Indústria à beira do TaaS, o caminhão como serviço

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Foto Jornalista  Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

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22/01/2020

São Paulo – Quando observamos no mercado de caminhões as montadoras apostando em receitas maiores com serviços no futuro, seja por meio da conectividade, como são os casos de Scania e Volvo, ou da exploração do veículo como plataforma de mobilidade, como pode vir a ser o caso da Volkswagen Caminhões com o e-Delivery, vemos um setor prestes a dar vida a um novo termo, o Truck as a Service, ou o Caminhão como Serviço, na tradução do inglês.

 

O uso de ativos como serviço surgiu no universo da tecnologia para dar cara a uma prática que reduziu custos e massificou produtos. Quando se utiliza uma estrutura como se ela fosse um serviço o conceito de propriedade do bem durável dá lugar, por causa das vantagens econômicas que proporciona, ao modelo de pague pelo quanto você precisar usar.

 

Foi assim que empresas de tecnologia, em épocas marcadas por queda nas vendas, conseguiram reduzir o custo de sua oferta e conquistar novas parcelas do mercado onde atuam. Surgiu, assim, o SaaS, o Software como Serviço, o IaaS, a Infraestrutura como Serviço, o DaaS, o Desktop como Serviço, e mais uma vasta série de siglas. Talvez tenha chegado o momento do TaaS.

 

A VWCO, com o seu e-Delivery, estuda com parceiros novos modelos de negócios e há indícios de que o caminho será a exploração do veículo como uma plataforma de serviços. Marco Saltini, seu diretor de relações governamentais e institucionais, disse que nesse futuro da mobilidade, que será transformado pelas montadoras e startups, a única coisa certa, por ora, é que a operação do cliente dará o tom na oferta do serviço – mais do que é hoje.

 

“Pode ser que o cliente tenha uma operação que não requeira uma frota muito grande, ou precise e ele não tenha meios técnicos ou financeiros para contar com essa estrutura. Nesse caso eventualmente faria sentido para ele construir um modelo de negócio no qual o transporte da carga é feito por um ativo pelo qual ele pagaria por uso, eliminando o opção da compra.”

 

O novo modelo não significaria necessariamente o fim da propriedade de veículos comerciais e consequente queda nas vendas: “Alguém ainda precisa produzir e comprar os caminhões, constituir uma frota para que ela seja usada como um serviço”.

 

Não foram poucas as vezes em que executivos da empresa, sobretudo durante o anúncio oficial do e-Consórcio, na última Fenatran, citaram como possibilidade de novo negócio a oferta do veículo elétrico como serviço ou a oferta das baterias que alimentam o seu powertrain – justamente o componente mais valioso de todo o conjunto que deverá ser produzido em série, em Resende, RJ, já em 2020.

 

Aliviando o custo da propriedade o cliente final poderia, em tese, ter mais possibilidades de operar um caminhão elétrico pagando pelo uso do combustível, no caso, a bateria.

 

Ainda que a exploração comercial do caminhão elétrico VWCO esteja sendo desenhada por detrás do biombo corporativo as demandas já são realidade no País. Durante o evento MAN Impact Accelerator, realizado de 19 a 23 de novembro, em São Paulo, uma das startups selecionadas para participar do programa demonstrou encaixar-se no perfil de empresa que busca um modelo baseado no caminhão como serviço.

 

A Sumá, de Santa Catarina, conecta pequenos agricultores a clientes que compram a granel, sendo o agente intermediário. Em dado momento do desenvolvimento da startup percebeu-se que a distribuição da carga era um fator chave na operação:

 

“Ter uma frota era caro e logística não era o nosso core”, disse o fundador Alexandre Leripio. “Fomos buscar um parceiro frotista no mercado e percebemos que não há no País um que atenda à nossa demanda, que é específica em termos de capacidade de carga e escala”.

 

Para Saltini, da VWCO, o caso da startup é aderente à oferta que a indústria deverá tornar disponível nos próximos anos: “Neste exemplo, uma operação pequena e com requisitos específicos, faria sentido eventualmente o uso de um veículo que fosse contratado como serviço, pago pelo uso. Dessa forma o investimento inicial da empresa para transportar carga seria menor, porque não haveria a necessidade da compra do bem”.

 

O caminhão como serviço é algo em desenvolvimento nos mercados mais avançados. Na Europa a MAN possui em operação cerca de 15 mil caminhões no modelo pagamento por uso. Afora essa oferta, por meio da conectividade desses veículos, consegue receber e analisar dados da operação, podendo vir a indicar ao frotista serviços de manutenção – outra fonte importante de receita sobre a mesma plataforma.

 

Como a MAN, assim como a VWCO, é uma subsidiária do Grupo Traton, que tem como meta o compartilhamento de custos e tecnologias, pode ser que haja intercâmbio também no desenvolvimento de oferta de serviços que já estão em testes.

 

Foto: Divulgação.