General Motors negocia lay-off em todas suas fábricas

Imagem ilustrativa da notícia: General Motors negocia lay-off em todas suas fábricas
Foto Jornalista  Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

CompartilheCovid-19
30/03/2020

São Paulo – A General Motors negocia lay-off com os funcionários de todas fábricas que mantém em São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A proposta levada aos sindicatos dos metalúrgicos é de parada de dois meses, a partir de 14 de abril, para quando está programado o fim das férias coletivas concedidas como medida preventiva ao avanço da covid-19.

 

A concessão de lay-off, que é a suspensão remunerada do trabalho, proposta pela montadora pode, ainda, ser prorrogada por mais dois meses afora os dois iniciais. Se aprovada pelos trabalhadores a medida, na prática, pode significar a paralisação da produção até agosto.

 

A proposta envolve também redução de salários, podendo chegar até a 25%, de acordo com cada faixa salarial. O pagamento de parte dos rendimentos durante o período de lay-off seria realizado via FAT, o Fundo de Aparo ao Trabalhador, vinculado ao Ministério do Trabalho e cuja fonte são os recursos do PIS, o Programa de Integração Social.

 

Agência AutoData apurou que em Gravataí, RS, onde a empresa produz as duas versões do Chevrolet Onix, a proposta será votada pelos trabalhadores na quarta-feira, 1º, por meio de aplicativo virtual. De acordo com fonte local "não temos outra opção na mesa. Neste momento é isso [lay-off] ou não trabalhar mais".

 

A situação é semelhante em São Caetano do Sul, SP, onde são montados os Chevrolet Joy, Montana, Spin e a nova geração do SUV Tracker. Em São José dos Campos, SP, onde são montados S10 e Trailblazer, os trabalhadores informaram na segunda-feira, 30, que rejeitaram a proposta apresentadas pela empresa, e que na quarta-feira, 1º, haverá a apresentação de uma contraproposta, segundo o sindicato dos metalúrgicos local.

 

"Não há necessidade de a General Motors reduzir salários e direitos. A empresa se aproveita da situação e as medidas não abrangem seu quadro diretivo", disse Luiz Carlos Prates, o Mancha, em vídeo veiculado em rede social. "O sindicato não aceita esta proposta e está aberto à negociação. Já abrimos mão de muitas coisas ao longo desses anos e está na hora de haver contrapartida da montadora." 

 

Na semana passada a montadora anunciou que cortaria os salários de seus executivos em 20%, uma medida global que envolve, posteriormente, o pagamento da diferença aos funcionários em até um ano.

 

Procurado pela reportagem o sindicato dos metalúrgicos de Joinville, SC, onde são produzidos motores e transmissões, não se manifestou até o fechamento da reportagem.

 

A GM informou por meio de comunicado que vem tomando medidas que "visam a proteger a saúde dos colaboradores em meio à pandemia de covid-19, ao mesmo tempo em que busca alternativas para garantir o futuro do negócio". A empresa afirmou, ainda, que está discutindo com os sindicatos outras medidas, que incluem, além de lay-off, a redução de jornada.

 

Foto: Divulgação.