BNP Paribas: Brasil cresce em 2020.

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Foto Jornalista  Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

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16/12/2019

São Paulo – Se a indústria automotiva olha para seu mercado em 2020 com viés de crescimento, como foi possível perceber no Congresso AutoData Perspectivas 2020, realizado em outubro, as projeções das instituições financeiras, por sua vez, mostram cenário no qual o Brasil, sim, crescerá em termos de PIB – mas há alertas. Segundo levantamento feito pelo banco BNP Paribas, divulgado em dezembro, o mercado brasileiro foi poupado dos movimentos sociais que, sob a ótica dos economistas da instituição, afastou investidores onde ocorreram, como é o caso do Chile.

 

Em relatório o banco informou que “embora todas as implicações econômicas e sociais de tais movimentos populares sejam complexas e específicas para cada país, as perspectivas de reformas econômicas favoráveis ao mercado e reformas fiscais provavelmente pioraram, em nossa opinião”. 

 

Para o banco, o Brasil “se recupera de longa e profunda recessão”, e a projeção de crescimento para o País em 2020 deverá ser de 2% sobre o resultado de 2019 devido a uma flexibilização monetária agressiva:

 

“Se o crescimento não melhorar o medo de uma reação política poderá levar o governo a abandonar sua agenda de reforma e austeridade fiscal”.

 

Abandonar reformas, trazendo a discussão do cenário macro para o setorial, significaria ir na contramão dos interesses e anseios da indústria automotiva, cujos principais agentes, montadoras, sistemistas e concessionários, passaram o ano alegando que reformar é preciso para tornar o setor competitivo aqui e no Exterior.

 

A expectativa das empresas é a de que Selic e a inflação sigam controladas para induzir consumidores à contratação de crédito para aquisição de veículos. Sobre  a inflação o BNP Paribas projeta o indicador em situação estável. No ano passado as projeções indicavam inflação em 3,7 pontos porcentuais. Em 2020 3,4 pontos porcentuais.

 

A respeito do mercado externo na América Latina, o cenário projetado pela instituição é distinto nos dois principais mercados regionais dos veículos produzidos aqui. No México o banco espera uma recuperação lenta que permitirá inflação próxima da meta de 3%: de acordo com Joel Virjen Rojano, economista do BNP Paribas "apesar do crescimento decepcionante e dos problemas relacionados à companhia estatal de petróleo Pemex, ainda esperamos estabilidade macroeconômica devido a uma estrutura política herdada de autonomia do banco central, flexibilidade cambial e prudência fiscal”.

 

Na Argentina o acordo firmado pelo governo para pagamento da dívida fiscal é visto pelo banco como algo necessário porém insuficiente, segundo Felipe Klein, economista da sucursal argentina do banco: Projetamos que a inflação termine 2020 em 43%, apoiada em uma política monetária expansionista e em um alto grau de inércia. Acreditamos que o novo governo contará com um pacto social para coordenar os preços, usando a taxa de câmbio oficial e os controles de capital como âncora para impedir repasses aos preços”.

 

Foto: Divulgação.