Placas do Mercosul prejudicam as vendas de janeiro

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Foto Jornalista  Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

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04/02/2020

São Paulo – A queda de 3% nos emplacamentos registrada em janeiro poderia ter sido convertida em resultado positivo não fosse a introdução das novas placas do Mercosul, em vigor desde 31 de janeiro. De acordo com a Fenabrave, a indecisão a respeito da adoção ou não do aparato por aqueles que compraram veículos no primeiro mês do ano refletiu no desempenho comercial.

 

A estimativa da entidade que representa concessionários é a de que nove mil emplacamentos deixaram de ser registrados no mês passado em função do novo tipo de placa. Assim, as vendas subiriam dos 193 mil emplacamentos registrados para 202 mil, o que representaria crescimento de 4,5% na comparação com as vendas realizadas em janeiro do ano passado.

 

O presidente Alarico Assumpção Junior disse na terça-feira, 4, que esses emplacamentos serão contabilizados nos resultados de fevereiro, uma vez que “os negócios foram fechados e as concessionárias estavam esperando apenas a entrada em vigor da nova placa” para inserirem os dados no Renavam.

 

No mês as vendas de automóveis e comerciais leves somaram 184 mil 125 unidades, 3,4% a menos do que o volume emplacado em janeiro do ano passado. As vendas de caminhões e ônibus, por sua vez, chegaram a 9 mil 339 unidades, resultado que representa alta de 2,3% sobre o verificado em janeiro de 2019.

 

Os resultados foram considerados positivos pela Fenabrave e indicam aos olhos da entidade um ano de crescimento do mercado interno de veículos. Quedas constantes da taxa Selic e inflação baixa são os fatores que, assim como acredita a Anfavea, animarão o consumidor a contratar financiamentos de veículos neste ano.

 

O cenário projetado, inclusive, levou a entidade a considerar vendas de varejo crescendo mais do que as vendas realizadas de forma direta. Em janeiro, segundo dados divulgados pela Fenabrave, as vendas diretas representaram fatia de 38,6% dos emplacamentos totais, ficando a fatia restante, 61,4%, nas mãos das vendas via varejo.

 

“O desemprego vem diminuindo no País. Esse fator importante aliado ao cenário de controle da inflação, da inadimplência e baixas taxas de juros levará ao aumento do consumo. Em janeiro, houve uma média de sete em dez fichas aprovadas pelos bancos”.

 

Dado mais recente do Caged, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, mostra que o saldo do emprego formal no Brasil cresceu 21,6% em 2019 sobre o saldo registrado em 2018. O trabalho informal, mostraram dados da Pnad, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, atingiu ao final de 2019 o maior nível desde 2016, representando 41% da força de trabalho – cerca de 38,4 milhões de brasileiros.

 

No setor de caminhões há expectativa em torno de maiores vendas no ano, disse Sérgio Zonta, vice-presidente da Fenabrave: “Haverá crescimento das vendas neste ano não apenas nos pesados, mas também em outros segmentos puxados por atividade comercial na construção civil, por exemplo”.

 

A debandanda de montadoras do Salão do Automóvel pareceu não interferir nos ânimos da Fenabrave acerca das vendas de veículos, uma vez que o evento é considerado importante vetor de negócios no País. Para o presidente Assumpção Júnior o desejo da entidade é de que o evento aconteça, e que a federação, se requisitada, “apoiará o evento no que for preciso”.

 

Foto: Divulgação.