Blindada, Iochpe-Maxion segue com expansão global

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Foto Jornalista  André Barros

Por André Barros

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10/03/2020

São Paulo – A forte presença global da Iochpe-Maxion, com 34 fábricas espalhadas por catorze países nas Américas, África, Europa e Ásia, ajuda a blindar das crises a fabricante de rodas e componentes estruturais para veículos. Segundo seu presidente, Marcos de Oliveira, usualmente quando há problemas em uma região os resultados de outra ajuda a compensar. Mas uma temida recessão global pode atrapalhar os negócios da companhia: “[Diante dos distúrbios gerados pela epidemia de coronavírus e a crise do petróleo] a grande pergunta é: o que vai acontecer com a economia global? Não sabemos, não há nada certo. [Qualquer prognóstico] seria um chute muito grande”.

 

Oliveira prefere manter os pés no chão. Lembra que a indústria automotiva tem capacidade para recuperar volumes que não foram produzidos nas últimas semanas por causa do coronavírus e ressalta que não houve paralisação em nenhuma de suas fábricas do mundo – nem as da China e da Itália, dois países em que a epidemia gerou transtornos.

 

“As medidas que tomamos foram evitar as viagens ao Exterior, preferindo teleconferências, e monitorar o mercado e os clientes. As matérias-primas compramos sempre nas regiões onde produzimos, então não há risco de parada por desabastecimento de peças.”

 

No ano passado 73% da receita líquida de R$ 10 bilhões, a maior da história da Iochpe-Maxion, foram gerados no Exterior. A Europa perdeu espaço mas segue como a principal origem do faturamento, com 34% do total, seguida pela América do Norte, com 30%, e América do Sul, com 27%.

 

No Brasil, onde produz rodas de aço e de alumínio e componentes estruturais, as vendas subiram 13,1%, para R$ 2,6 bilhões. Oliveira admite que a desvalorização do real até ajuda os negócios da Iochpe-Maxion, pois a maior parte da receita é em outras moedas: “Temos um hedge financeiro natural. As dívidas também estão bem divididas em dólar, real e euro, então não há risco de muita exposição em uma só moeda”.

 

A companhia está alavancada em 2,2 vezes o EBITDA, que fechou em R$ 1,1 bilhão no ano passado. O lucro líquido somou R$ 337 milhões, crescimento de 67% sobre o de 2018 e com 3,4% de margem liquida.

 

E os investimentos prosseguem: no ano passado somaram R$ 519 milhões, especialmente na Índia, onde o grupo abriu uma nova fábrica com capacidade para 2 milhões de rodas/ano, e na Tailândia, embora a fábrica de Cruzeiro, SP, também tenha recebido aporte para modernização e automação. Em parceria com a Dongfeng a Iochpe-Maxion anunciou, no ano passado, a construção de uma nova fábrica na China, com capacidade para 2 milhões de rodas de alumínio para veículos leves por ano.

 

Ao apresentar os investimentos de expansão dos negócios da unidade fabricante de rodas na Índia e China, Oliveira justifica o movimento: “Segundo a IHS as vendas de veículos na Índia, de 2019 a 2026, crescerão 6,4% por ano, em média. Na China, na casa dos 2%. Por isso estamos expandindo ali, queremos que a Ásia salte de 9% do nosso faturamento para 15% nos próximos anos”.

 

O Brasil não fica de fora dos planos de expansão. Além da modernização de Cruzeiro, a fábrica de Limeira, SP, que tem capacidade para produzir 800 mil rodas/ano, está sendo preparada para produzir até 1 milhão de unidades/ano.

 

Segundo Oliveira o foco para os próximos anos será manter o crescimento orgânico da empresa e reduzir as dívidas. Mas não descarta novas aquisições de empresas: “Estamos sempre de olho em oportunidades".

 

Foto: Divulgação.