Crise uniu mais a indústria, avalia Roscheck

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Foto Jornalista  André Barros

Por André Barros

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09/04/2020

São Paulo – A atuação em conjunto de todos os elos da cadeia automotiva durante a fase em que ainda se discutia quais ações tomariam para tentar conter o avanço do novo coronavírus foi ponto positivo, na avaliação do presidente da Audi, Johannes Roscheck, a respeito deste conturbado período pelo qual passamos. Esta união, segundo ele, é importante para o setor.

 

“Todo mundo participou, todos se juntaram no mundo inteiro. Não foi uma decisão da montadora de fechar a fábrica e deixar o fornecedor na mão.”

 

Roscheck participou de transmissão ao vivo pelo LinkedIn com o CEO da Regus & Space, Tiago Alves. Para ele essa foi uma lição importante aprendida em tempos de covid-19: “A indústria automotiva não tem um botão liga-desliga. É um sistema complexo, com muitos fornecedores, alguns no Exterior, e só quando toda essa cadeia funciona em conjunto, da melhor maneira, faz sentido todo mundo participar ativamente e empregar muitas pessoas no mundo inteiro”.

 

O presidente da Audi sugeriu a manutenção da quarentena para conter de uma vez a ofensiva do vírus. Cita como exemplo a Áustria, seu país natal, que agora começa aos poucos a reabrir o comércio e voltar à vida social normal: “Eles agiram muito rápido e agora sentem que o pior já passou. Essa é a única forma que enxergo para resolver: fechar tudo e quebrar a onda. Quem não fez isso agora vê a curva crescer, como Itália, Reino Unido e Estados Unidos”.

 

Johannes Roscheck demonstrou preocupação, contudo, com a economia local. Em especial com o desemprego, que já estava alto. Ao contrário da Europa, China e Estados Unidos, que estavam com a economia sólida antes da chegada da pandemia, o Brasil estava ainda se recuperando da crise de 2014-2017, com as bases mais frágeis, na sua avaliação.

 

“A flexibilização do trabalho foi uma medida excelente, já ajudará bastante. Não tenho opinião ainda com relação a possíveis próximas ações: tudo dependerá da evolução. Se não sairmos rapidamente desta situação poderemos precisar de mais estímulos – e não só a indústria automotiva. Um avanço mais rápido da reforma tributária seria um golaço para o Brasil.”

 

Foto: Divulgação.