Montadoras acompanham impacto do coronavírus na produção

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Foto Jornalista  André Barros

Por André Barros

CompartilheBalanço da Anfavea
06/02/2020

São Paulo – O acompanhamento é diário: funcionários dos departamentos de logística das fabricantes de veículos monitoram os estoques e as peças em trânsito da China ao Brasil para avaliar possíveis impactos das paradas das fábricas em Wuhan, por causa do coronavírus, na produção local. O presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, afirmou que “até agora não foram detectados problemas”, mas existe a preocupação.

 

No caso de peças importadas da China, disse Moraes, o planejamento usual é manter estoques em níveis altos, para evitar qualquer imprevisto: “Vai de caso a caso, da estratégia de cada montadora, do tipo de peça, mas chega a três, quatro meses”, afirmou em coletiva à imprensa na quinta-feira, 6, em São Paulo. “O monitoramento tem que ser feito em toda a cadeia”.

 

Embora a reportagem de AutoData tenha apurado que existem fábricas de veículos no Brasil que abastecem suas linhas com algumas peças de Wuham é nos degraus mais baixos que os alertas estão mais acesos. Há fornecedores tier 2, tier 3 e tier 4 que compram peças da China. O presidente disse que os departamentos de logística conseguem mapear toda a cadeia: “Por enquanto não há risco. Não temos como precisar quando pode virar um problema, mas até agora a situação está sob controle”.

 

Na Coreia do Sul a Hyundai precisou interromper a produção por alguns dias. O caso, ali, é diferente, pois a proximidade com a China não requer níveis elevados de estoque – é quase just in time. De todo modo fabricantes com unidades produtivas em outros países buscam ampliar a produção de peças similares às fabricadas em Wuhan.

 

Em 2011 um terremoto seguido de tsunami no Japão afetou a produção global de veículos. Algumas fábricas atingidas pelo terremoto deixaram de produzir por algumas semanas e componentes eletrônicos, produzidos exclusivamente em determinadas linhas, deixaram de chegar a diversas montadoras. A indústria aprendeu uma lição na ocasião: não deve concentrar toda a produção global em apenas um local.

 

Janeiro – A produção de veículos caiu 3,9% no primeiro mês do ano, para 191,4 mil unidades. Acompanhou a trajetória descendente do mercado doméstico e das exportações. Nada preocupante, de acordo com Moraes: muitas fábricas concederam uma ou duas semanas de férias no mês passado, o que ajudou a reduzir os números de veículos produzidos.

 

A Anfavea mantém a projeção divulgada no mês passado de alta de 7,3% no volume produzido em 2020, para 3,2 milhões de veículos.

 

Foto: Divulgação.