Transformação do setor automotivo faz parte de um contexto maior

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Por Lucia Camargo Nunes

CompartilheSeminário AutoData
25/11/2019

São Paulo – O mundo passa por uma fase de transformação – e não apenas no setor automotivo. São vários os sinais de disruptura: criptomoedas, internet 5G, inteligência artificial, segurança cibernética, redução de emissões e, também, preocupação das empresas com os clientes. A avaliação é de Dalicio Guiguer, diretor geral de programa de produtos e planejamento da General Motors da América do Sul, um dos palestrantes do Seminário AutoData Brasil Elétrico, realizado na segunda-feira, 25, no Milenium Centro de Convenções, em São Paulo.

 

“Há muita pesquisa de mercado e é difícil de entender o que o cliente quer. E quando se tem essa sensação, é porque estamos num momento de disruptura”.

 

Para exemplificar o que passamos Guiguer fez uma comparação do atual momento com o surgimento do automóvel: uma foto do ano de 1900 mostrava uma Quinta Avenida, em Nova York, repleta de carroças, cavalos e apenas um veículo. Treze anos depois, no mesmo cenário, acontecia exatamente o oposto: na mesma avenida os carros predominavam em meio a uma carroça.

 

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Para o executivo da GM o que levou a essa ruptura foi a própria sociedade. Com a ocupação dos centros urbanos, a profusão de cavalos e esterco trouxe um problema de poluição e saúde. Num segundo impulso veio a tecnologia, o motor a combustão, mais segurança e, assim, surgiu a infraestrutura para suportar os veículos.

 

Hoje a GM, de forma global, olha para o futuro com metas sem acidentes, sem emissões e sem congestionamentos. O carro autônomo é a resposta para zerar acidentes. A eletrificação é a solução para reduzir drasticamente emissões e o compartilhamento para eliminar congestionamentos.

 

Nesse caminho, a montadora trabalha em quatro pilares para seus veículos, investindo em conectividade, compartilhamento, eletrificação e tecnologia autônoma. Nas conexões, a primeira onda já veio nos idos de 2012, com o Bluetooth e depois com o OnStar, sistema que no Brasil permite a recuperação de até 98% de recuperação de veículos furtados e roubados. “Numa terceira onda o consumidor traz o seu celular para o carro, que agora conta com wi-fi”.

 

Os modelos de negócio também mudarão. Em vez da montadora contabilizar quantos carros foram vendidos, a referência será: “quantos quilômetros seus veículos rodaram?” Nessa linha, a GM administra a Maven, plataforma de compartilhamento de carsharing pelo próprio dono, experiência que também foi testada no Brasil por dois anos, por seus funcionários, no sistema pay per use.

 

Com o Bolt, recentemente lançado no Brasil, a montadora está atenta às preocupações dos consumidores com custo e tempo da recarga e custos do quilômetro rodado. Até porque a GM faz uma forte aposta nos 100% elétricos: até 2023 planeja lançar vinte modelos.

 

A GM, aliás, decidiu pelos elétricos, sem passar por híbridos, numa decisão estratégica da engenharia. E a mudança, entretanto, não deverá ser tão rápida como no início do século 20. Guiguer até estima que em 2050 a maioria dos veículos em circulação serão elétricos. “Mas não vai ser drástico, veículos elétricos e a combustão vão coexistir por um bom tempo”.

 

Foto: Rafael Cusato.