábricas para isso. Vamos escolher fornecedores ao redor do mundo e abastecer a demanda global por meio deles”.

 

Nada, ainda, no Brasil – embora o México esteja no radar do executivo para produzir os carregadores. Mustapha argumenta que a frota brasileira de elétricos, ainda na casa das pouco mais das 7 mil unidades, não sustenta um investimento do tipo. Mas tem confiança na eletrificação do mercado brasileiro:

 

“A tendência é a de que o preço do carro elétrico comece a cair com o aumento da escala. E o consumidor perceberá que o uso deste veículo é mais barato do que um modelo a combustão, até por causa da manutenção menos custosa. E quando as pessoas começarem a comprar mais carros elétricos demandarão infraestrutura, que é o que nós fornecemos”.

 

Os resultados por aqui vão bem, de acordo com o executivo: será o segundo ano com crescimento na casa dos dois dígitos, mesmo diante de tantos problemas – e aí entram os outros negócios da área, como prédios inteligentes e digitalização: “É um país importante para nós, porque estamos indo bem. O Brasil é o segundo maior mercado da região depois do México”.

 

Para sustentar os negócios do País e em outros mercados do continente a ABB está investindo na construção de um centro de distribuição em Miami, Florida. Este é hoje, para a companhia, seu mercado mais relevante no negócio de eletrificação – impulsionado pela aquisição, no ano passado, da área de soluções industriais da GE, agora plenamente incorporada.

 

Foto: Divulgação.