Montadoras sinalizam para junho a retomada da produção

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Foto Jornalista  André Barros

Por André Barros

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13/04/2020

São Paulo – Os acordos de suspensão de contrato de trabalho das fabricantes de veículos e autopeças com seus funcionários indicam que há a expectativa de linhas paradas até junho, ao menos. Além da General Motors, que finalmente teve sua proposta aprovada em todas as fábricas – na sexta-feira, 9, os trabalhadores de São José dos Campos, SP, votaram a favor, em assembleia virtual, pela suspensão com redução de salários –, Toyota e CNH acertaram com seus funcionários a parada por dois meses, também com vencimentos reduzidos no período.

 

A tendência é a de que o movimento seja acompanhado por mais empresas do setor. A Volkswagen começará a negociar com os sindicatos nesta semana, como afirmou seu presidente, Pablo Di Si, em recente entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. A Mercedes-Benz é outra que já informou estar aberta a negociações. No Paraná a Renault sugeriu aos trabalhadores adotar as regras da MP 936, que criou o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego, mas o sindicato dificultou as negociações e, sem acordo, precisou prolongar as férias coletivas. As negociações seguem.

 

A Toyota programou o retorno da produção para 22 de junho em São Bernardo do Campo, Indaiatuba e Porto Feliz, SP, e dois dias depois em Sorocaba, SP. Pelo acordo com os sindicatos de cada unidade, a partir de 22 de abril parte dos colaboradores – aqueles ligados diretamente à produção – terá suspensão temporária do contrato de trabalho. O acordo aprovado envolve os trabalhadores horistas e administrativos de todas as áreas e níveis e preserva os salários líquidos de 75% a 100% do seu valor, conforme a faixa de remuneração de cada colaborador.

 

Medida semelhante foi aprovada pelos trabalhadores da CNH Industrial, em Curitiba, PR. Os contratos estão suspensos por trinta dias, prorrogáveis por mais trinta. E também já começa a chegar a fornecedores: a TI Automotive, que mantém produção de componentes em São José dos Campos, propôs lay-off ao seu quadro de funcionários na semana passada, com pagamento integral dos salários para os trabalhadores da produção. O acordo, por ora, segue para votação.

 

Mecanismos como férias coletivas, bancos de horas e dias não trabalhados, que serão compensados futuramente, ainda são usados pela maioria das empresas. Nenhuma das fabricantes com retomada programada para a segunda-feira, 13, retornou: a Ford estendeu a parada em Camaçari, BA, Taubaté, SP, e Pacheco, Argentina, até 30 de abril. Em Horizonte, CE, a produção da Troller ficará parada até 20 de abril.

 

Na Scania o retorno, agora, foi programado para 27 de abril. Por meio de comunicado informou que “no momento, o foco da empresa é a preparação da planta para reiniciar suas atividades em um ambiente controlado e seguro”. A AGCO, que programara o retorno para a semana passada, parou tudo  até a quinta-feira, 16, ao menos.

 

Esta retomada também deverá exigir cuidados. Em Caxias do Sul, RS, a Marcopolo retomou o trabalho com apenas 25% do quadro de funcionários, ampliou o distanciamento deles e tomou algumas precauções, como fornecimento de máscaras e ônibus andando com metade da lotação. As fábricas de Duque de Caxias, RJ, e São Mateus, ES, permanecem fechadas.

 

Além da preocupação com a pandemia há outro fator: o mercado não retornará de imediato, indicam algumas fontes. Podemos esperar um retorno gradativo tanto da produção quanto do consumo.

 

Colaboraram Bruno de Oliveira e Caio Bednarski

 

Foto: Divulgação.