Volkswagen retorna, em maio, em primeira marcha

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Foto Jornalista  André Barros

Por André Barros

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23/04/2020

São Paulo – Será com cuidado, com passos curtos, em um turno, e de olhos atentos ao ritmo de vendas do mercado que a Volkswagen pretende voltar a produzir automóveis e comerciais leves em suas fábricas brasileiras de São Bernardo do Campo e Taubaté, SP, e São José dos Pinhais, PR. Segundo o presidente Pablo Di Si a data estimada é 18 de maio, com a fábrica de motores, em São Carlos, SP, voltando, talvez, uma semana antes. Junto com os trabalhadores da produção retornam, também, os executivos da diretoria, naquela que o executivo chamou de Onda 1 do planejamento de retomada.

 

“Mais importante do que a data em si é retornar com segurança”, afirmou o presidente da Volkswagen América do Sul durante teleconferência com jornalistas na quinta-feira, 23. “Não vejo problema nenhum em adiar por uma semana, se for preciso, para respeitar os protocolos dos governos a autoridades de saúde.”

 

Todas as fábricas operarão em um turno neste primeiro momento. Trabalhadores dos grupos de risco permanecerão em casa – e quem voltar a frequentar as instalações da VW do Brasil encontrarão novas rotinas: uso obrigatório de máscaras, faixas pintadas no solo para indicar a distância em filas nos marcadores de ponto e portarias, maior oferta de ônibus fretados – e com menos pessoas em cada veículo –, álcool gel nas entradas dos ônibus e fábricas, refeitórios com menos mesas, etc.

 

Serão três as ondas da retomada. Na segunda retornam 40% dos executivos e 20% dos trabalhadores das áreas administrativas. Na última serão os outros 60% de executivos e 30% do pessoal do administrativo. Há acordo de redução de jornada e salários, aprovado pelos trabalhadores. As reuniões seguirão no ambiente virtual.

 

Di Si disse que as ações tomadas pela Volkswagen na China, que já retornou ao trabalho, e Europa, que está retornando, ajudarão a tocar o planejamento aqui. O plano foi anunciado a trabalhadores, concessionários e fornecedores. Com esses dois últimos Di Si confessa ter preocupação adicional: é preciso injetar liquidez nas empresas para que elas consigam retomar a produção.

 

“A cadeia de fornecedores vai demorar a recuperar o ritmo. Precisamos resolver o problema de caixa – e não é só da Volkswagen, mas dos fornecedores e concessionários.”

 

O executivo não acredita em retorno de vendas ao nível pré-crise neste ano. Admite, também, que haverá dificuldade dos fornecedores em acelerar a produção, o que pode prejudicar a retomada da própria fabricação de veículos. Mas minimiza: “Temos que acompanhar o mercado. Não podemos acelerar e ficar com estoques elevados”.

 

Foto: Divulgação.